Entendendo a agenda ambiental

Nivaldo Ferreira dos Santos*

Nas últimas décadas as discussões em torno das questões ambientais vêm ganhando cada vez mais importância em todas as partes do mundo e no Brasil não poderia ser diferente. Os diversos temas relacionados a essas questões formam o que passou a ser chamado de “agenda ambiental” e para organizar toda essa diversidade de discussões uma das classificações adotadas é a sua subdivisão em “Agenda Verde”, “Agenda Azul” e “Agenda Marrom” – confiram:

* A Agenda Verde se refere aos temas relativos à natureza, à fauna, à flora, à biodiversidade e aos ecossistemas terrestres, tendo como foco o estudo e a preservação desses ecossistemas;

* A Agenda Azul se refere à gestão de recursos hídricos e da qualidade do ar, tratando de temas como nascentes, rios, aquíferos, oceanos, mares, ar, clima, efeito estufa e mudanças climáticas, focando o conhecimento desses temas e questões como a disponibilidade e o acesso das populações à água, fenômenos naturais como terremotos, tsunamis, chuvas torrenciais que provocam alagamentos, furacões e outros que vêm ocorrendo em todo o mundo;

* A Agenda Marrom se refere às questões relacionadas à urbanização, à industrialização, ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social, tais como a poluição do ar, da água e do solo, a coleta e reciclagem de lixo, o ordenamento urbano, o licenciamento ambiental, a segurança química e outras, concentrando os temas relativos à vida urbana, ao consumo consciente, à poluição, à energia e ao saneamento básico.

É com base nessa subdivisão que se estrutura o Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) de Minas Gerais e também a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Itabira, cujas estruturas administrativas definem a organização dos serviços prestados nesses órgãos públicos.

 

MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

A partir dessas estruturas organizacionais os órgãos públicos, em parceria com organizações privadas, como entidades da sociedade civil organizada e empresas, desenvolvem políticas públicas, programas e atividades voltados para a melhoria da qualidade de vida da nossa população.

Em Itabira, um dos projetos em destaque nessa área é o Projeto Mosaico, que busca a construção participativa de um Plano de Desenvolvimento Territorial com Base Conservacionista (DTBC), a partir da “Identidade Territorial do Município de Itabira”, tendo como uma das ferramentas a criação de um “Mosaico de Unidades de Conservação e Áreas Protegidas” – esse projeto foi iniciado alguns anos atrás e sua execução foi interrompida por algum tempo, sendo retomada em 2014.

Nos próximos meses a Prefeitura pretende intensificar as ações em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Estadual de Floresta (IEF), o Governo da França e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), além de buscar parcerias com outras organizações, como entidades de classe, entidades comunitárias, empresas e órgãos públicos que queiram promover ações voltadas ao desenvolvimento sustentável das populações que vivem no entorno das Unidades de Conservação.

Com isso, Itabira poderá, nos próximos anos, atender na instância municipal aos compromissos da Convenção sobre Diversidade Biológica e às Metas do Milênio. Para tanto é necessário promover uma maior integração entre os diversos órgãos públicos que atuam no município e também a participação efetiva das demais organizações e da população de uma maneira geral, tendo como meta a melhoria da qualidade de vida e o crescimento com equilíbrio ambiental.

 

MERECIDA HOMENAGEM

Mais uma vez contamos com a colaboração do nosso amigo e leitor José da Costa Dias – o Zezito, morador do Centro de Itabira, importante líder comunitário e um dos cidadãos mais interessados e participativos nas discussões sobre o futuro de nosso município, principalmente quando se trata de planejar o futuro, como no processo de Revisão do Plano Diretor.

Entre os temas discutidos nesse processo, uma das questões favoritas do Zezito é a preservação da memória e da história de Itabira, em especial os casarões do Centro Histórico, sobre os quais ele escreveu: “o morador do Centro tem esperança que todos os casarões sejam reformados”. Em outro trecho do texto ele lembra a importância dos “Caminhos Drummondianos” formados por dezenas de placas com poemas de Carlos Drummond de Andrade que marcam prédios, ruas e pontos turísticos citados em poemas do “poeta maior”, a maioria deles localizados no Centro Histórico de Itabira.

No final do mês de agosto de 2014 o Zezito recebeu uma merecida homenagem na Câmara Municipal e depois nos enviou uma mensagem  agradecendo a atenção e os elogios dos vereadores, citando especialmente o vereador Lúcio Mauro e a funcionária Rute, sobre os quais ele próprio escreveu: “foram os que me acharam merecedor dessa homenagem”.

Parabéns! E que sua luta continue e traga bons frutos para todos nós, incentivando também outros cidadãos a participarem ativamente da vida do nosso município, contribuindo para evoluirmos cada vez mais.

Até a próxima!

Nivaldo Ferreira dos Santos é Mestre em Administração Pública, Professor, Líder Comunitário e Servidor Público

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