Da cúpula euro-américa latina ao brado das malvinas…

Por Veladimir Romano

E vão mais de meia centena de cimeiras entre as nações dos dois lados do Atlântico. Desta vez, longe do entusiasmo das duas últimas reuniões passadas no Chile e depois no Peru; a mais recente efetuada na capital europeia, na minorca Bélgica: a burocrática Bruxelas, parece que não passou do banquete das famílias de primos e primas, não se vendo, fazia tempo, mas fazendo a festa duma nota só.

A presidente argentina: Cristina Kirchner, deu pontapé no protocolo contra o primeiro-ministro inglês, David Cameron, reclamando das ilhas Malvinas… a luta continua, Argentina não esquece, reclama parte atlântica da sua costa nas mãos dos europeus que nunca se cansam da mania colonialista. Bem que David Cameron se amarrou na velha história do referendo passado onde por larga escala a população ilhéu votou pela continuação inglesa; contudo, o responsável britânico não contou a verdade completa sobre o azedo assunto quando a própria imprensa não referiu que na maioria dessa população, retirando maioria inglesa, argentinos? Não são nem centena de gente! Deste modo, não terá sido novidade o “Não”, bem redondo reabilitando nesse referendo favorável aos ingleses uma certa legitimidade, ainda que falsa.

Complexa a permanência de povos num jogo quase imutável, mexido pelas populações quer locais vinda de outras latitudes ao longo dos séculos, complica o mosaico deste arquipélago com mais de 12 mil klm2, onde nativos contemporâneos descendentes de ingleses e escoceses, chegam aos 62% de britânicos emigrados a este inóspito mas rico local. Outros residentes fixos somam 29% e restante número de habitantes dos cerca de 4 mil, sendo argentinos a chilenos, incluindo base da marinha britânica com 2 mil fuzileiros.

Vai longa esta campanha sem quaisquer sinais positivos onde se veja que a própria assembleia das Nações Unidas consiga encontrar uma solução aprazível aos dois lados; pois, faz tempo se compreendeu que a
Inglaterra não irá largar nunca esse pedaço de chão, embora do outro lado da maré a 500 klm da costa argentina, essa mesma energética nação, nunca terá forças, organização ou o mesmo grupo de pressão idêntico aos ingleses criando políticos ativos lutando no palco internacional onde o primeiro guardião na defesa dos interesses territoriais seja como a famosa teimosia histórica aquando da reocupação britânica durante a última guerra mundial.

A primeira invasão foi no século XIX, combinando os ingleses estratégias,  persistências, razões várias e argumentos, tal como não vão faltando ao Estado das pampas, exigindo aquilo que é sem discussão maior um direito muito legítimo passando pela total reorganização territorial do hemisfério sul.

Contudo; fica extremamente incomum os mistérios, do jeito como países supostamente irmãos unidos em várias organizações latino-americanas do conhecido Mercosul, entre outras; não encontrem tática, lógicas de combate ajudando, apoiando o Estado argentino e o seu povo no direito, na revindicação histórica que mais uma vez governantes de Buenos Aires exigem. A coragem e a determinação da presidente Cristina Kirchner, devia ser escutada, analisada e repensado pelos responsáveis dos países latino-americanos, duma vez a todas, procurarem criar força a uma única voz pela diferença real existente nas Malvinas; aliás, tal como Belize (quase 23 mil klm2, outro território britânico falsamente independente: Honduras Britânicas) e polêmico, lugar de grande lavagem financeira dos cartéis criminosos, exigindo as Honduras essa importante fatia territorial.

Do restante da cúpula, muito otimismo abraçando ondas positivas para entendimento proveitoso relativo ao comercial; afinal, aquilo que a todos interessava até demais. Acontece, no entanto, que na balança maior continuará caindo sempre ao lado dos países da União Europeia (leia-se dos mais poderosos e das suas multinacionais), ganhando três vezes mais na relação, contra uma parte menor dos países antilhanos, norte, centro e sul-americanos. A balança é sempre dos mais oportunistas, ainda que a maioria das riquezas e maravilhas, estejam do outro lado mais ocidental.

Razões tem o economista argentino: Raul Prebisch, em seus estudos, quando
fala sobre o assunto dos negócios de cooperação bi-regional; o sistema nunca deixa de ser este aplicado regime capitalista, sempre autocrático, modelos instrumentalizados dominando perpetuamente. Raul Prebisch afirma que países latino-americanos precisam criar a sua própria união econômica e comercial para que se atinja o ideal nivelado, quanto legítimo desenvolvimento regional.

Desde 1990 com tratos financeiros que atingiram 29.500 bilhões de dólares, até 2002, aumentou de forma brutal em mais 50% do montante e mais 25% sobre o lado comercial, mas subindo valores maiores para o lado europeu, mantendo mais uma vez essa matriz produtiva favorável somente uma face. Assim, aplicar velhos adjetivos como “democratização”, “desenvolvimento”, “avanço”, “produtividade”; usando discursos ocasionais ao longo das reuniões… vejamos: estafadas que vivem, bem merecia resposta firme e enérgica de mais líderes das nações latino-americanas, como fez Cristina Kirchner e Evo Morales, criticando fortemente a falta ou défice realmente de ordem democrática dos países da União Europeia.

Bom seria que a lição se pudesse transformar numa certeza batalhadora para quantos países não se achem no direito de serem sempre os favoritos dominantes da riqueza ao serviço da elite; pois, nem os povos componentes da Europa dos 28 países, são os verdadeiros ganhadores das trapaças emaranhadas, jogadas especulativas ou interesseiras das políticas de Bruxelas.

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