Classe artística sugere descentralização da Virada Cultural

Comissão da ALMG vai encaminhar sugestões à Secretaria de Estado de Cultura.

A realização de eventos da Virada Cultural nas regionais de Belo Horizonte e em outras cidades mineiras foram duas das sugestões apresentadas para melhoria do evento, durante audiência pública da Comissão de Cultura realizada nesta terça-feira (10/12/13) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A reunião aconteceu a requerimento da vice-presidente da comissão, deputada Luzia Ferreira (PPS). A parlamentar disse que em reunião posterior da comissão irá apresentar dois requerimentos contemplando as sugestões, direcionados à Prefeitura de Belo Horizonte e à secretária de Estado de Cultura, Eliane Parreiras.

De acordo com a diretora de Ação Cultural da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Simone Araújo, a descentralização da Virada Cultural, realizada pela primeira vez na Capital em setembro deste ano, já está prevista em lei. “Mas no caso das regionais, é preciso que cada uma cuide da infraestrutura e tenha um orçamento específico, aí a Fundação entraria apenas com a programação artística. Isso porque não damos conta de fazer tudo. Os centros culturais participaram neste ano, mas sabemos que não existem centros culturais em todas as regionais”, explicou.

A representante da prefeitura destacou que foram 400 atrações, mais de 40 equipamentos culturais e 1.000 trabalhadores da cultura envolvidos, entre produtores, técnicos e assistentes, além de 2.000 artistas. “Foram dez palcos montados nas regiões Centro-sul e Leste da cidade. E os moradores do entorno dos locais dos palcos foram avisados das mudanças de trânsito, além de ações de conscientização ambiental e educacionais realizadas pela Superintendência de Limpeza Urbana no Parque Municipal”.

A diretora contou ainda que os artistas locais receberam cachê e os artistas de fora foram bancados por parceiros estratégicos, como no caso de Elba Ramalho, que foi patrocinada pelo Banco Itaú.

Data do evento em 2014 não está definida

Outra questão que marcou o debate foi a data de realização do evento em 2014, por ser um ano em que a cidade estará envolvida com os preparativos da Copa do Mundo, as eleições estaduais e ainda o tradicional Festival Internacional de Teatro.

A presidente do Sindicato dos Artistas Técnicos em Espetáculos e Diversões (Sated-MG), Maria Magdalena Rodrigues da Silva, sugeriu que a Virada Cultural aconteça em comemoração ao aniversário da cidade, de 11 para 12 de dezembro. Representante da assessoria jurídica do Valemais – Instituto Sociocultural do Jequitinhonha, Luiz Gonzaga Medeiros, disse acreditar que o ideal seria que o evento acontecesse no mínimo três meses antes da eleição, para que nenhum candidato fosse beneficiado.

A diretora da Fundação Municipal de Cultura frisou que a data do evento não é fixa, mas é certo que ele acontecerá anualmente. “São muitas variáveis. Ainda está em aberto o que será feito. Precisamos conversar com os artistas também. Além disso, também haverá atividades culturais em Belo Horizonte durante a Copa e durante o aniversário da cidade”, afirmou.

Cachê é alvo de questionamento

Alguns representantes da classe artística presentes à reunião questionaram a questão do cachê pago aos artistas mineiros. A presidente da Associação Cultural Dança Minas, Andreia de Azevedo Anhaia, questionou o valor de R$ 3 mil pagos a grupos independentes. “Como se chegou a esse valor? Para ano que vem ele pode ser revisto? E por que a música é sempre uma prioridade? A participação da dança na Virada Cultural foi tímida. E queríamos mais transparência no processo de escolha dos grupos”.

A presidente do Sated disse que o próximo processo seletivo precisa ser mais transparente e divulgado com mais antecedência. “Os artistas precisam de informação e esclarecimento, para não se sentirem preteridos”, explicou.

Simone Araújo esclareceu que havia um orçamento total e que ele foi dividido entre os artistas em categorias distintas, em valores que variaram entre R$ 500 e R$ 3.500. “Não consideramos isso como sendo um cachê, mas sim uma ajuda de custos, para que os profissionais não paguem de seu bolso para se apresentarem. Quem trabalhou de graça foi porque quis, e temos tudo registrado. Tivemos apenas três contrapartidas, realizadas a pedido dos artistas”, esclareceu. A expectativa da diretora é de que o orçamento melhore em 2014.

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