Era uma vez… um gato escocês

Por Veladimir Romano
Como resultado colateral da crise mundial, alguns grupos nacionalistas encheram a paciência e, toca de arrancar para autonomias. Um pouco por vários países do continente europeu, é a novidade nos mais recentes cabeçalhos informativos.A mais flagrante de todas, sem discussão, o caso da Escócia, a maior extensão territorial do sistema Reino Unido/Grã Bretanha, onde vivem acima de 5 milhões de habitantes, território com mais de 78 mil klm2, entregues ao domínio britânico há pelo menos 3 séculos.

A Escócia, nasceu no ano de 843 e, numa primeira vez, lutou pela sua independência entre 1332, proliferando conflitos até 1357. Este povo de origem celta, nunca esquecendo o trilho do seu passado, ainda que mediante uma coligação antiga, histórica e repleta de tradições, souberam manter diferenças daquilo que representa ser o “scotsman”; tal como um velho amigo de Glasgow na sua primeira visita a Londres, dizia, sentiu-se como um “gato” no meio de “buldogs” ingleses.

Portanto, a ideia reivindicativa em torno desta fuga para a frente do povo escocês (pelo menos uma parte: 45% votou “Sim”), para quem  conhece o processo de gerações, particularmente depois da descoberta do petróleo no Mar do Norte, passa pelo poder centralizado do governo britânico ainda que nas regras parlamentares dos escoceses com aparentes vantagens, as determinações de Londres sempre limitaram a independência sobre decisões importantes de ordem financeira.

Igualmente a saúde e educação, como a ciência das novas tecnologias, a Inglaterra, limitou esse acesso ao governo local do parlamento  escocês. A base nuclear da marinha de guerra inglesa, foi colocada na Escócia, afastando do território inglês o perigo de contaminação em caso de incidente, a riqueza da pesca tem sido domínio das multinacionais de Londres enquanto, caso a independência chegue um dia; serão 500 bilhões de libras inglesas, a perda dos cofres do governo residente em Westminster, não esquecendo mais 136 bilhões de libras em taxas gerais aos cofres londrinos. Também a crise da indústria náutica chegou primeiro aos estaleiros escoceses, guardando a Inglaterra o ressalvo das docas e estaleiros dos portos ingleses.

Tanto quanto o desemprego escocês, logo após a divulgação do referendo a favor da independência, num ano, saltou de 10% a 6%, realizando a classe política de todos os partidos ingleses, romaria ao território em causa, pedindo para que a Escócia se mantenha na “Union JacK”(o simbolismo da bandeira do Reino Unido onde se juntam três cores da Inglaterra, Escócia e a Irlanda do Norte).

Com ou sem independência, nada parece ficar na mesma; outros receios virão como a possível independência do País de Gales, ficando a República da Irlanda na posição de exigir a libertação do território ocupado em Derry/Londonderry (1.800 milhão de habitantes em pouco mais de 13 mil klm2). Conquanto, na relação com o mercado da UE, a Escócia, embora expresse somente 1% da população; na sua riqueza, a pesca, representa 20%; a energia renovável 25%, e 60% de gás e petróleo.

Com a vitória do “Não” (55%), resta aos escoceses continuarem a luta votando massivamente no Partido Trabalhista, como sempre têm feito. No entanto, em Espanha, bascos e catalães, espreitam a oportunidade dos seus referendos em apelo à independência; tal como na Bélgica, valões e flamengos procuram dividir o país ao meio. Resta por fim a Córsega gritar a Paris e  Veneza, Sicília e Sardenha, apelar a Roma; bem como a região leste da Ucrânia, vivendo novos tempos em favor da separação e a criação de novas repúblicas.

Há mais alguns candidatos espalhando na Europa pequenos estados, resultado aparatoso do capitalismo, este, dominado ele próprio pelo seu veneno das crises onde a má finança criou anticorpos. Desta, a Inglaterra foi escapando pela justa; resta saber se continuará assim.

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