Novos vazamentos da lista de Janot envolvem governadores de cinco estados

Novos vazamentos do conteúdo das delações dos executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht apontam cinco governadores de estado, um ministro, quatro senadores e cinco deputados, além de políticos que não gozam de foro privilegiado. O governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), aparece ao lado de outros quatro: Beto Richa (PSDB), do Paraná, Tião Viana (PT), do Acre, Luiz Fernando Pezão (PMDB), do Rio de Janeiro, e Renan Filho (PMDB), de Alagoas.

A nova lista foi divulgada na noite desta quarta-feira pelo Jornal Nacional e envolve 22 novos nomes que estariam relacionados nos pedidos de investigação que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal na terça-feira.

Além dos cinco ministros cujos nomes já haviam vazado na terça-feira, aparece, desta vez, o nome de Marcos Pereira (PRB-RJ), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Os senadores que engrossam a lista são Lindbergh Farias (PT-RJ), Jorge Viana (PT-AC), Marta Suplicy (PMDB-SP) e LÍdice da Mata (PSB-BA).

Na relação de deputados citados pelos delatores, estão agora José Carlos Aleluia (DEM-BA), Marco Maia (PT-RS), Andres Sanchez (PT-SP), Paes Landim (PTB-PI) e Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

Sem foro privilegiado


Entre os novos nomes também há políticos e outras pessoas que não gozam de foro privilegiado, como o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB-SP); Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ex-ministro do governo Temer; o candidato derrotado a governador de São Paulo em 2014, Paulo Skaf (PMDB-SP); o ex-tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff e atual prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT-SP) e Anderson Dornelles, ex-assessor direto da ex-presidente Dilma Rousseff. Além deles, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que se encontram presos atualmente. 

Corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, fraude, formação de cartel e caixa 2 são exemplos de crimes a que se referem os pedidos de investigação enviados ao STF e que estão em fase de cadastro e protocolo, antes de chegarem ao gabinete do ministro Luiz Edson Fachin, que é o relator da Lava-Jato no Tribunal. 

O ministro não tem prazo para tomar decisão sobre a abertura de inquéritos ou sobre o fim do sigilo das delações. 

Confira os nomes que já vazaram da lista do procurador Rodrigo Janot e suas defesas:

Ministro

  • Marcos Pereira (PRB), da Indústria e Comércio Exterior. Disse que o PRB teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Governadores

  • Renan Filho (PMDB), de Alagoas: declarou que toda doação recebida na campanha foi legal.
  • Luiz Fernando Pezão (PMDB), do Rio: disse desconhecer o teor do pedido de Janot.
  • Fernando Pimentel (PT), de Minas: não se manifestou.
  • Tião Viana (PT), do Acre: não se manifestou.
  • Beto Richa (PSDB), do Paraná: afirmou que desconhece o contexto em que é citado e que doações foram declaradas.

Senadores

  • Lindbergh Farias (PT-RJ): declarou que as investigações vão esclarecer os fatos e que o arquivamento é único desfecho possível.
  • Jorge Viana (PT-AC): não respondeu aos contatos.
  • Marta Suplicy (PMDB-SP): não respondeu aos contatos.
  • Lídice da Mata (PSB-BA): disse que não foi notificada oficialmente e afirmou ter confiança de que tudo será esclarecido.

Deputados

  • Marco Maia (PT-RS): disse desconhecer o teor do pedido de Janot e repudiar a “divulgação seletiva de informações”. Afirmou que só recebeu contribuições legais.
  • Andres Sanchez (PT-SP): negou irregularidades e afirmou que não há provas contra ele.
  • Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA): não se manifestou.
  • José Carlos Aleluia (DEM-BA): disse que só recebeu doações legais e declaradas à Justiça.
  • Paes Landim (PTB-PI): afirmou que todas as doações recebidas foram legais.

Prefeitos

  • Duarte Nogueira (PSDB), de Ribeirão Preto: declarou que todas as contas de campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.
  • Edinho Silva (PT), de Araraquara: afirmou que sua conduta como coordenador financeiro da campanha de Dilma se deu dentro da legalidade e de forma ética.

Outros

  • Geddel Vieira Lima (PMDB), ex-ministro: não se manifestou.
  • Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio: informou que só vai se manifestar quando for notificado oficialmente.
  • Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara: disse que as delações da Lava Jato não têm sido amparadas em provas.
  • Paulo Skaf (PMDB-SP), presidente da Fiesp: disse que todas as doações de campanha em 2014 foram legais e aprovadas pela Justiça Eleitoral.
  • Anderson Dornelles, ex-assessor da ex-presidente Dilma Rousseff: não foi localizado.