O sono degredado dos derrotistas e a nova aurora de 2016

Por Veladimir Romano

Não parece mas é; a quem foge ou distraído anda com a mais profunda das notícias que hoje inundam as redes, emissoras, tv ou na massiva imprensa escrita, quase desliga na hora do terror. Assim, 2015, é mesmo um ano de complicadas derrotas para a grande comunidade humana.

Mundo avançado? Nunca os seres usaram de tanta tecnologia, privilégio de viajar em aviões de última geração, serviço satélite super-eficaz, utilização de rádio-lazer, entre outras grandes, impressionantes, calculados formatos entre conjunturas técnicas ao serviço financeiro pela utilização de cartões magnéticos em qualquer parte do globo, onde quer os cidadãos desejem dinheiro, basta carregar o plástico e um código.

No entanto, para quem não fugiu da última entrevista internacional editada por múltiplas empresas de comunicação ao entrevistado António Guterres, ex-primeiro-ministro português, Alto Comissário pela direção do ACNUR (agência da ONU para refugiados; para ele, o alarme tocou faz tempo, mas parece que ninguém deu bola pelo assunto. Deslocados no mundo são já mais de 60 milhões, vítimas dos conflitos a nível global.

Vejamos que o presidente norte-americano: Barack Obama, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, retirou soldados do seu país para fora do Afeganistão, depois no Iraque, desfez a base militar dos Açores, desceu a parada de Guam; porém,decidiu infestar a fronteira russa de militares e armamento desde as fronteiras dos países bálticos até ao confim ucraniano, enquanto generais norte-americanos ameaçam a Rússia com oralidade bélica pouco recomendável.

A Ucrânia, é um dos países sofrendo com populações (980 mil e mais de 100 mil fugindo para a Rússia) deslocadas nos 1.600 km de fronteira. É a décima nação do planeta com mais deslocados, fenômeno recente em quase toda a Europa onde se encontram quase 7 milhões, aumentando desde 2014 para 51%, entre crianças, mulheres e homens de 98 nacionalidades.

Não esquecendo também crônicas situações do território africano, parecendo infinitas, destaque de primeira desumanidade fica no Sudão (recentemente o Tribunal Internacional Criminal, passou ordem de prisão ao presidente Omar al-Bashir) com quase 3 milhões da sua própria população deslocada, com especial destaque a região do Darfur. Outros países seguem dessa mesma ementa, desde a incurável Somália ou Níger, passando pelo Mali, Eritreia, Republica Árabe Sarauí, Congo, Chade, Uganda; não esquecendo a desorganização implementada em pleno norte africano com a famosa “Primavera Árabe” onde a Líbia ganhou destaque pelas piores razões quando norte-americanos e europeus usando abusivamente das tropas da OTAN/NATO, minaram premeditada destruição deste país vizinho do Magrebe.

Pelo continente asiático, outra maré imensa, bem vergonhosa praticando todo o tipo de atrocidades desumanas, arrasa qualquer estatística do melhor santo bem intencionado. A velha Birmânia (Mianmar) fazendo fronteira com a China, Bangladeche, Laos e Tailândia; tempos recentes da sua maldita ditadura militar, desenvolveu as piores práticas desumanas sobre minorias étnicas, fugindo estas pelas nações onde também não são respeitadas, gratuitamente assassinadas, usadas em práticas de escravidão, gente traficada, prostituída… um forte cardápio de horrores inimagináveis praticados em pleno século XXI, relatados em primeira mão aos comissários da agência humanitária das Nações Unidas.

Ao cidadão mais anônimo da rua, pode impressionar e amarrotar sua alma pela consciência que tem sobre este bárbaro sofrimento; contudo, não parece infetar o sono dos derrotistas que apoiados na força presunçosa do poder, vão dormindo seu descaso reacionário sabendo que suas ações também totalmente desumanas do jeito que vão perturbando, destruindo vidas, será o “azar circunstancial”. O caso da Síria, Iraque, Palestina, Curdistão, Iémen/Iêmen e Afeganistão, onde mais de 34 milhões de seres humanos fogem de conflitos criminosamente elaborados em oficina secreta, vivendo existência desnaturada, não tem lei nem justiça capacitada em dominar este terreiro de atrocidades.

Escapando dessa orgia, parece o território latino-americano com pequenas bolsas de povos deslocados onde a questão principal passa pela emigração (apátridas na América Latina e Caribe, são perto de 540 mil), o desacerto da velha (vem do tempo das ditaduras) economia imposta pelo sistema capitalista, influência financeira das multinacionais norte-americanas apoiadas pelas políticas protecionistas ainda regimentadas com as agências secretas de Washington; jamais produziram qualquer sucesso material evidente em favor das populações, em particular, pelas populações mais desfavorecidas, elas também vítimas discriminadas dentro do sistema econômico.

A violência mundial dos homens do sono derrotista também tem seu custo e, segundo dados recentes do Banco Mundial, chega nos 14 trilhões de dólares, ainda que números, sendo qual for na sua dimensão, nunca serão suficientes ou elucidativos pagando qualquer despesa ao nível do custo humano. Pelo jeito que governantes mundiais estão conduzindo o mundo, conflitos novos chegarão mais rapidamente do que soluções ao sofrimento, perseguições, maus tratos aos 60 milhões de vítimas mormente vulneráveis do nosso planeta.

Uma questão real fica na pergunta que todos nós mortais devemos praticar e exigir dos responsáveis administrativos: depois de tudo, como podem ainda assim os derrotistas degradados dormir…? Resposta: por enquanto, são donos do planeta. Será que 2016, vai ser diferente, para melhor…?

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