No Arco Íris da Corrupção

Por Veladimir Romano
Os últimos acontecimentos sobre a corrupção organizada pelo então governante do Luxemburgo: Jean-Claude Juncker, agora que o homem chegou longe pela ambição do pódio da Comissão Europeia (ocupando a cadeira deixada por Durão Barroso), bom lugar para fechar qualquer carreira política (acumula mordomias por representação, deslocação mais salário, um total de 42 mil reais mensal); bom, quanto rende o fundo do tacho.
A bomba chegou, mas só peca pela demora, depois de 80 jornalistas em investigação exaustiva trabalhando processo de 28 mil páginas sobre 340 grandes firmas lucrando biliões, negociando acordos com Jean-Claude Juncker, ainda quando este era ministro da fazenda/finanças. O mesmo que desempenhou 18 anos como primeiro-ministro do minúsculo Estado monarca conhecido por Grão-Ducado do Luxemburgo, nascido do Primeiro Tratado Francês de 1815, ocupa modesto lugar geográfico de 2.590 quilómetros quadrados, com mais de 500 mil habitantes, incluindo imigrantes (a comunidade portuguesa com 200 mil pessoas, seguida dos caboverdianos: são as maiores. Islâmicos e muçulmanos, nunca foram aceites no território, mediante lei parlamentar).
Este curto pedaço de terra, no entanto, é um dos fundadores membros da primeira versão da União Europeia (Comunidade Econômica Europeia, EEC). Pois, seu Jean-Claude Juncker, não foi de modas, aproveitando desse privilégio de comando, ajustou acordos financeiros com multinacionais, favorecendo taxas, fugas fiscais combinadas, dando trato na sua nova posição como responsável do gabinete da Comissão. No meio de tudo, estranho é, que esta encomenda envenenada não se tenha manifestado antes, quando o ex-primeiro-ministro, preparou sua campanha-eleição, depois tomada de posse, sejam declarados só agora seus atos danosos, ilegais, sem ética moral ou transparência política.
Na maioria das companhias, estão norte-americanas como a Apple, que perante o pagamento de 15 milhões de dólares de impostos, apenas saldou 2 milhões, levando para o Luxemburgo dividendos de renda desenvolvidos em outros mercados (exemplo: a principal artéria da capital. Cidade Luxemburgo, avenida Rosa Luxemburgo), é exclusiva, unicamente ocupada por bancos de todo o mundo. Na praça, a taxa legal de imposto é de 1%; certamente convida a golpes e arquiteturas promiscuas.
O peso de toda esta quantidade grossa de processos pútridos a descoberto diariamente em qualquer lugar duma Europa tendencialmente cinzenta, já não dá para que os tribunais, juízes, procuradores públicos e quem mais venha; consigam ter sossego. Dos grupos bem profissionalizados do crime financeiro, capazes de tudo, transformaram essa imagem cinzenta na maior nebulosa que a justiça não consegue limpar, dando as elites políticas, empresários desonestos e bancos ainda pior no desempenho da missão financeira, o arco íris circulante onde a corrupção parece jamais ter fim.A sofisticação do processo europeu criando sistemas paralelos, afinal, sem favor, consegue criar inveja a outras latitudes onde corrupção, é mote de comando oportunista a quem chegue na liderança. Vivem impunes protegidos pelas leis aprovadas nos próprios parlamentos: criam eles e autenticam o passaporte de ladrão autorizado, na reta decisiva, não chega só a quantidade dos milhões, mas a conquista de biliões, convencidos da vida eterna.

Desta modo se vê o desinteresse dos responsáveis em exterminar de vez com oásis fiscais, por muito prejuízo que venha ao mundo. A situação flagrante de violência e selvajaria financeira praticada de forma diplomática pelos cartéis, estão dominando e crescendo em força; é o resultado idêntico da ausência dos direitos humanos em localidades emergentes onde os senhores dominam, como rapinadores existenciais, tráfico de interesses que não cessam, aberrações de ordem amplamente destrutiva que a classe dirigente nunca fez caso, ainda que joguem na face dos povos, seus discursos ricos de semântica.

Até quando, não se vislumbra quem efetivamente tenha energia, frontalidade e determinação iluminada, suficientemente cabal, quanto letal recompondo os dotes honestos moralizadores a uma sociedade absolutamente de progresso. Frontalidade sem recuos elaborando estratégia na defesa do erário público, seja o ideal econômico, cultural até aos benefícios sociais, essa sim, a fronteira final.

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