E AGORA DRUMMOND, ONDE FICOU A LUSOFONIA?

Por Veladimir Romano

Lembrando Carlos Drummond de Andrade, o gênio da palavra, o cuidadoso amante da Língua portuguesa através da sua permanente criatividade poética, comemora no final de outubro (31) mais um aniversário. Pensando bem com nossos botões quando atravessamos jardins de Lisboa em busca do instante tranquilo, concluímos: por onde andará alguma dessa tão badalada Lusofonia…?

O momento não dá para mais; a Cultura exige atenção, gente desperta por quanta riqueza do componente lusófono, anos passam, comemorações se acumulam, discursos simpáticos pronunciados vão parar no arquivo, o papo gasto de “meu país irmão”, mais blá, blá… bem consumido, não adianta nada. No final, tudo como sempre vai miserando pelas custas diplomáticas, versão CPLP.

Tanta fortuna junta, criatividade, tanto mar e mercado perdido, desleixado, desprezado… não dá para entender por onde se meteu quanta diplomacia, visão, apreço e, mais que tudo, o respeito que a Cultura merece, o respeito devido à inteligência intelectual, pensadores do bem estar emocional, promotores do esclarecimento, pedagogia das sociedades.

Seria bom tanto responsável, assumida direção da CPLP, soubessem ter existido 14 anos de guerra colonial, ditaduras, fascismo, analfabetismo, guerra civil, preconceito, entre outras negatividades desenvolvidas durante gerações, prejudicando a psicologia social de cada povo; um diferencial a ter em conta no processo da interligação cultural das nações CPLP. Igualmente economia; oportunidades, tempo irrecuperável mordendo a raiva daqueles que se danam pelo conceito muito em voga da denominada “sustentabilidade”, “progresso”, “livre trânsito”, tardando vão em sair do atraso.

Enfim, pelo menos venham alegrias de se comemorar Carlos Drummond de Andrade, igualmente glória espiritual, alicerce do modernismo universal brasileiro deixando herança, mais do que recebeu. Por isso, seja de competência nossa, especialmente a quem direciona o processo cultural enquanto organização CPLP, divulgar, defender valores aos mais novos, conquistar fronteiras; igualmente, traduzindo obras dos criadores de Língua portuguesa a outros mercados, preparando programas globais sérios, estratégicos e eficazes.

Tal como desempenhou na sua missão de cidadania e homem da cultura maior, exemplos sobram até recordações no transmissível olhar de Carlos Drummond de Andrade. Quem conviveu, nem por pouquinho, viu passar uma generosidade inesgotável, sentia-se a criança pronta para brincar com vocábulos, sacudindo exaustão, oferecendo uma das coletâneas mais ricas na Língua que a todos aproxima, orgulha, solidariza, nos faz sentir mais humanos.

Embora muitos estudiosos estafem apreciações sobre a obra do poeta mineiro, a sua valorização, o ouro e o diamante que ela contém e transmite, ficou em manifesto universal quando o poeta decidiu que seria isso mesmo: um Poeta totalmente na extensão da sua Língua. Uma razão mais aos responsáveis da Lusofonia. Recomecem contando valores, responsabilidades, modifiquem o processo cultural, incrementando o futuro… porque o futuro… é já hoje.

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