ESTRATÉGIAS EFÊMERAS

Por Veladimir Romano

 
A Venezuela vem atravessando vários meses de conflito urbano. Parte da população jovem, maioritariamente classe média-alta, reclamando produtos ausentes do mercado consumista. Estranhamente, os pobres, aqueles que mais deviam reclamar pela ausência desses produtos: não aparece na rua, nem na reclamação ou nas marchas organizadas pelas prefeituras oposicionistas, contra o regime de Caracas.
 
Olhando ao petróleo venezuelano (o mundo consome 32 bilhões de barris por ano. Segundo especialistas, o planeta tem petróleo para mais 140 anos) entre outras riquezas: o ferro, à produção industrial de aço (reconhecida como de alta qualidade), até uma saudável e crescente pecuária (a produção animal é uma das mais desenvolvidas nos últimos 10 anos com carne e leite); mais a produção de 699 mil toneladas de arroz, boas colheitas de milho, sorgo, sementes, plantas de girassol, sésamo, amendoim. Uma agricultura mecanizada e moderna facilitando o PIB o crescimento de 2,7% desde 2001, idêntico ao dos Estados Unidos, continua em maioria, nas mãos de produtores privados, boicotando todas as tentativas de reforma social e preçários antiespeculação.
 
Entre 2003 até 2013, o crescimento neto da Venezuela atingiu a cifra de 209%. Tendo até a camada rica do país, engordado nas contas crédito, como informam relatórios da banca privada regozijando clientes com cifras de 100 milhões de dólares. Contudo, a fuga financeira do país, é uma das maiores de toda América Latina, com mais de 100 bilhões de dólares em 9 anos de atividade econômica, a nação Bolivariana, sangrou! Para quem afirma que o país vive numa “ditadura”, dados mostram bem o contrário!
 
Margens lucrativas ao comércio retalhista anda na casa dos 30 a 38%; alguns produtos, inclusivamente, recebendo benefícios financeiros do Estado, justamente para evitar-se especulação sobre produtos de primeira necessidade e, para que estes não faltem à população. Contudo, faz tempo, intermediários escalam estratagemas destrutivos subornando comerciantes, fabricando ausência de bens (estes ficam retidos por mais tempo nos armazéns) criando vazio propositado nas lojas, estabelecendo novo ciclo inflacionário.
 
Vejamos: números da ONU de 2013, apontam que exportações venezuelanas atingiram um ganho de 96,9 bilhões de dólares, quando as importações em fase crescente nos últimos 10 anos, foi de: 56,69 bilhões de dólares. O país tem uma dívida de 63,740 bilhões de dólares. Informações confirmadas nas publicações da CIA, já em 2012, onde aparecem relatórios sobre o desenvolvimento, 14 meses após a tomada do governo de Hugo Chávez. A CIA, já em 2002, esteve implicada na tentativa de golpe de Estado para colocar no poder Pedro Carmona; economista, empresário e ex-diretor das melhores petroquímicas, públicas e privadas, entre 1989-2001.
 
Só mesmo de má fé contra qualquer melhoramento social, pode uma sociedade mal acostumada a não dirigir através da sua classe privilegiada as rédeas do poder, como fez pela desgraça e assumida miséria, o enganado projeto social-semocrata de Andrés Pérez (Acción Democrática), fugindo para os EUA, Miami, Estado da Florida (1997), onde viveu seus dias finais (1922-2010) com a bonita soma bancária de 200 milhões de dólares e uma faustosa mansão avaliada em 4 milhões de bilhetes verdes. 
 
O resultado das políticas dos anteriores dirigentes venezuelanos deixou o país com uma população na ordem dos 37,9%, abaixo da linha de pobreza, só debelada depois de 2005, com 48,2%, na pobreza infantil; uma das piores do planeta, segundo documentos das Nações Unidas. Mais: 20% das crianças nunca haviam feito educação formal; enquanto hoje, a educação, é obrigatória e gratuita. Na saúde, também quase 38% da população vivia excluída, com particular destaque nas doenças crônicas, no presente, assistidas por departamentos especializados, para todos. Para resolver a carestia de profissionais de saúde, 25 mil médicos cubanos oferecem apoio sanitário e, em mais de 12 anos, as comunidades carentes receberam centros de saúde, preparando também pessoas e técnicos em assistência primária, com grande destaque e sucesso o projeto sanitário: “Bairro Adentro”. Desde a “Revolução Bolivariana”, vários governos implementaram programas sanitários, facilitando esse sistema a todos, de acesso igualmente gratuito.
 
