Eleições europeias com incertezas

por Veladimir Romano

Lá vai tempo quando socialistas, comunistas, trabalhistas e sociais-democratas juntavam energias fazendo a Europa crescer e, em termos sociais, abrir caminhos a reformas que depois da Segunda Grande Guerra, ficaram vivas, inspiradas por gente que sabia sentir o dever, cumprir obrigações, alertados, conscientes em defender compromissos de honra favoráveis ao progresso.

Tirando aqueles países europeus arredados do crescimento, alimentados por ditaduras fascistas: tais como Espanha, Grécia e Portugal, esta Europa responsável e pontual, logo tratou de estabelecer uma das maiores metas sociais, facilitando a vida das pessoas, abrindo fronteiras, estabelecendo retaguarda defensiva; e, quando nasceu a Comunidade Econômica/Económica Europeia, vulgo CEE, a tentação da guerra ficou mais longe.

Cumpre agora o aniversário do Acordo de Maastricht (Holanda), 25 anos quando a CEE se transformou em União Europeia dando lugar ao nascimento da moeda única (euro), ainda que a votação vitoriosa ficasse nos 51% dos então 17 membros (hoje com a saída da Inglaterra ficam 27), misturada com polêmicas/polémicas, coisa que sempre existirá, esta Europa idealista foi andando socialmente equilibrada até no seu total haver consecutivamente caído nas políticas regressivas com sucessivas infiltrações do neoliberalismo econômio/económico.

Várias crises ocuparam espaço, tempo, desgaste e, ao invés do desenvolvimento, reencontrar esses caminhos, foi a vida dos europeus junto com empresas que não podendo resistir a políticas com taxações absurdas aplicadas a todo o mundo (se acredita hoje mais do que nunca, terá sido estratégia desreguladora do sistema. Cada vez que o lado direitista da política ocupou espaço, novos oásis fiscais se abriram aos muitos ricos, aparecendo assim fugas vergonhosas de bilhões), calvário aberto enterrando quantas outras jovens empresas, aumentando desemprego.

Coincidente ou não, o começo da primeira guerra no Iraque, se refletiu negativamente na Europa e, a cada investida militar, mais reflexos negativos foram acumulando o fosso europeu onde desde então não tem faltado políticas descabidas, intempestivas, desreguladoras da ordem, envenenando tudo e todos. As demonstrações da população romena contra o governo (tem 2 meses), em 50 cidades onde as temperaturas chegam aos 6º Celcius negativos, não assustam tanto quanto a corrupção alastrante, coisa cada vez mais na moda na política europeia. A liderança, competência, trabalho sério, dão lugar ao incomparável desregulamento social, práticas ilegais e uma espécie de crime organizado apoderando-se do poder.

O caso sintomático do comércio marítimo onde companhias europeias dominaram desde 1946, crescendo nos anos 60; empresários pagando bons salários, conforto, segurança, justiça aos trabalhadores, tudo viajando em alta, não faltando bons programas de proteção a políticos refugiados chegando em países como a França, Suécia, Holanda, Bélgica, Itália, Alemanha, Inglaterra; grandes abrigos onde ficou a saudade de quem viveu tais momentos. Conhecer personalidades políticas sensíveis, trabalhadores políticos copiosos aplicando o melhor do talento salvaguardando direitos de todos; é coisa que no século XXI, nem todos conhecem.

Quando nos EUA, bancos como este Goldman Sachs, maioritariamente culpado pelas bolhas financeiras destrutivas, acumulando lixo financeiro contaminante duma economia desregrada, desenvolvida a belo prazer pela submissão sucessiva de políticos de mau caráter entregues ou criando sistemas subversivos nos bastidores das maquinações ruins; levaram o planeta a crises multiplicadoras incuráveis, sofrendo a Europa maior impacto nas economias mais fracas.

Pelo seu lado, sofrendo mais políticas direitistas, neoliberais jamais vistas, apenas foram servindo em acumulação dos males do presente. Com isso, não surpreende o nível incerto entre trilhos duvidosos seguidos pela Europa. Não surpreende e receios ensombram a bandeira azul da UE que mais países desejem seguir igual solução britânica.

A confusão reinante no mercado cresceu e o inútil das sanções a uma nação rica, poderosa, criativa, culta como a Rússia; enquanto podia abrir suas portas a investimentos, é banalizada por não aceitar a mesma submissão aos grupos elitistas da economia destrutiva ou sectarista que hoje teimosamente se impõe no mercado europeu.

