Carregando democraticamete a maldita coorupção

Por Veladimir Romano

 
A recente denúncia de corrupção praticada por elementos afetos às Nações Unidas, não vem pela primeira vez; em tempos, a UNICEF, assim foi acusada. Parece epidemia espalhando condição negativa do ser, daqui a qualquer outra situação, degradando vão as democracias.

Daí, exemplos assim, contagiem. Ainda mais recente, o golpe de teatro preparado pelos presidentes do Sudão e Quénia contra o TPI (Tribunal Penal Internacional), pedindo a todos os países africanos que se retirem de cena, despertou uma perigosa estratégia nunca pensada; portanto, um sistema judicial indefeso contra a esperteza criminosa (justo no instante que estas figuras estavam sendo julgadas) em Haia (Holanda). A seguinte pergunta é: porque razão nunca foram espalhados por mais continentes, incluindo o organismo da ONU, filiais deste tribunal, tendo a Unidade Africana, também em Addis Abeba/Ababa (Etiópia), essa mais valia?

 
Voltando atrás, levo pensado, feito o jogo das análises. Se por algum momento ditadores tivessem usado mais da inteligência, teriam descoberto como é bom governar em democracia, nunca teriam sido tão malfeitores, absolutistas, carniceiros, linchadores sociais; podiam, sim, ter sido como a camada embrutecida dos  líderes de hoje, políticos marginais, profissionais da corrupção, comprometendo a paz e a subsistência mundial.  
 
A confirmação e multiplicação de manifestos públicos um pouco por cada continente, parecendo mais uma moda, última hora de lembranças sociais recalcadas pelo poder; mas não é! Nasceu, sim, a reclamação social e popular, saturada dos abusos, ausência declarada de respeito, crime, desprezo pela oportunidade criativa e humana que o sistema democrático oferece graciosamente nos dias que rolam, encheu a paciência dos povos.
 
Como perversão humana, uma das mais destrutivas, tem desenvolvido sintoma epidémico em todo o planeta, viajado com a humanidade desde sempre. Aberração contínua, resistente a qualquer processo judicial, preserva o atraso em nações com menor capacidade a combater o mal; alimentando processos subdesenvolvidos onde desigualdades, especulação, miséria, fome, originam revoltas… dadas situações, enraíza revolta social, terrorismo, construindo até grupos armados, como no caso da Colômbia, Filipinas, Congo… exemplos não faltam.
 
Chegámos à última utopia, estática, abandonando sonhos a uma sociedade mais clara e humanizada, com economias sujeitas a doses maciças de alienação, à precária posição da justiça perante este brutal fenômeno. Assim, tudo vai mal, parece não haver órgão judicial, administrativo de força, coragem, determinação, energia, onde possa colocar a dignidade social acima das ilegalidades de certos grupos deliberadamente criminosos.

A lista criada pela organização do TI (Transparência Internacional), identifica dos menos, passando por médios até nos mais corruptos; contudo, analisando bem pelas entrelinhas, dos maiores corruptos, eles só também conseguem sair resistindo graças à existência dos países menos corruptos. Tivesse o mundo uma nação incorruptível, teria certamente até vergonha de o divulgar no meio de tanta desgraça, degradação e covardia perante a realidade.

Avisos, estudos, informação, seminários, cúpulas e outras formas denunciantes, abundam por aí… dizendo claramente como a economia, desenvolvimento sustentável, paz mundial, são prejudicadas por esta prática que representa mais de 6 trilhões de reais, 5% do PIB global.

Só no Brasil, representa 10% por ano, perdendo a economia e o mercado legal 40 a 65 bilhões de reais, prejudicando todos os programas de origem social, como esclarece a Fiesp (Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Industrias do Estado de São Paulo).

A imagem que chega da Espanha onde a justiça julga 155 criminosos, dos quais, 150 são políticos (corrupção), a Grécia julga 2 mil que durante 10 anos desviaram mais de 14 bilhões de reais; dos quais 36 sentados em julgamento, 7 com penas entre 9 a 30 anos. Na Europa, neste momento, são 8 nações com políticos em julgamento. Portugal foi o único país da União Europeia onde o governo e maioria parlamentar chumbou combate à corrupção (que está crescendo).
 
Atrás nas histórias e memória humana. A crise social de 1845, levou o poeta Henry Longfellow, a escrever num dos seus poemas lamentos que hoje nos são bem familiares: “Oh, Deus, dai-nos homens! Uma época como a nossa requere mentes vigorosas, corações magnânimos, fé verdadeira, e mãos hábeis a quem a cobiça de cargos não atormente nem se possam subornar…”; tão atualizado que cada vez mais os povos devem pensar bem se têm de escolher a pátria ou a classe política. 

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