E famintos continuamos!

Por Veladimir Romano

A Organização das Nações Unidas na primeira reunião de Genebra (Suíça, 1962), levantando a questão da fome; mostrou em todas as ocasiões cruciais, a marca da incapacidade humana, do seu estatuto mais absurdo, representado pelas falhas cruéis sobre a ineficácia do sistema econômico. Daqui, nasceram organizações de nível internacional com o Programa Alimentar Mundial; mais tarde, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, reagindo ao problema.

No entanto, muito tempo da luta consumiu as últimas gerações, boa parte dessa caminhada aplicada na relação de conferências, debates, análise sociológica do fenômeno, saltando estatísticas a várias outras infinitas vontades de colocar ponto final no assunto; porém, virou mais uma utopia de âmbito internacional, nunca conseguindo realizar esse sonho, nem perto, exterminando essa incapacidade maldosa sobre estratégias do sistema humano e social de lidar com a produção alimentar.
A ciência conseguiu ganhos históricos, satélites fotografam a milhões de quilômetros no espaço, o homem trabalha planos para Marte, centros nucleares, tecnologias avançadas; mas a fome continua sem preconceito, desinteressada se atinge velhos e crianças, se mata prematuramente, provocando atraso ou subdesenvolvimento. O mal da fome sai imparável, em situações diferentes, nem a maioria das populações e comunidades humanas, dão pelo seu matreiro silêncio… Alguém disse, já faz tempo, que os bilionários da Wall Street, igualmente, nem sabem da fome que eles provocam ao mundo.
Segundo o último relatório das Nações Unidas, entre 2011 a 2013, mais 26 milhões de pessoas famintas; quer dizer: 1 em cada 8, pouco ou mesmo nada têm para comer, ainda que a nível global persistam diferenças em relação ao crescimento econômico dalguns países, regiões há onde ainda existem princípios devastadores do mesmo nada, que nunca mudou.
Por outro lado, emanadas por vários organismos das Nações Unidas na baixa deste problema, apenas temporário, incentivando iniciativas em 73 nações com programas alimentares, conseguiram acudir populações em falta, aliviando a vergonhosa lista; a pouco termo, garantem especialistas das agências humanitárias, entre outras opiniões das organizações independentes, nos locais.
Relatando supostas descidas de números escandalosos da fome e da subnutrição, ultimamente aprovados como de combate com “algum sucesso” (países subnutridos terem vencido uma folga das ameaças da fome); contudo, não garantindo essa continuidade, encontramos novamente mais rápido do que imaginamos, aspetos marcadamente castigadores dessa situação absorvendo outras sociedades, sem garantias que essa sociedade possa ser desenvolvida, rica, tecnologicamente avançada: a miséria, irá permanecer enquanto (particularmente) governantes, empresários, especuladores e banqueiros, venderem suas almas no Diabo, esquecendo quem morre prematuramente, vítima do materialismo desenfreado duns quantos.
Agora vejamos a situação europeia: este 2014, recém começado, será Ano Europeu contra o Desperdício Alimentar. A função desta atividade será a de alertar toda a comunidade para os 89 milhões de toneladas de alimentos produzidos por ano que vão direto no lixo. Para 2020, se nada for feito, a parada aumentará até 126 milhões de toneladas.
Portugal, é bom exemplo deste problema quando criou o seu primeiro Banco Alimentar, atendendo cada vez maior demanda. O velho país ibérico tem quase 2 milhões e meio de gente com necessidade alimentar; ainda assim, 17% da sua produção, cai no lixo… mais dum milhão de toneladas. Um problema crescente depois do efeito colateral da presente crise econômica e financeira  devastando a economia das famílias, criando novos abismos entre ricos e pobres e onde a classe média simplesmente desapareceu.
Hoje, com mais esclarecimentos, o problema; passa também pelo desperdício da energia, mau trato dos solos, água, recursos humanos, economia paralela. A questão, virou ambiental! É mais exigente do que inicialmente se pensa. Com isso, 2014, igualmente, está servindo o propósito igualmente do Ano Internacional da Agricultura Familiar. Assim, criando programas para a eliminação da fome através de projetos a um desenvolvimento rural sustentável. Mais uma vez, soluções de esperança numa maior e melhor gestão decidida dos recursos.
Esperemos que sim, 2014, seja efetivo no silencioso conflito consagrado finalmente a uma cultura alimentar por onde a equivalência de valores consiga criar igualdade; importante, também: consiga estabelecer autossuficiência, maior segurança alimentar, estimulo econômico, parcerias racionalizadas com o sistema ecológico… por isso: que a pobreza e a fome sejam preocupações de políticos, empresários, responsáveis religiosos, mais a banqueiros e multinacionais, destruindo parasitas usurpadores dos processos de especulação no usufruto de bens de primeira necessidade contra povos e necessitados.

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