A dimensão sistémica do mal e da sua vergonhosa continuidade

Por Veladimir Romano

Com a entrada do ano 1999; novidade: foi o rebentar da crise financeira mundial. Esta, acumulando o pior dos cenários, acabou em crise econômica, como resultado da ganância, riqueza artificial, alienamento da macroeconomia, gerando outros formatos
do pensamento capitalista ao insustentável nível consumista, batendo limites.

Partindo do ponto analista onde descobrimos fortes pressões competitivas entre bancos (agrado do sistema), colocando riscos e desaires anunciados sobre a conquista do maior lucro, descobriram-se evidências totalizadas pela rotura teórica desde Adam Smith até Milton Friedman; de certa maneira, padrinhos das mais otimistas versões desse mesmo conceito doutrinário.

Com a crise manifestando em primeiro plano a recessão norte-americana em 1991, indícios não faltaram, apenas timidez, medo da realidade, uma grosseira ausência de coragem de quem sempre regulamentou, afinal, a promiscuidade entre poder político, bancos, ao desvio das cargas fiscais do quanto se foi descobrindo até hoje, sigiloso buraco em fuga pelos quantos oásis espalhados, atingindo a escandalosa cotação de
trilhões; números quase incontáveis, apurou cada imagem deste contexto, prometendo mais e maiores colapsos.

Também falhou o debate público com maior exigência, coerência, justiça severa para com os faltosos. O descasamento duma maturidade responsável caiu em saco roto, elevando o problema a uma dimensão jamais sofrida. Contudo, nada ficou aprendido de tantas bobagens no decurso das ilegalidades praticadas.

Tanto acumular mal parado, organizado ao longo de anos e gerações, nunca fazendo caso dos avisos de economistas atentos, sérios, realistas, estudiosos; confirmando das margens de erro absoluto, arrasaram em cadeia varrendo a economia global, deixando desigualdades e profundas cicatrizes em milhões de pessoas, algumas mortais.

Quem chega a Berlim, embarca pela região leste alemã, vai descobrindo diferenças profundas; afinal, a pobreza germânica anda muito mal disfarçada, igualmente existe. Nódoas do país mais rico da União Europeia, não conseguindo eliminar o nível de gente desempregada, ainda com taxa geral nos 6%, embora estável, marca uma época difícil, complicada e confusa situação porque revela outra verdade: a região federal de Brandeburgo onde fica a capital alemã, falta de trabalho atingiu até novembro de 2014, mais de 17% dos trabalhadores locais.

Igualmente, o Banco Nacional da Suíça, anunciou recentemente sobre a quebra do poder de compra nos salários médios que desde 2011, perderam até agora entre 400 a 600 euros, denunciando esse efeito a última decisão do governo helvético quando separou a paridade cambial do franco em relação ao euro. O efeito colateral da mexida nos preços do petróleo, estão colocando o capital global num limbo escuro, abrindo novas bagunças e acessos ao perverso oportunismo elitista.

Do restante da longa crise, lembro da leitura observadora de Karl Marx, numa frase evidente tão atualizada como todo o desafio das limitações quando o economista e filósofo alemão, afirmou…
“A história acontece duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa”. O resultado da dimensão contraproducente mal humorada, descrédito pelo tanto de irracionalidade à prontidão desumana numa continuidade acelerada de erros praticados, não admitidos, maliciosamente, continua.

Continua a classe dirigente não desejando reformar seriamente, ausência clara de clarividência, coragem de aniquilar probabilidades reducionistas do processo econômico na franja suicida, derrotista, jamais encontrando trajetos, não conseguindo outras soluções saudáveis, inteligentes, de transparência; preferindo continuidade das falsas ilusões.

Observamos: o erro saltou do relativo ao absoluto. É deste jeito que das últimas opiniões do famoso economista Nouriel Roubini, estudando desde 2006 sobre evolução financeira; afirmou recentemente numa entrevista prevendo para 2016 o colapso global dos mercados e suas respetivas bolsas.

Para tanto, a retirada de biliões de dólares do mercado como estratégia da Reserva Federal norte-americana, tem vindo a limitar moedas como a rúpia, o real, rublo, peso, rand; entre outras de países emergentes, economias indicando como sendo a oportunidade dos mercados futuristas ou de pouco agrado às multinacionais manipuladoras do dólar. Recente artigo do jornal “USA Today”, avisa para o fabrico
de nova bolha a estes mercados onde apela sobre combinação que nunca chegou a ser debelada.

Apontados como motor mais calibrado para novos crescimentos, os países emergentes, forçadamente vão ter de criar a produção de moeda capaz, estabilizadora e resistente às inversões cambiais, fugindo ou dominando as más influências das taxas especulativas, ganhando ao mal sistémico (o sem vergonha desta história), teimando em dominar não só os mercados, mas limitar, amargurando vidas, economias e finalmente, a Humanidade no seu todo… A narração sistemática do processo destrutivo.

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