Substituindo as sacolas plásticas

por Nivaldo Ferreira dos Santos*

nivaldoNos últimos anos têm se intensificado as discussões sobre a necessidade de buscarmos realizar, em todo o mundo, ações de preservação e controle ambiental, com especial destaque para a redução do descarte na natureza de materiais criados e gerados pelo ser humano.

Uma das medidas adotadas em várias partes do mundo, inclusive em diversas cidades brasileiras, para atender a essa necessidade é a criação de projetos voltados para a redução da utilização de plástico, dentre os quais muitos têm como foco a redução do uso das sacolas plásticas, que têm sido associadas à prática do consumismo, tão comum nos nossos dias.

Isso ocorre porque as sacolas plásticas estão diretamente ligadas ao transporte das centenas de milhares de compras que são realizadas todos os dias, estimuladas pelos apelos promocionais que invadem nossas casas através dos vários meios de comunicação de massa. Ou seja: essa discussão vai além da simples “troca” das sacolas plásticas por outros modos de transportar nossas compras dos estabelecimentos comerciais para nossas casas e deve evoluir para um amplo debate sobre o “consumo consciente”, levando a reflexões sobre os modos de produção, a sustentabilidade ambiental e as consequências do consumismo para a saúde das pessoas e até mesmo para o efetivo desenvolvimento da nossa sociedade.

Levando a discussão para o campo da prática, é importante registrar a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos do Brasil, instituída através da lei federal 12305, de 2010 após vinte e um (21) anos de discussões no Congresso Nacional, que prevê uma forte articulação institucional envolvendo todos os entes federados (União, Estados e Municípios), o setor produtivo e a sociedade civil na busca de soluções para os graves problemas causados pelos resíduos, que vêm comprometendo a qualidade de vida dos brasileiros.

Como parte das discussões sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Ministério do Meio Ambiente criou a campanha “Saco é um Saco”, em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), visando à redução do uso de sacolas plásticas pelos consumidores – entre os materiais criados para a campanha “Saco é um Saco” está uma cartilha, que foi gerada em três versões, voltadas para públicos específicos (gestores públicos municipais; instituições públicas e privadas; e consumidores), cuja versão eletrônica está disponível no sítio eletrônico do Ministério do Meio Ambiente (www.mma.gov.br).

 

CONSUMO CONSCIENTE

Transcrevo abaixo algumas informações da cartilha, em sua versão voltada para os consumidores, para o conhecimento e a reflexão dos nossos leitores:

* O Ministério do Meio Ambiente define consumo consciente como “uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da vida no planeta”;

* Essa ideia é complementada pelo Instituto Akatu, afirmando que “consumir de forma consciente é levar em consideração os impactos ambientais e sociais da produção, uso e descarte de produtos e serviços”;

* O consumo consciente de sacolas plásticas implica na adoção de hábitos com menor impacto no meio ambiente e significa: recusar sacolas plásticas sempre que possível, passando a adotar alternativas como sacolas retornáveis, caixa de papelão ou cestas para transportar as compras; reutilizar as sacolas que pegamos, como envase de lixo úmido ou seco, separadamente;

* A sacola seca, contendo embalagens também secas, tem grande chance de ser reciclada com os demais materiais recicláveis;

* O consumo consciente implica mudança de hábitos, observar o impacto de nossas ações no meio ambiente e optar por alternativas ambientalmente amigáveis.

 

AS SACOLAS PLÁSTICAS NO MEIO AMBIENTE

Veja abaixo alguns motivos para reduzir o consumo de sacolas plásticas:

* Uma sacola plástica sozinha causa pouco estrago, mas o consumo excessivo estimulado pela gratuidade e disponibilidade tem grande impacto ambiental – no mundo são distribuídas de 500 bilhões a 1 trilhão de sacolas plásticas por ano – no Brasil, estima-se o uso de 41 milhões de sacolas plásticas por dia, 1,25 bilhão por mês, e 15 bilhões por ano;

* Muitas sacolas, depois de descartadas, acabam em rios, lagos e oceanos, onde são confundidas com alimento e ingeridas por animais, como tartarugas e aves marinhas, causando a morte de mais de 100 mil por ano, em todo o mundo;

* Quando descartadas de maneira incorreta, as sacolas plásticas poluem cidades e entopem bueiros, agravando situações de desastres como alagamentos e enchentes;

* Para a confecção de sacolas plásticas são utilizados recursos naturais não renováveis como petróleo e gás natural, além de água e energia, e liberados efluentes (líquidos) e gases tóxicos, alguns dos quais acentuam o efeito estufa;

* As sacolas podem levar de 100 a 400 anos para se degradarem e tornam os lixões e aterros impermeáveis, dificultando a biodegradação de resíduos orgânicos, com consequente acúmulo de gás metano em bolsões – quando a montanha de lixo é revolvida esses bolsões são rompidos e o metano (gás 21 vezes mais danoso que o gás carbônico) acaba liberado na atmosfera.

* Nivaldo Ferreira dos Santos é Mestre em Administração Pública, Professor, Líder Comunitário e Servidor Público

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