Anda por aí uma “água pesada” contra o tabaco

Por Veladimir Romano
 
Primeiro foi a sedução pelo consumo, estilo, independência, modernismo, falsas mensagens criando uma gigantesca rede de consumidores por todo o lado. Depois chegaram doenças, a descoberta de venenos viciadores introduzidos pelas multinacionais no processo, prendendo a legião consumista, aniquilando a mente, dando novas moléstias; não tardaram preocupações. 
 
Assim, o recente estudo do Journal Adolescent Health (Jornal da Saúde do Adolescente), de Atlanta, na Georgia; publicando extensivo estudo sobre os efeitos da publicidade no crescimento (tentador) tabaquista nos mais jovens; igualmente o aparecimento das redes globais de contato, oferecendo oportunidades de venda na propaganda do produto (bom para as empresas), agora caindo no mundo dos adolescentes, está promovendo dores de cabeça nas autoridades sanitárias.

As margens, desde 1999, saltaram dos 40% para 87%, até 2011, a massa da juventude exposta ao tabagismo. Segundo outra fonte informativa como a US Researchers Centers for Disease Control and Prevention (Centros de Pesquisas Norte Americano para o Controle e Prevenção da Doença), do mesmo Estado, esta forma de consumo tanto se agravou nos mais jovens, ficando vulneráveis, totalmente expostos a esta indústria, quanto as autoridades procuram novas formas de luta contra o consumo e sua divulgação.

Durante 2011, já a National Youth Tobacco Survey (Inspecção Nacional do Tabaco nos Adolescentes) , andou exaustivamente por lojas, mercados, quiosques; visitando centros universitários quando estes estão proibindo a presença do tabaco nas áreas e recintos da responsabilidade dos colégios. Esta ordem, igualmente estadual, baseada nos mais recentes estudos entre análises desta anunciada epidemia, preparam desbaste ao problema.

Anualmente morrem 6 milhões de pessoas consumidores diretos do tabaco. No entanto, ficam afetados indiretamente pelo ambiente dos fumadores, mais de 600 mil vítimas/ano por indução constante e periódica dos fumos. O efeito da nicotina, devastador, não perdoa; assim, o tabaco está construindo liderança em doenças pulmonares, enfraquecimento da pele, alergias respiratórias e outras detetadas ultimamente pela ciência; males prometendo liquidar mais de 10 milhões de pessoas anualmente, na próxima geração.

Poucas foram as nações tomando políticas regenerativas com determinação e coragem contra os lóbis da indústria tabaqueira. As ações na Escandinávia, Finlândia, Austrália, Nova Zelândia, pouco mais; vão sendo a exceção no meio de tudo. A própria aplicação de regras severas afastou das pistas da Suécia o famigerado circuito da Fórmula 1, quando esta não aceitou eliminar patrocinadores de marcas famosas.

Da pesquisa ainda chegam números esclarecedores sobre este comportamento fugindo dos nossos olhares quando deixamos escapar pormenores, partindo duma realidade atualizada. Os factos/fatos, falam na sua linguagem, reclamam, dizendo que a exposição tabágica, fica em 28% de influência nas lojas e 54% para quem consulta revistas e jornais; 71% na mídia/media, em geral.

Com acesso à rede global, os anunciantes subiram a parada aos 55%, segundo também outro estudo realizado no final de 2011, do National Youth Tobacco Survey. Logo, decisões dos centros universitários, criando estes inclusivamente o Nicotine Replacement Therapy, centro terapêutico de auxílio (confidencial) para quem deseje largar o vício.

Não parece, mas a luta está sendo feroz. Tudo indica que adolescentes estão contribuindo cada vez mais para o aumento do consumo, particularmente o lado feminino desta história numa larga escala entre os 15 até 25 anos, representando 51.67%, segundo informação da OMS (Organização Mundial de Saúde). Tal como em França, organismos de investigação social e saúde pública; descobriram ultimamente que a população padecente de problemas cardiovasculares, em múltiplos estudos, mostra a morte prematura em mais de 20 mil pacientes, ano; estes, largamente fumadores.


Resumindo a questão: a ciência denuncia 4 mil substâncias, 43 das quais fomentam processos cancerígenos. O tabaco contém 700 aditivos químicos em diferentes formatos na fabricação de cigarros aos quais governos e empresas guardam em absurdo sigilo todos esses perigosos componentes, em várias gerações. Um gigantesco escândalo mundial sem discussão.

A nota informativa da rede de saúde pública norte-americana, anunciou que o tabaco mata 50 vezes mais que certas drogas ilegais, vitimando este consumo hoje nos Estados Unidos perto de 500 mil pessoas ano. Desde 1950, mais de 60 milhões de pessoas morreram vítimas do tabagismo; ainda assim, toda esta informação não impede o sucesso financeiro das companhias, como parece no Japão, reconhecidamente aumentando lucros em 16% nos últimos doze meses, como igualmente cada Estado, cobrando soberbas taxas.

 
O especialista Wall Street Journal, de Nova York, confirma esta tendência nas suas notícias, denunciando o aumento brutal dos proveitos em mais de 1 bilhão de dólares, subindo a escala em poucos anos, mercado dominado pelas empresas britânicas e norte-americanas. No entanto, qualquer país, por muito pequena a firma, o lucro está garantindo fortunas a uma indústria aniquiladora de saúde… contudo, ainda que a “água pesada” esteja inundando produções tabaqueiras, o livre arbítrio dos aspirantes fumadores e vizinhos próximos, continuem afogando pulmões e sangue no poço da nicotina… o conflito segue dentro de momentos. 

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