Quando os extremos chocam

Por Veladimir Romano

 

Já vinha do último relatório dos entendidos especialistas do meio; agora, a Organização Meteorológica Mundial, informa (segundo o boletim ambiental diário, editado na conferência climática), este ano é já o sétimo mais quente da história, desde 1850, junto ao brutal aumento dos tufões e da sua violência crescente, igualmente sobre a subida dos níveis do mar.

Na Sardenha (Itália), EUA, Filipinas; as recentes situações climatéricas, tal como o Haiyan a 300 quilômetros hora, são prova indiscutível, se mais dúvidas houverem no preceito anti-científico que tanto líderes políticos como empresários e grupos de interesse econômico-dominante, responsáveis governamentais, entre outros teimosos absentistas da temática ambiental no claro debate, a última questão sobre alterações que alguns não escutam.

Em Varsóvia, nas últimas semanas, foi este o palco mais ativo mundial, chamando atenções aos disparates praticados contra a natureza e assuntos desta matéria, tão claro como a situação das ilhas do Pacífico onde uma pequena população vê o seu habitat desaparecer a cada onda do oceano no arquipélago da Papua Nova Guiné: as ilhas Carteret com 3 mil habitantes, nos últimos 25 anos, perdeu 60% do seu território, trouxeram uma realidade que não sendo nova, é dramática, exemplar do que vai acontecendo um pouco pelas costas baixas marinhas e arquipélagos à face dos oceanos espalhados pelo planeta.

A reunião teve um final histérico, 195 países chegaram ao derradeiro dia da 19ª Conferência Global, significando mais uma batalha pelo tudo ou nada das aprovações do novo protocolo climático observando a redução das emissões dos efeitos de estufa; puderam mostrar uma Polônia, tal como a Grécia, colocados nas últimas posições de países menos cumpridores na defesa ambiental do espaço europeu. Na última jornada, a surpresa:132 delegados juntamente com ONGs, desistindo do ponto final, abandonaram a grande sala na fase mais saliente em discordância com as posições absurdas dos mais poderosos. 

Porém, uma alegria: o sol apareceu um só dia, a 19, sendo os restantes (a Conferência foi entre dia 11 até 22 de novembro) de frio (temperaturas máximas entre 8 a 10º, e as mínimas dos 2 até 4º), de céu permanentemente cinzento-escuro, pessimismo humano colocado pelos mais sonhadores exigindo soluções rápidas e a greve da fome como manifesto solidário do filipino Naderev Sano, que ao longo dos dias a única coisa ingerida foi suco de laranja e água, marcaram a reunião sobre os problemas do clima.

Mais fácil pelas boas intenções, discursos e manifestos solidários, não faltaram; porém, das propostas apresentadas pelos delegados brasileiros liderados por Raphael Azeredo (o Brasil, foi o país de expressão portuguesa mais ativo, propôs desenvolver uma fórmula de cálculo onde o total histórico individual das emissões a serem reveladas na próxima reunião, fizesse parte do acordo até 2015). Os grandes não quiseram ouvir falar.

Várias outras comitivas brasileiras, atentas, vindas de São Paulo e Brasília, como também representantes da ação climática pró-ambiente do INCCT-MC, o PFPMCG, a Rede CLIMA, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação… os grandes, ficaram isoladas fugindo ao compromisso: delegados do Japão, EUA, Canadá, Austrália, Indonésia.. e  se a vergonha tivesse cor, sairia pintando a cabeça de muita gente.

O cheque da despesa geral ficou novamente curto (os ricos esqueceram o compromisso dos 100 bilhões de dólares, acordados em 2009, na Dinamarca), com fortes críticas sobre os países mais industrializados, fazendo culpa da crise; a Europa, exigindo uma diminuição a 20% até 2020, das emissões, também não manifestou muito desejo em aumentar a parada financeira até ao último dia e, no instante dos responsáveis governamentais (o Brasil teve no chanceler Luiz Alberto Figueiredo e a ministra Izabella Teixeira, participantes realistas), resumindo apenas o fraco desta conferência onde a falta de decoro, novamente, já faz tempo, marcou forte presença… aliás, ela tem sido crônica.

Rene Orellana, delegado da Bolívia, barafustou com energia gritando em plena sala (a conferência foi realizada no estádio nacional de futebol de Varsóvia; o Stadion Narodowy Warszawie, improvisado, ultra-moderno, recinto fechado, construído entre 2008 a 2011, uma peça maravilhosa)… “Eles não têm dedicação, não respeitam e nem se assumem…”.

Enquanto muitas discussões se acumularam, a Noruega anunciava que as forças armadas do país, vão praticar uma alimentação vegetariana para combater as alterações climáticas… Oferece assim certamente uma forte análise de consciência… quando nem tudo foi mau. O grupo de cientistas participantes, lançaram a ideia e o portal da Global Carbon Atlas; seja, um atlas mundial de informação sobre a utilização do carvão e do seu efeito no CO2 planetário.

No entanto, os cinco maiores poluidores do mercado continuam sendo a China, Índia, Rússia, Europa e USA. A industria chinesa e a exploração das minas de carvão para garantir energia, criaram a maior poluição do mundo, equivalente a sete países europeus, superior ao território africano, igualando 9 da América Latina e ultrapassando largamente todos os pequenos estados das Caraíbas. Desta, é mesmo um filme muito escuro…

comentários