O governo criou o “Comité de Saúde”, dando apoio direto a doentes crônicos e a menos capacitados fisicamente, com 85 ajudas técnicas. Foi estabelecida pelo ministério tutelar sanitário, os “Nutripontos”, ensinando pormenores educativos quanto ao melhoramento de hábitos alimentares. Em 3 anos, foram entregues mais de 550 mil casas, totalizando mais de 3 milhões, desde o ano 2002, quando se deu início ao processo de reforma habitacional aos favelados. Foram criados 900 centros informáticos com servidores totalmente gratuitos, na responsabilidade do “Executivo Nacional”, trabalhando nas capitais desde 2007, em redes de wi-fi, para todos, um decreto constitucional número 825/2000, visando o acesso gratuito (mesmo muito superior ao dos EUA), como estratégia cultural, desenvolvimento, economia social e político.
Contudo, a luta continua contra heranças desgovernadas, forte corrupção da qual a velha classe política se alimentou durante gerações, desviando do país 111 bilhões de dólares. Verbas que deixaram saneamento inadequado a 32% da população, subnutrição em 17%; 19%, sem acesso a água e 48% de níveis de pobreza, fazendo da Venezuela o país mais desigual de toda América Latina. Luta que a revolução assumiu, hoje, oferecendo novos padrões ao povo desfavorecido, dividindo assim melhor as riquezas da nação. Foram adjudicadas em 16 bilhões de euros os apoios na reforma do país, retirados dos dividendos petrolíferos. Grana que anda fazendo mal na gula e nos sonhos materialistas dos ladrões desejando poder, dominando o Estado, dos oportunistas de ocasião, lotados de ideias, sim, mas de valor elitista e pessoais.
Riqueza essa, ainda, aguçadora de gulas nas elites financeiras mundiais, quando a região do Orinoco reserva minérios; como as maiores jazidas petrolíferas do mundo, de alta qualidade; tal como Maracaíbo (bonita região turística de ilhas e praias) ou Miranda (Estado oposicionista, governado por Henrique Capriles desde 2008, recebeu para sua campanha 105 milhões de dólares da embaixada americana). O justo ano no qual o governo de Hugo Chávez valorizou a moeda nacional, o “bolivar”, em moeda forte, coisa que os americanos não apreciaram. Como não gostaram dos acordos militares com a Rússia. Muito menos a travagem sobre a IBM, faturadora ainda assim em 2013, da soma de 7,57 bilhões de dólares em lucros… não chegando para alimentar o ego e egoísmo capitalista.
Com a viragem política em certos países latino-americanos; é o próprio insuspeito informativo da “Wall Street Journal”, em artigo de primeira página: “Seguindo políticas demasiado distantes da economia sustentada pelo dólar, América Latina, passa sendo uma ameaça para o lucro das multinacionais norte-americanas…”! Também descobriu a informação dos serviços secretos da Casa Branca, que a Venezuela, desde a operação reformatória bolivar, o país cresceu 20 vezes mais em valores sociais. Em 7 anos consecutivos manteve níveis de 2,7 a 2,9%; enquanto os americanos nunca ultrapassaram os 2,7% e a União Europeia, 1,3%, na produção de riqueza e distribuição social. A Suíça e a Inglaterra, igualmente não gostaram que o Estado venezuelano, tivesse transferido o ouro nacional depositado no estrangeiro, para Caracas.
Entenda-se por fim, como países ricos da região do continente americano têm alimentado multinacionais como a gigantesca “Monsanto”, com sede na Califórnia, contestada a nível mundial, gerando fortunas ao sistema financeiro de Washington. O agronegócio, em 3 meses, rendeu para a empresa, entre Brasil e Argentina, mais de 126 milhões de dólares. Por outro trimestre, explorando sementes de milho, soja, algodão; deram lucro de 2,4 bilhões de dólares, tendo os genéricos mais uma recompensa de 89,5 milhões de venda mensal. Claro, fica muito claro que a Venezuela, seja uma nação marcada para morrer, tal como os restantes países personalizando suas reformas sociais, controlando suas riquezas, fugindo da corrente de influência financeira (dominante) norte-americana; infelizmente, estes, sempre achando aqueles que amam mais a cor do dinheiro do que o respeito devido a suas nações, sua História e seus povos. Convém dividir para reinar, jogando com a classe favorecida, nesse momento, privada de usurpar e vender a qualquer preço riquezas nacionais.
 
Novamente, com isso, nos domínios das jogadas oportunistas, comandantes da democracia forjada, ficam amaldiçoados, quando outros países manifestam sua musculatura armada, como está acontecendo com a Rússia. É sabido hoje, que a CIA, depois de 1988, desenvolveu um plano para dividir a Rússia em três nações, todas favoráveis, entregues a grupos mafiosos oligarcas locais, a soldo de dólar, reciclando esses pedaços depois a multinacionais norte-americanas. A infâmia das estratégias efêmeras parece um filme de terror montado a doença epidêmica. No mapa, a Venezuela, é mais um alvo pronto para deitar na lama, destruindo 16 bilhões de dólares, como estratégia antipobreza que o processo revolucionário assumiu, no goto duma elite predadora.

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