CPLP: Chegou a Primeira Geração

Por Veladimir Romano

A particularidade deste calendário corrente de 2016 já quase no fim, muito alegremente seria para comemorar bem comemorado vinte anos de existência da organização ÇPLP; a primeira geração derivando da feliz ideia de José Aparecido de Oliveira: político, diplomata, idealista, um dos principais mentores humanistas sobre tal ideia Lusófona. O ilustre mineiro, foi um dos mais entusiastas, tenha criado oficialmente tamanha corrente de afinidades entre nações que adotaram expressão linguística da velha terra lusitana.

Infelizmente, os novos mandantes desta iniciativa, até ao nome daquele que deu começo, vida e alma ao ideal, afastado ficou duma história agora contada dentro de novas conveniências, conta apenas para que a História não esqueça, de adulterada que ficou. Vinte anos depois são caminhos onde se podem encontrar transformações pouco relevantes para cada uma das sociedades, realizações e a passagem de valores colocando seres pensantes furos acima na civilização. Por outro modo, ficamos frustrados pelo tempo de quantas positivas oportunidades deixadas em banho marinado.

A grande pergunta talvez necessária, obrigatoriamente: na realidade, depois de vinte anos, o que lucraram os povos da CPLP? Analisando no geral, sem muito esforço, pouca coisa sobrou em favor desta comunidade com trezentos milhões de pessoas; entretanto, evoluindo em termos de fronteira agora com crescente interesse de nações tão diferentes como da Ucrânia ou da China à Indonésia, passando por vários países africanos muito embora membros da outra margem tanto francófona como de origem dos antigos territórios colonizados pela força britânica, se sintam atraídos em alinhar nesta nossa CPLP certamente desejada pelos povos. Damos um forte alô ao Uruguai, terra gaúcha por onde passaram Portugueses no decurso antigo dos acontecimentos da existência humana.

Bem-vindos todos serão, porém, será que quem lidera anda genuinamente valorizando o crescente interesse de outras nações? Sem fazer muito pelos seus habitantes do espaço CPLP, diplomatas da organização mais se preocuparam com empresários, diplomacias, participações de fraco recurso no plano esportivo/desportivo, pouco restando nesta pequena lista (ainda que positiva) no balanço geral de vinte anos, sinceramente, ficaram curtas suas capacidades e seu potencial ativo.

Da última grande reunião no território timorense, a entrada da Guiné Equatorial, pequeno estado com péssima lista de respeito pela democracia, contestado, colocando em dúvida matéria transparente dos responsáveis CPLP, deu numa ligeira vitória; para tantos (eu pessoalmente incluído), não acreditando na estratégia; afinal, este parlamento e o próprio presidente Obiang Nguema, aprovou no mês de outubro a lei de proteção dos Direitos Humanos, sendo igualmente aprovado na totalidade oficialização do ensino da Língua de todos nós na Guiné Equatorial onde espanhol e francês são línguas dominantes.

A participação de membros da Justiça da Guiné Equatorial liderados pelo juiz Juan Carlos Ondo na cimeira no dia 21 de outubro da Conferência dos Presidentes do Supremo Tribunal da União Europeia, confirma o resultado dos ficais das Nações Unidas em visita oficial ao país de Obiang Nguema, analisando resultados sobre pena de morte. No país, desde 2014, mais ninguém foi executado e, até final do ano 2016, o parlamento aprovará moratória legal desse assunto, bem como termos da perseguição policial sobre membros opositores ao regime repressivo, abrindo boas possibilidades a eleições transparentes no próximo ano. Pequeno país mas grandes contradições, que levaram o governo francês a decretar detenção para julgamento em Paris ainda este mês, do filho Teodoro Obiang (48 anos e vice-presidente da nação), acusado do desvio de 110 milhões de euros (mais de 330 milhões de reais), do Tesouro Nacional. A compra de castelo e mansão luxuosa, joias, antiguidades e apartamento de luxo, foi considerado pela autoridade fiscalizadora francesa, como sendo uma grossa lavagem dos dinheiros públicos da Guiné Equatorial. Este filho de Obiang Nguema, apanhando em flagrante, fora expulso dos EUA, depois de haver pago 30 milhões de dólares (90 milhões de reais), de multas acumuladas pelo uso de drogas, prostituição e abuso do álcool… Coisas que acontecem…

