Águas cristalinas de Paraty sofrem ecoafronta

Fotografia
Barra de Paraty

Por Veladimir Romano 

Agora que as semanas vão encurtando o caminho aos próximos dois grandes eventos a realizar no Brasil; a Copa Mundial e os Jogos Olímpicos; Paraty, região histórica, turística  e ecológica por excelência, finíssimo salão de visitas da Costa Verde, detentora de patrimônio invejável, sofreu nos últimos dias descargas duma espuma pouco amigáveis do Ambiente, traçando impacto assustador, maus aromas e, sem que as comunidades locais fossem informadas, uma maré desagradável inundando as calmas e cristalinas águas de Paraty.

Esta pouca vergonha e traição ecológica sobre uma das mais ricas e representativas costas marinhas brasileiras, sofre mais uma vez de crônica ausência de responsabilidades pelos autores desumanos, desleixados, determinados em destruição dum patrimônio de pertença global.

Na recente parada ambiental em análise, novamente infeliz, o Brasil, continua sendo o maior consumidor mundial de substâncias químicas; seja, os agressivos agrotóxicos de extrema persistência negativa no ambiente com 99% destes conteúdos venenosos, contaminando tudo e todos.

Disperso de forma totalmente irresponsável pelos grandes industriais e multinacionais sem respeito às populações, pela riqueza ecológica, estas descargas vão dando entrada indireta na via alimentar, na atmosfera das águas, afetando quem manuseia, ficando declaradamente exposto a contaminações mais diretas, destruindo o sistema nervoso, aparelho reprodutivo, o imunológico onde sintomas agudos desta contaminação tomam conta do corpo.

Igualmente, recentes estudos da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), realizando o movimento dos alimentos consumidos, descobriu aquilo que já não sendo mais novidade, acaba acertando o ciclo destrutivo ambiental e humano destes venenosos produtos. Assim, nos alimentos foram descobertos níveis absurdos destes resíduos em pepinos, beterrabas, cenouras, alfaces, morangos, mamão, pimentão, cebolas, tomate e uva… estes, até ao momento.

Contudo: esta circunstância macabra, avançou igualmente pelas águas tanto quanto às comunidades piscatórias desta região do Rio de Janeiro. Ainda dentro do testemunho das análises, estudando a presença agrotóxica na vida marinha, se descobriu essa presença em peixes (taínhas e corvinas), principalmente, mas também no sangue das comunidades da pesca na ilha de Araújo, até à Baía da Guanabara.

Os principais químicos encontrados, foram assim detetados pela utilização do Endolsufan, proibido em certos países e do Dicofenol, este último totalmente proibido da sua utilização por ser um extrato de molécula do DDT, este então, proibido desde 1980 em todo o planeta.
O risco fica em aberto, caindo sistematicamente, contaminando águas, castigando Paraty, desde o esgoto doméstico, como as derradeiras denúncias proclamadas por Poli Júnior, organizador da última Feira Literária Internacional de Paraty, reclamando das condições poluídas na famosa praia do Pontal, próximo do centro histórico. Problema dramático!

Deste modo, ficam naturalmente perguntas obrigatórias sobre a saúde pública, precisando de soluções sem demora… mas, outras perguntas serão dirigidas diretamente às autoridades federais, ambientais, governamentais, não esquecendo a prefeitura; como vão aplicando multimilhões de reais para estádios de futebol, ornamentando este investimento brutal com glória e orgulho nacional pela próxima Copa Mundial de Futebol em 2014; porém, na outra face, como se vai descuidando natura e da saúde das populações? Do que é feita a prioridade social do século XXI?

Que nível responsável têm autoridades e a governação quando aceitam tamanho abuso de poder das empresas, empresários sem escrúpulos, apenas interessados no resultado financeiro e na materialização dos seus projetos, desrespeitando valores e patrimônio universais?

O manifesto deste absurdo potencial referenciado na contaminação das águas de Paraty é tão real que se exige o seu monitoramento constante aos critérios de avaliação. Um passo decisivamente obrigatório, corajoso, mas também aqui contra a corrupção instituída por vários setores, mal de muitos males, barreira contraproducente aos fatos e ações pela defesa da grande rede natura, colocando em alto risco a própria vida marinha, o sustento de famílias, o bem estar, um mercado que se deseja sustentável, mas acima de tudo, saudável e contra todo o processo inativo declarado pelos poluidores da Natureza.

Fotografia: Mauro Moura

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