DA NEGLIGÊNCIA AO ISOLAMENTO NAS RELAÇÕES SOCIOECONÔMICAS

Por Veladimir Romano


Ao contrário do imaginado pelo mais simples dos anônimos caminhando solitário pela calçada, o conceito de hegemonia consentida no ato da governação, colocada de maneira oficializada numa panorâmica inicial, leva também o Estado ao espaço concedido pelas referências da nossa consciência em relação aos aplicantes práticos: perguntando-se nos tempos decorrentes, o quer que seja sobre conceitos onde moram a Democracia e Liberdade.
 
Este materialismo histórico (chamemos isso), em várias escalas, longe nas gerações consumidas, criou isolamentos, montou fronteiras, mantém altas voltagens quando o medo rejeita a realização final das coisas impossíveis de enganar. Esta infelicidade humana em tarefa máxima, normalmente juntando consequências do desejado existir… sai vivendo daquilo ao qual deveria resistir.
 
Vamos tendo sensações de ver o básico da vida virado do avesso. O ser humano caminha descontrolado, desfazendo esforços canalizados pelas mentiras, consumindo erros à tristeza, hipocrisias levando ao primor a prática de atos negligentes. Tudo tem crescido em processos permissivos, anormais, completamente ruinosos a todas as sociedades, colocando dúvidas no ser humano sobre lideranças.
 
Parece que a corrupção veio para ficar, as contradições não merecem debate, a produção não reage nas análises, a formação social perde na economia; esta, dominada infinitamente pelo terror pendente das ações coexistentes (invariantes específicas) do capitalismo monopolista, capitalismo privado ao articulado instante oportunista praticado nos processos especulativos dos mercados bolsistas, vai tudo bebendo do seu próprio veneno.

Com isso, chora-se mais rapidamente a perda financeira do que a fome, instabilidade e pobreza das pessoas; não se desculpa o débito por cobrar, massacra-se o cidadão, fogem oportunidades da sociedade se realizar. As regras prometidas pelos mentores espirituais, diluem-se na frustrante fantasia da vida, enquanto perduram exigências de maus políticos pagadores.

 
O interesse vem sendo: colocar o ganho como vitória certa, esmagadora paixão materialista triturando a vida das populações, estabelecendo metas isolacionistas nas relações onde o sistema social implementado nos maiores valores, seja derrotado na força obrigatória do poder econômico serviçal aos restantes esquemas paralelos.
 
Assim, a negligência, vem sendo um fator estratégico para que todo o processo destrutivo suba ao reino dominado pelas forças obscuras, alimentando finais dramáticos a uma minoria comprometida pelo engajamento tirano. 
 
As recentes tiradas populares da nação Tiradentes que o mundo tem assistido, possivelmente com alguma surpresa; um Brasil ativo, crescendo, mas embriagado em sistemas e esquemas de alto prejuízo, já cantou na paciência das pessoas… assim, era uma vez a tolerância entre a bondade de um povo que acredita numa Democracia participativa, mas não galopante pela manutenção de vícios, mordomias, só trazendo embargo, amargura a essa liberdade, de tão estranha e complexa que ficou.

Resistindo vai todo um processo caduco por onde a especulação e o seu bando de malfeitores aniquilam o progresso. No presente momento falar de corrupção é tão natural como argumentar sobre uma qualquer doença crônica; porém, a luta nos tribunais e a coragem da Justiça está sendo colocada na balança. Todos deviam ser julgados tal como o foi num longo processo o ex-senador Luiz Estevão do PMDB, na obrigação (com juros) pela devolução dos 169 milhões desviados dos cofres do Estado em 2006, agora pagando a soma de 468 milhões de reais no complemento.

Entrou na política em 1994 e foi membro da Câmara Legislativa do Distrito Federal, foi o primeiro caso do gênero, servindo de rampa ao julgamento do outro infeliz representante da República brasileira: Demóstenes Torres… mais uns quantos que provocam a surra financeira na tesouraria da nação. Existem 2.14 bilhões de reais em falta nos cofres.

Por causa da corrupção o Brasil perde anualmente 55 bilhões de reais; o equivalente a vários pibs de países latino-americanos. Uma terrível sangria e um tremendo obstáculo a qualquer programa reformador, colocando em causa o desenvolvimento, a defesa dos direitos sociais e a transparência democrática.
 
O território é proibido, o fingimento acordado, o global, congelou; nasceu uma estimativa primária fora da lei prometendo a inclusão nuclear de quantidades gritantes (anormais) das influências tóxicas promovidas pelos mágicos investimentos, presentemente arrastando e arrasando tudo quanto consiga tocar. Este fenômeno ficou devendo para todo o mundo… só que a maioria, ainda não sabe.  

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