A Copa do Mundo vai rolar… mas os problemas, ficam

Por Veladimir Romano
A discussão durou 3 anos, mas finalmente, o Congresso, aprovou investimento na educação até 2024. O Plano Nacional de Educação, terá 10% do PIB; contudo, não esquecendo a luta urbana contestando governantes e a penúria do ensino, exigindo os professores maior respeito, dignidade da sua profissão… enquanto a gente deseje ou não, a Copa, tá por aí chegando…Coincidência ou nem por isso, feita na tonelada e meia de sentimentos, a rainha de todas as ansiedades tem ocupado maiores atenções de tão empolgada emoção dos amantes do desporto rei, um pouco por todo o planeta… vai o grito de mais uma Copa mundial…! O contágio, é sempre uma geral…!

A escolha do Brasil como palco final da campanha das seleções apuradas, tem sido ambição da própria FIFA, durante vários anos pedindo a candidatura, aguardando desde 1970, novamente em 1978 (a Copa realizada no México e consagrada pela segunda vitória da Argentina em 1986, seria favoravelmente realizada no Brasil), a pedido da instituição organizadora, esperando o “sim”, do governo e responsáveis do futebol brasileiro, a vontade da FIFA, não foi atendida.

Porém, a “maldição” de 1950, fantasmas grotescos pairando ainda nas sombras do Maracanã, nunca deixaram de ânimo leve qualquer boa vontade nessa realização do maior evento esportivo/desportivo mundial duma só modalidade: o futebol, com todos seus enormes defeitos, mas grandes e úteis virtudes, do jeito que tem crescido, graças a essa participação brasileira quando na Suécia ressurgiu o famoso “escrete canarinho”, deixando magia por quantos lados, fazendo da simplicidade do futebol, uso duma arte criativa, alimentou almas, conquistando seu primeiro troféu, em 1958, proibido de entrar nas linhas do esquecimento.

No entanto, hoje, quem diria, vivendo o pleno processo democrático, dessa escolha do Brasil futeboleiro; deu maré quase incontrolável do desagrado popular onde tanta polêmica envolve a preparação e realização do campeonato. O desagrado das camadas populares fugindo desse desígnio nacional, chega com ironia; o Brasil tem ajudado e apoiado entusiasticamente muito, outras nações pela organização do mesmo, entre diferenciadas atividades como aconteceu na realização da Copa aquando na África do Sul.

O Brasil, vem sendo a nação com maior número de jogadores exportados jogando em todos os continentes possíveis, tão igualmente, naturalizados, representando vários países; a seleção com mais troféus conquistados, não só campeã no gramado/relva, da bilheteira, grande campeão da simpatia (quem viaja o planeta e tem vivido em países, sabe isso). Mas nada chega: não altera nem vem trazendo supostas alegrias ao povo. Brasil que tem levado tempo demais ao encontro de soluções para seus problemas sociais, estabeleceu um vazio perigoso, uma gigantesca frustração.

Depois da ditadura, das reformas de Fernando Henrique Cardoso, passando pela presidência de Lula da Silva, o sucedâneo positivo nessa continuação reformista, caiu em saco roto com péssima administração dos problemas, de tão crônicos com os quais a nação de Tiradentes se tem debatido, faltou plano objetivo, transparência,maior sensibilidade social e determinação. Sem dúvida, a frustração, não podia deixar maiores marcas sociais e, a violência contra a Copa, saiu pelas ruas contra tudo e contra todos.

A vergonhosa estratégia corrupta na construção dos estádios (esperemos não haver nenhuma desgraça) alimentada em brutais orçamentos, destruindo dinheiro público em consumos exagerados (estádio em Manaus de 605 milhões de reais: um absurdo), quando tanto vai faltando na escola pública,  saúde, habitação social, entre outras injustiças que o governo de Brasília herdou do passado, acumulou e pouco resolveu, não conseguindo realizar seu combate reformista; razão? Os parcos investimentos em favor da camada mais desfavorecida do país, quando tanta riqueza não chega a quem mais precisa.

Pobre trajetória dum governo pálido, incapaz, perdendo terreno; mas igualmente pior… destruindo credibilidade para segundo mandato presidencial (certamente) nos planos de Dilma Rousseff, o desgaste da governação em falência prematura, pagando caro os excessos, quando vários setores, transportes puxando seus preços contra baixos salários, são contestados na rua, problemas sérios de corrupção se manifestam desde o Estado do Maranhão até ao Acre.

No entanto, a Copa, vai dando registro/registo Indiscutível dos ganhos econômicos na indústria cervejeira, na produção de novos televisores (baixando o preço), turismo, artigos comerciais de ocasião, hotéis, restauração, uma entrada de divisas saudáveis, capaz de superar uma das mais elevadas quebras dos últimos anos, como aconteceu no último mês de maio com maior saída de dólares (813 milhões), juntando este número ao de fevereiro, uma soma total de 1.856 bilhão de dólares, desfavorável no deficit; podia o Brasil ter feito muito melhor, implementando estratégias bem mais altruístas dando solução nas profundas feridas herdadas do seu passado, épocas incertas que preciso será igualmente não esquecer, urge repensar que copas, já não chegam para deixar populações dormindo na magia do futebol, mas sim um Brasil igualmente crescendo na responsabilidade social, praticando reformas, fazendo bem e melhor em favor do povo. Assim, o Brasil, será sempre o grande campeão!

comentários