Cultura Popular de Itabira uma data a  ser celebrada

A formação do povo de Itabira do Mato-Dentro tem várias vertentes. Repleta de situações históricas vivenciadas desde a chegada de seus descobridores, tempo de Brasil colônia. A narrativa desta descoberta preencheria páginas para contar cada episódio da labuta pela descoberta do ouro.

Porém, em meio a tantas facetas, vamos nos ater à questão básica da Cultura Popular para nortear a presença do marujo nessa contextualização artística. Vamos, pois, levar em conta, o princípio deste trabalho, que será celebrado no dia 22 de agosto. Data instituída pelo município para ser reverenciada através do vereador Decão, membro da Câmara de Vereadores local.

Portanto, a nossa trajetória cultural perpassa pela exploração do ouro, que deram origem a várias rotas de tropeiros, a partir do Rio de Janeiro. Com a chegada dos colonos na região, vindo em busca de riqueza. A exploração de ouro movimentou a região. Composta de tropas formadas por diversos cavaleiros e escravos, diga-se de passagem, possibilitou o surgimento de vários pontos de parada e descanso, que mais tarde viriam a se transformarem em vilas e, bem depois, em cidades, caso de Itabira.

A cobiça pelo ouro e a formação destes vilarejos exigiu uma mão de obra mais brusca, havendo necessidade de levar no meio da tropas, escravos e outros serviçais, a maioria negros. Os trajetos longos e cansativos eram coroados nos períodos de descanso. Eles eram usados pelos negros com danças e cantorias. Eram formas que eles tinham no coletivo, para lembrarem-se dos entes queridos, deixados para trás, além-mar. Manifestações muitas vezes reprimidas, mas os negros não se deixaram abater e nem o sentimento ser vencido.

É dos portugueses, que temos as notícias dos primeiros marujos em terras mineiras. Sabe-se também, na comunidade dos Alves, no atual distrito de Senhora do Carmo, que surge a primeira guarda de marujos. De lá se deu origem aos marujos de Itabira.

A constatação da presença de portugueses em terras mineiras e a formação cultural do congado se misturam na redondeza. Pode se dizer, remonta desde essa período, com a criação do primeiro povoado à data presente. Hoje, o itabirano pode dizer orgulhosamente, que a marujada ocupa lugar de destaque na formação da cultura popular de Itabira, a partir desta data.

Por isto, a proposta desta festa é despertar o sentido das pessoas para a importância de manter acesa a nossa cultura de raiz. Não é à toa que esta discussão em torno da construção do conceito de cultura popular em Itabira, traz a tona as manifestações que estão adormecendo  no imaginário das pessoas mais novas, por falta de incentivo e espaço ante ao novo que se aproxima. Isto possibilita tecer breves apontamentos acerca do conceito de “cultura popular”.

A partir dessa premissa e partindo de uma acepção de cultura no sentido mais amplo possível – ou seja, compreender a cultura não só como o produto ou construção cultural, mas também, a possibilidade estabelecer as relações e as diversas maneiras de pensar realidade. Tal pensamento remete-nos a uma primeira conclusão inequívoca: toda cultura é, por definição, popular.

Dentro deste contexto, é importante abrir espaço para todas as manifestações para não incorrermos no risco de deixar à margem, aquilo que não nos convém. E, sim, mostrar que na produção do conhecimento histórico, tudo que será tratado neste evento, se manifesta através da arte e pode-se entender como cultura. Isto, sem discriminação. Principalmente a erudita (ou de elite), e, muito menos deixá-la em compartimentos estanques. Há que se levar em conta, nessa ideia central, a importância desse enriquecimento de que todas elas trazem a sua contribuição na construção de nossa história.

Por José Norberto – Produtor Cultural

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