A dose mais complexa

Por Veladimir Romano

 
Num relâmpago de semanas, vários lugares europeus estão-se envolvendo pelo pronunciamento de suas independências. Territórios incorporados com séculos pela força de acontecimentos históricos, como Veneza, em Itália; a Escócia, querendo sair do Reino Unido, deixando a Inglaterra sozinha. A Catalunha, na Espanha e até Portugal, fazendo tempo, anda recebendo indiretas do governo regional da Madeira, onde realmente existe um movimento separatista, azucrinando o governo de Lisboa… entre outro existente nos Açores; porém, menos ameaçador.
 
O efeito colateral da crise anda revelando outras verdades, possivelmente e, durante tempo, ficaram reservadas numa paz superficial, aguardando seu tempo certo. Hoje, estão aí, preocupando governos, embaraçados e de tanta frustração administrativa, a surpresa, está fazendo efeitos terríveis para quem escuta discursos diretos: apenas chegam ameaças pela voz da “democracia”, nesses dias, muito mal tratada, talvez doente demais.
 
Abertamente, compreendemos que a crise também é ela, o limite da democracia; anda consumida pela mediocridade, está servindo uma margem de bandoleiros infinitos roubando e enganando a sociedade onde o crime contra o tesouro e a riqueza patrimonial das nações, compensa e, alimentando vão múltiplas libertinagens da classe dirigente na sua promiscuidade declarada com outros servidores sociais, embriagados pelo contencioso econômico e financeiro, criaram climas destrutivos.
 
A situação recente da Rússia e a questão do território da Crimeia, levantou a lebre nos demais lugares onde a tentação de novas aspirações crescentes, ilumina a esperança desses povos. Em setembro, a Escócia (4 milhões), vai realizar referendo, tomando decisão crucial pela separação da Inglaterra. No futuro, serão menos 500 bilhões de libras entrando nos cofres de Londres; fora o o comando da exploração petrolífera naquela região, feita no mar exclusivo escocês. No entanto, a confusão vem crescendo com poderes da Rússia. 
 
Algumas verdades, chegam ameaçadas e, logo teremos um grande suicídio financeiro atingindo, colocando maior debilidade na economia europeia, quando a Rússia, sendo a 3ª força econômica mundial em crescimento com investimentos globais atingindo 83%, desde 2009; com qual a União Europeia, dos 280 bilhões de euros anual, 186 bilhões, estão ligados diretamente ao fornecimento de gás da Sibéria, onde a Alemanha é o maior consumidor. Portugal, numa fase também débil, só agora seus empresários descobriram o mercado russo, mandando vinhos, sapatos, cortiça; a Holanda com 3 bilhões, só o comércio das flores representa 300 milhões de euros anual. Da Itália, a Indesit das geladeiras, avoluma mais um bilhão de euros com a Rússia. Alemanha negocia 10 bilhões ano, na venda de carros de alta gama. Pensando melhor, saímos perguntando: isolar a Rússia? 
 
Na Itália, agora com novo governo, fazendo redobrados esforços puxando a economia favorável ao lado das pessoas; não escapa a essa onda de separatismo na velha, histórica e sedutora Veneza, exige referendo para colmatar a separação. A província veneziana, com 4 milhões de habitantes, representa 10% do PIB italiano, recebe 40 milhões de turistas anualmente, é a região mais taxada do país com 71 bilhões de euros. Assim, num recente inquérito a 500 mil pessoas, o “SIM”, pela independência, superou 80% dos inquiridos.
 
A Espanha, reclamando tem 70 anos a devolução do pedaço de Gibraltar (oásis fiscal de 7 km2, com 30 mil pessoas), ocupado pelos ingleses desde a II Grande Guerra, perdeu no referendo, quando a população preferiu continuar vivendo protegidos pela bandeira da coroa britânica. Semelhante situação agora em Barcelona, perante a exigência de 67% dos inquiridos, realizando esse desafio a Madri/Madrid, no dia 9 de novembro. Barcelona é o maior centro industrializado da Espanha, recebendo anualmente 30 milhões de turistas, um dos portos marítimos mais desenvolvidos, importantes, estratégicos: representa 17% do PIB espanhol. Está sendo dramática e traumatizante a discussão separatista.
Nas Filipinas, depois de 50 anos de conflito regional de vários governos de origem cristã, com o movimento separatista islâmico, no sul e na província de Mindanao; ganharam reconhecimento, pondo final a uma guerra que custou a vida de 200 mil pessoas. As terras vão ser agora entregues ao Movimento Mouro-Islâmico da Independência do Sul (apoiados pelo regime da Malásia), capital em Davao.
 
Casos elucidantes não deixam dúvidas sobre a dose mais complexa quando a economia desenvolve crises soberbas, altamente destrutivas, caindo sobre a coesão nacional o campo da incerteza. Lembro anos de 1970 a 1980, quando estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ameaçavam com a separação do restante Brasil. Embora esses grupos não acabassem (vivem em letargia), como o “Movimento p/ a Independência do Pampa” (MIP), criado ainda em 1990; ou “O Sul é o Meu País”, até ao “Neste País eu Acredito” (com cada nome?!); fenômeno bizarro quando a grana não chega a todos, todo o mundo reclama, todos querem independência e, a nação dos irmãos e das irmãs, passou a vizinho indesejado!

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