Democracia de Malfeitores

Por Veladimir Romano
A sucessiva queda das variantes capitalistas e a tremenda insistência dos serviços financeiros internacionais numa cega e obsessiva obediência em manter acesa uma chama que já só consegue sustentar alguma cor graças à submissão dos líderes políticos, dum lado; enquanto do outro, cobardia, será tema de fundo em discussão.

Esclarece ideias de como boa parte (ir)responsável da sociedade humana, fugindo à exigência, prefere causticar, arrastando povos ao suicídio lento, do que reformar definitivamente um sistema podre demais para oferecer qualquer garantia de sucesso.

Os últimos acontecimentos da banca portuguesa, a queda brutal do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa (BES), maratona com mais de cem anos, primeiro ao serviço do fascismo, depois, com o beneplácito favorável do governo democrático de Mário Soares(1976) privatizando o setor financeiro, mais tarde, no governo de Cavaco Silva (1985); a degeneração, o acrescento da velha promiscuidade na herança do país que tem vivido à deriva ao longo de muitas gerações.

Desde então, anos idos da quanta esperança de 1974; em 19 governos constitucionais, 25 governantes receberam favores do banco BES, partidos políticos da área da governação, lucraram 37 milhões de reais, até ao tremendo descalabro do presente, quando muitos não sabem onde enfiar a cabeça escondendo a vergonha, caso ainda ela exista.

A crise, hoje, global, compreendida dos seus males, mas segurando a barra como se virtude alguma ainda reste no sistema de economias sucessivas de origem brutalmente especuladora, arbitrária e criminosa. Abundância, a estas elites, é coisa sem limite, para tanto, desenvolvendo esquemas na ruína do Estado, uma sociedade, destruindo valores, adulterando realidades, partem numa nave de loucos destruindo tudo e todos.

Quando acreditamos nas democracias, que vinham marcar futuras gerações esclarecidas, combater desaires do passado, libertar povos do vazio, combater esquemas corruptos: fomos descobrindo, afinal, democracias servindo sim, a coleta dos malfeitores.

Não chegam oásis fiscais, a estes, junta-se a Suíça, Panamá, EUA, França, setores financeiros asiáticos; a elite criminosa protegida pela bandeira do cifrão, arruinando, envenenando e enterrando a família humana no cadafalso de crises sucessivas. Tal como no restante mercado, Portugal, não foge a esta regra; tardando a queda do maior e mais “prestigiado” banco privado: o bem badalado BES. Agora, quem terá coragem de abrir a boca do malandro para que na caixa de dona Pandora, todo os restantes malandros, saltem do paraíso capitalizado.

Problema, será como reaver toda a grana desbaratada; pois, como já escrevemos em outras ocasiões: dinheiro, não é vapor de água…

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