Atividades marcam o Dia Mundial das Águas

Neste sábado, 19/3, a partir das 7 horas, será realizada a 14ª Caravana das Águas. A caravana consiste na subida do Rio Doce acompanhando as margens do Rio. O percurso é realizado de automóveis e contempla uma parada na Ponte Perdida. O evento é uma realização da Rede Ambiental Verde Vida, por meio de representantes da CENIBRA, da 12ª CIA Ind MAt da Polícia Militar de Minas Gerais, e demais entidades integrantes da Rede.

A concentração será na Estaç ão de Tratamento de Efluentes às 7 horas. No horário de 8 às 11 horas, será realizada uma solenidade na Ponte Perdida (Revés do Belém). Após as falas das autoridades presentes, a programação contará com a leitura de uma carta do Rio Piracicaba para o Rio Doce e a respectiva resposta. As cartas são de autoria de Lélio Costa e Silva, médico-veterinário que há anos trabalha com Educação Ambiental.

Na ocasião também será realizado o plantio de mudas de espécies nativas e premiação do concurso de redação promovido pela CENIBRA, nas escolas E. E. João Paulo II, Revés do Belém (Bom Jesus do Galho) e E.E. Professora Dinalva Maria de Souza – Pingo D’Água).

BLITZ

No dia 22/3, de 9 às 10h30, no trecho próximo ao Viveiro Florestal da CENIBRA, em Belo Oriente, será realizada uma Blitz Ecológica, também em comemoração ao Dia Mundial da Água. Durante a blitz, serão distribuídas 300 mudas das espécies nativas e frutíferas. A iniciativa é uma ação conjunta da CENIBRA, Rede Ambiental Verde Vida, 12ª cia INDMAT PMMG, CONSEP, CODEMA, Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Na ocasião, participarão 10 alunos e 2 professores da Escola Municipal Perpétuo Socorro (Belo Oriente).

REDE

A Rede Ambiental Verde Vida, uma associação sem fins lucrativos, é um grupo aberto à participação de pessoas e instituições envolvidas com as questões relacionadas à preservação dos recursos naturais. Tem por finalidade, promover ações voltadas para a educação ambiental em todos os níveis.

Cartas escritas pelo Lélio

CARTA DO RIO PIRACICABA PARA O RIO DOCE

Lélio Costa e Silva

Ipatinga, 1º de fevereiro de 1997.

Prezado Rio Doce

Não queria ir ao teu encontro assim: desprevenido e desmascarado às vésperas de uma comunhão que sonhei translúcida. Como todo amigo, queria te levar a pureza. Mas fiquei amortecido pela viuvez das copas das árvores e encostas ulceradas. Como você, eu também quis ser um manancial em gratuidade, porque a suprema vocação das águas é sempre levar a cura e a vida.
Mas, repito, não queria ir ao teu encontro desse jeito: lacrimejante, em astenia, sem o milagre dos peixes. Aliás, tinha reservado para você uma declaração de amor mais ou menos assim: “o doce perguntou para o doce, qual era o doce que era mais doce. O doce respondeu ao doce” que seria o Rio Doce…
Bem que quis enamorar das cidades por onde passei, mas elas não entenderam… No entanto, mesmo sem identidade, continuo a insistir com a minha paisagem cada vez mais resumida. Mesmo porque todas as águas são obstinadas.
Mas, se um dia as matas ciliares e o encanto voltarem, juro que retirarei do penhor a esperança…
Por enquanto, perdoa-me por te trair.

Rio Piracicaba

Obs: o Rio Piracicaba deságua no Rio Doce no município de Ipatinga – MG

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RESPOSTA DO RIO DOCE AO RIO PIRACICABA

Lélio Costa e Silva

Ipatinga, 4 de março de 2007.

Prezado Rio Piracicaba

Dez anos depois posso responder-te:
Se as minhas águas não melhoraram deves continuar a acreditar na consciência das pessoas. Mesmo que elas reservem para ti o pior do humano: o escárnio, o cuspe, o excremento e a maldade.
A traição não é propriamente tua.
É bom que mantenhas tua esperança no penhor, ainda. Convém esperar a mudança de atitude dos cidadãos, empresas e governantes, agora unidos em comitês.
No entanto, há um sinal de percepção social das águas pelos povos desta bacia através do coração e, por isso mesmo, continue tentando se enamorar das cidades – haverás de despertá-las pela ternura.
Elas saberão que as águas são livres e que os rios sempre foram educados para a adversidade das corredeiras, regatos, quedas e remansos – esculpir pedras e desenhar paisagens é da nossa natureza. Mais fácil do que enfrentar a ignorância, a omissão e o preconceito.
Mas haverá um tempo em que nada mais será assim. Efêmeras ações darão lugar à sinceridade. As águas negligenciam discursos áridos e vazios, depositados como lixo nas margens dos rios.
E a nossa comunhão finalmente será translúcida, mesmo porque a palavra Cristo em grego significa peixe, emblema da fé.
Por enquanto nosso encontro permanece adiado.
Um dia eles descobrirão que a vida e o rio são os mesmos.

Rio Doce

 

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