BEM ME QUER, MAL ME QUER…

Por Veladimir Romano

 
A recente situação da Ucrânia, vem demonstrando as velhas guerras de bastidor ente os interesses geopolíticos da agenda norte-americana, apoiada pelo serviço europeu de submissão nesse subterrâneo de sujos interesses econômicos e domínio financeiro, preparados para mais uma escalada da desgraça social.
 
A gigantesca dívida internacional da Ucrânia (soma hoje 54 bilhões de euros), desde novembro último, data do início das manifestações na Praça da Independência, custou nos cofres públicos da Casa Branca, 5 bilhões de dólares. Cada pseudo-revolucionário da dita marcha contra o regime do presidente deposto, recebeu diária de 25 dólares para cada pessoa envolvida nos distúrbios. Mais ainda para atiradores encomendados pela oposição (receberam 1,500 dólares/dia), mercenários chegados da Lituânia, assassinando a torto e a direito, tanto manisfestantes como policiais, incluindo jornalistas, estes, felizmente, apenas saíram feridos.
 
Perante novas realidades do conflito, a Rússia, pede uma investigação séria, na relação dos franco-atiradores; enquanto a oposição, agora feito governo da Ucrânia e a UE, não querem assumir tal responsabilidade. Contudo, na Ucrânia, o governo anda incompleto, depois da descoberta que o ministro do Interior escolhido, está preso faz tempo no presídio de Roma, acusado pela Interpol de lavagem financeira em bancos de São Marino, fuga dos impostos, tráfico e ligação a redes criminosas em Itália e Albânia.
 
Também na Ucrânia, o povo não anda com bons olhos sobre o governo escolhido onde a maioria dos ministérios e secretarias foram colocados milionários de muito má reputação, todos com residência na Suíça (vivendo a maioria do tempo), alguns de riqueza duvidosa. Coisa, aliás, sabida na própria Ucrânia. Essa situação já levou as populações de etnia (existem 13 etnias) russa a tomarem de assalto algumas cidades na região leste onde as industrias são o forte da economia do país, como exemplo de Donetsk (1 milhão de pessoas), cidade das fábricas da auronautica russa e dos aviões Antonov.
 
O problema não terá solução fácil, caso persista ausência realista sobre a postura nos pontos de vista essenciais. A Rússia não irá largar e, pelo contrário, com todos os problemas europeus do momento, não é compreensível que não havendo financiamento para auxiliar países necessitados de capitalização, como a Grécia e Portugal, os mais atingidos pela crise, logo apareçam 17 bilhões de euros para alívio econômico da Ucrânia, num contexto muito duvidoso e totalmente trapalhão demais para gente responsável pelas políticas de Bruxelas.
 
Porém, o efeito dessa derrocada fica na Crimeia  território tártaro incorporado na geografia ucraniana na época soviética, estratégia do então premiê Nikita Kruschev em 1958; hoje com uma população maioritária de 59% de etnia russa. O “referendo”, legal ou ilegal: fala alto e parece que as dúvidas estão apenas do lado das forças ocidentais. Mais: muitos milhares de soldados do exército da Ucrânia andam desertando ao lado da Rússia. A Rússia que paga o gás servido a esta população, representando uma despesa anual de 1 bilhão de euros (os governos da Ucrânia não pagam este serviço). A Rússia paga aposentadorias locais, mantém acordo de base naval com mais de dois séculos, dando trabalho a 26 mil operários, representando uma importante fatia da economia da Crimeia.
 
Esta dança dum autêntico bem me quer, mal me quer… não se fixou apenas na Crimeia; antes, também está ocupando várias regiões do próprio território da Ucrânia, como em Luansk, Cárquive e mais localidades fazendo fronteira com a Rússia. Assim, a tão preocupante “liberdade”, “democracia” e “progresso”, palavras consumidas até na exaustão pelos novos chefes de Kiev (Kiva), estão causando danos na vida local, carregando planos para uma forte onda de austeridade futura comandada mais uma vez pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Seja: caminho aberto para forças da extrema direita, muito forte neste país, acabarem com o resto do programa.
 
Desde as manifestações de 2013, subiu 27% a dívida pública, juntando aos 44% na dívida total do PIB, que já detém uma falha de 45 bilhões de dólares na tesouraria do país; um bem me quer que lamentavelmente se vai transformando num muito mal me deseja, a nação da Ucrânia, caindo no jogo malandro das elites internacionais experimentadas na criação do caos social.

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