Oxalá pudéssemos falar tão abertamente sobre Angola, muito embora algumas reformas, bem viva na memória moram ainda acontecimentos absurdos de se julgarem jovens cidadãos de “gente perigosa” na razão de terem lido “livro subversivo contra o Estado”. O caso colocou em ridículo todo o panorama político e judicial de Angola, sem que alguém no poder pudesse reparar danos. O recente lançamento do livro “Angola Amordaçada” (com 160 páginas, Editora Guerra & Paz), da autoria do filósofo, professor, investigador, escritor e jornalista: Domingos da Cruz, possuindo mestrado em Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Paraíba, vencedor do Prêmio/Prémio Nacional dos Direitos Humanos Ricardo de Melo em 2009, denunciador sobre o estado da nação angolana, é uma obra vinda da experiência de ser ele um dos acusados.

Com ousadia, apanhou do tribunal angolano junto com mais 15 colegas dos quais se destaca Luaty Beirão; todos jovens de cariz intelectual superiormente esclarecida, 8 (oito) anos e 6 (seis) meses de prisão. Ao invés de orgulhar e alegrarem o espírito com juventude tão aplicada e sapiente, a classe política e dirigente angolana, se assustaram, mostrando como anda perturbada a consciência de quem comanda esta nação da CPLP. A própria declaração sobre Direitos Humanos ficou guardada na gaveta do armário da organização.

Moçambique, também não vai longe, anda muito mal na fotografia familiar desta nossa CPLP, quando a polícia criminal não consegue descobrir um só assassinato dos vários cometidos sobre jornalistas, juízes, magistrados e políticos; a maioria cometidos na capital: Maputo, terror provocado por gente criminosa anônima/anónima, entretanto, coincidindo todas as vítimas estarem no momento investigando, julgando ou escrevendo sobre temas da corrupção e de crimes políticos praticados nos últimos anos.

Da Guiné-Bissau, entendimento, é coisa que não parece incomodar alguns, enquanto o povo mirra na miséria. Domingos Simões Pereira, ex-secretário desta mesma CPLP, entretanto antigo embaixador da nação guineense em Bruxelas junto da União Europeia, acusou faz 9 (nove) meses o presidente José Mário Vaz, de ter desviado 13 milhões de dólares (39 milhões de reais) a oásis fiscais europeus. Sendo acusação forte demais, Domingos Simões Pereira, foi apeado de primeiro-ministro, a Polícia Judiciária ficou muda e, desde longos meses nasceu impasse governamental com a dança dos partidos do vai ou não fica. A coisa ficou danadamente preta e consensos, é algo longe na mira do binóculo. Mesmo com tanta cúpula, Brasília não deu nem um pouquinho inspirador aos representantes transfigurados das terras mandinga.

Falar do Brasil já todo o mundo sabe. Cabo Verde ganhou novo governo, São Tomé & Príncipe em agonia financeira, Timor fica muito longe como Portugal anda cantando e rindo ainda que tal peçonhenta crise consuma a economia lusa; entretanto, com a nomeação justa e gloriosa de António Guterres na liderança da ONU, cresce agora ideia brasileira nascida nos anos de 1980, quando o Brasil quis apresentar proposta para que a Língua Portuguesa fosse mais uma das 6 (seis): Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Mandarim e Russo; oficiais da Assembleia Geral. Aqui, Portugal falhou com pouco caso feito pelo governo do então primeiro-ministro Cavaco Silva. Surpreende que a Imprensa não tenha tido esta informação e referenciado esse mau acontecimento da época. Ideia “original” do agora líder português António Costa, é coisa que não será pela certa… mas foi bom relembrar…! Agora, que todos os santos ajudem para que a CPLP aprove todos nós aconchegar na nossa bolsa, carteirinha identificativa como “Cidadão CPLP”, passe livre para alta navegação pelos continentes… É coisa legítima!

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