A grande cilada ao 25 de Abril

Por Veladimir Romano

Dizem que pela vontade morre o peixe. Pois bem: Portugal faz 25 anos no clube europeu… entrando em novas experiências, ganhando volume financeiro nos cofres do Estado e um processo revolucionário inconsequente da revolta dos militares, quando a nação lusa cumpre exatamente 41 anos, desde então.

Contudo, um quarto de século depois, embriagados pelo nosso dever de opinião por entre análises da sociedade; afinal, sobre que modelo de progresso a população portuguesa escolheu desta entrada, permanência e aposta num outro caminho por onde Portugal vai descobrindo novos dissabores. Fica uma dolorosa realidade.

O tempo passou e, dessa adesão ao mercado europeu, 200 bilhões de euros entraram na economia portuguesa. Governos saíram, outros entraram, construindo nesta imensidão desordenada uma febre aplicada em milhares de quilómetros de asfalto: por um lado, recuperando assim do atraso deixado pela longa ditadura. Hoje, o país tem rodovias, mas não tem veículos para tanto quilómetro.

Daqui nasceu modalidades absurdas quando cada governo apostou tudo pelas rodovias, resultando em onda gigantesca despesista inquinando cofres da tesouraria nacional. Deste conceito sobre desenvolvimento, ficaram de fora obras ou correções perdendo a educação, saúde, investimento na produção nacional, tecnologias, pesca, agricultura; atraso aos quais responsáveis governativos fugiram de todo, ao ponto incompreensível dos fatores estratégicos, falhando de ano, após ano, com atrasos significativos em relação aos países parceiros da União.

Criando uma tremenda enchente na escala da incompetência, Portugal, viu seu desenvolvimento entrar no tubo do sistema onde a sociedade mais se reflete: o desprezo constante quase transformando defeitos em virtudes, qual cultura da filosofia mais obscurantista. Nove séculos recheados de história, uma longa epopeia colonial perdida nas fronteiras mais antigas do território europeu, pouco ou mesmo nada aprendendo das necessidades básicas.

O resumo do papel envenenado colocado em prática pelas coligações de direita, odiando o 25 de Abril, foram aniquilando cinicamente a revolução dos cravos e, através de esquemas aos quais a pouca certeza das estratégias políticas (da suposta “esquerda”), de grau em grau, o alvo secretamente na mira destrutiva, foi sempre a criação do caminho por onde a cilada estivesse presente. Deste modo, a velha miséria deixada da herança fascista, foi conquistando o seu lugar, ao contrário da esperança do
célebre dia 25 e do sonho ensinado pelo movimento dos Capitães de Abril.

Lembrar que Portugal sempre se atrasou em relação aos restantes países europeus, é assunto de pouca moda a montante da sociedade que pouco gosta da identificação do argumento menos agradável. Nunca, historicamente, a ordem psicológica da população lusa, ainda por esclarecer, algum dia sério, órgão informativo, instituição ou qualquer outro, revelou preocupações reais sobre de como a corrupção inicia seu caminho bem organizado, deixando para trás falsa legislação, políticos intocáveis, banqueiros marginais, um povo ignorante e uma justiça incompetente.

Tratar a legitimidade do bem estar, o Estado social, a segurança, legalidade cívica do povo; tal como a dignidade do país, a justa equidade entre direitos e deveres absorvidos no marasmo do cambalacho político, deitaram a perder uma gigantesca oportunidade de Portugal singrar, ocupar lugar com distinção depois de haver sido uma potência colonial que deixou espalhado por continentes raízes fraternas com novas nações nascidas desse colonialismo, uma larga e aplicada comunidade de emigrantes na ordem dos 7 milhões. Enfim, nada disso! Ao contrário, Portugal, acumulou velhas dívidas, antigo obscurantismo, uma privatização dos bens públicos nas mãos de gente comprometida com finanças marginais; mas que povo apenas mais explorado do que nunca.

Duas gerações de novos cidadãos onde licenciados tiveram de emigrar (40 mil e mais 60 ganhando salários que nem dão para suportar custos de habitação); por outro lado o país não garante trabalho à massa cinzenta que foi criando nas faculdades e a fome, tal como na ditadura, atinge quase 3 milhões de portugueses (criado Banco Alimentar). Em 3 anos, mais de 700 crianças ficaram órfãs, também elas vítimas da brutal situação na qual a violência doméstica chegou. Abandono escolar, novamente emigração em escala, sociedade com elevado índice de gente idosa, perdendo natalidade,rendimentos miseráveis, dos mais baixos da União Europeia.

Falamos do 25 de Abril, vítima da maior fraude montada em plena democracia. Bancos acumulando dívida astronômica em mais de 20 bilhões de euros, ultrapassando em muito a dívida pública na ordem dos 13 bilhões de euros. Mas quem vai pagando os estragos da corrupção de nível industrial, é mais uma vez o mesmo povo que nunca se sabe impor aos burlões da política… realmente, pela vontade morre o peixe. Só falta mesmo é o povo retirar o sarro a tanto marginal que infiltrados na democracia, foram fabricando a cilada destruidora do bom e do bonito sonho proporcionado pelos Capitães de Abril.

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