Se a Europa no decorrer de 2017 vive assustada pelas ideias extremistas, perigosamente racistas, em crescente nas próximas eleições na Alemanha (setembro), Holanda (março), França (abril/maio), Hungria (outono); membros da UE onde o sinal vermelho anda pelos termos democráticos ainda assim limitados, naturalmente esse medo da classe dirigente habituada nas suas mordomias deixando a degradação e submissão aos lóbis, agora estão pagando pelo desinteresse dum lado, e do outro a raiva silenciosa popular mas suicida, sem respeito pela própria existência: daqui ao famoso “populismo”, é o salto que todos estão vivendo.

A crise, afinal é geral. Anda absorvendo todas as razões que anos passados fizeram inveja marcando exemplos nos direitos sociais e na proteção das pessoas como trabalhadores em funções de risco (mineiros, soldadores, técnicos de alta tensão e mergulhadores, operários das plataformas, etc.), recebiam aposentadoria mais cedo e sem cortes ou querendo, individualmente continuar trabalhando, fazendo novos cursos a outras áreas produtivas com tudo pago pelas entidades, acompanhados dos respetivos sindicatos, prefeituras: tinham essa primazia facilitada. Todos se envolviam na proteção de quem vive do seu trabalho.

Na última geração do século XX, o atraso alcançou vários setores europeus, ninguém soube dar a mexida necessária onde a Esquerda também estranhamente, a mar ou na lama. Depois da entrada do novo século tudo mudou rápida e brutalmente. Aconteceu cataclismo, alguém ou alguns acharam demais esse progresso e o alcance civilizacional provocando vistoso retrocesso porém, bom para praticantes criminosos de fronteiras abertas, políticos incultos, economia paralela, desvio de fundos financeiros, sistemas burocráticos emperrados sem resposta, galopante desemprego refletindo depois na exclusão social das crianças, as maiores vítimas. Ainda segundo estudos do Eurostat, 26,9% desta população futura europeia, mora na pobreza, correspondendo atualmente a 25 milhões de crianças de famílias com rendimentos mínimos de 565 euros mensal.

Crise fiscal, reservas baixas, gigantesco endividamento público, desemprego jovem, desequilíbrio entre países, denotam incapacidades geradoras de muitas incertezas, possivelmente enorme buraco negro abrindo um fatal bloqueio social, transladado mais tarde a movimentos contestatários tanto da extrema-direita como a movimentos anarquistas. Numa observação pessimista com razões de sobra, na imagem de outras épocas por onde lutas de rua iniciaram revoluções, desta vez a classe dirigente, vazia, inútil, irresponsável como anda, somente acumula novo terrorismo mas partindo de dentro… da próxima, já não será necessário importação.

Números da Dívida Pública e Desemprego:
Alguns países europeus seguindo regras e aconselhamento dos líderes atuais, não estão conseguindo derrotar a crise, somente acumulando danos; assim… alguns exemplos conseguem iluminar alguma desta escuridão.

Alemanha: tem na sua dívida em relação ao PIB: 81,7% com 6,3% no desemprego; uma das mais baixas. França: 84,9% com respetivo 10%; Grécia: 161% tendo 24,5% sem trabalho; Hungria: 79,8% com 11,9% enquanto o desemprego jovem subiu a 11,8%; Portugal: 119,7% e 15% Espanha: 99% e 22,9%; Itália: 126% e 15%; Irlanda: 129,4% e 9,7%;
Polônia/Polónia: 57% e 7,9%, porém tem uma das taxas mais altas no desemprego jovem, atingindo os 19,6%; Suécia: 40,6% e 7,8%; das mais baixas de todas, tal como a República Checa: 46% e 5,9%.

A Rússia, como não membro da União Europeia, mesmo suportando sanções mantém a dívida em 12,2%, enquanto o desemprego anda nos 5,7%. Tal como a nação turca limitada na sua democracia, perseguição de jornalistas, fecho de redações, liquidou o ano com 42,9% em dívida e 10% em desemprego. Passando pela Itália, uma das nações mães da União Europeia, a crise parece igualmente não ter final; contudo e aproveitando a confusão, a velha raposa da política causadora destes problemas, Sergio Berlusconi, anda novamente rondando o poder; assim, talvez até a Itália entre numa de eleições gerais antecipadas.

Uma Europa que no início de fevereiro acordou em sobressalto na capital alemã, quando o serviço secreto descobriu um novo movimento nazi (Lobos Cinzentos) preparando ataques, carregando respeitável arsenal bêlico/bélico. Assim, 19 dos 45 membros, foram presos. Vai fervendo esta situação germânica igualmente com o mais recente partido: Alternativa para Alemanha (Alternative für Deutschland), tendo na frente um dos mais novos políticos: Björn Höcke (43 anos), conhecido como o “novo Hitler”, bastante popular, subindo nas sondagens… vamos ver qual será o resultado na soma geral das eleições em vários quadrantes próximos numa Europa verdadeiramente sem rumo.

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