Europa não aprende e Ucrânia fica na balança

Por Veladimir Romano


Não chegará a nada o recente acordo de paz alcançado com sacrifício na frígida cidade, capital da Bielorrússia: Minsk, caso o respeito e a consciência dos políticos não entre em ordem exigente, tudo irá cair,ficarão esperanças e novas vítimas em agenda.

As consequências da estratégia oportunista dos países membros da organização militar da OTAN/NATO, aproveitando um país como a Ucrânia, vizinho da Rússia, ferrando fantasias, promessas e o perigoso jogo das fronteiras militares; sofreu tremenda implosão.

Afinal, a cultura das políticas tendencialmente expansionistas, não deixam ninguém dormir nas vizinhanças de Washington até Bruxelas. Igualmente, é declarada a tentação belicista dum sistema que já devia ter terminado seus dias com uma profunda reforma (20 anos atrás), ao invés de crescer no velho conceito da perseguição das “bruxas” vindas do leste europeu… a “Guerra Fria” que alguns fanáticos tanto gostam.

Vários anos depois, se vê como a doença é pegajosa, articulada com a total submissão dos estados europeus entregues aos caprichos “made in America”. Com a globalização carregada de problemas, limitando valores, criando vazios, desumanizando sociedades, ameaças na soberania de nações poderosas como a Rússia, onde a velha escola militar e a resistência na defesa do território é reconhecida pelo valor mental, político, cultural, social e, agora, cada vez mais o econômico; grupos monopolistas ocidentais, pelo trajeto, não ficaram com nenhuma lição do passado.

As populações da Federação Russa, pela experiência histórica que levam, nunca se vão intimidar com sanções, cortes, embargos, boicotes, sabotagem…
Nada vai chegar no cardápio quer dos norte-americanos ou europeus para desintegrar uma nação como a Rússia. Enganados vão os tristemente ignorantes, aqueles entendidos ou capazes de metralhar um país que ao longo da sua história, confrontou invasões vikings, chinesas, mongóis, tártaros, japoneses; seguidamente, napoleônicas, mais tarde, nazis. O povo russo resistiu 900 dias e noites de bombardeamento das tropas alemãs, vitimando mais de 20 milhões de pessoas: porém, no território
russo, ninguém entrou.

Não será agora com a Rússia sendo um dos países mais nuclearizados domundo, de ciência avançada, gigantesco exército e um dos mais completos serviços de inteligência mundiais, serão papa-doce em caprichos da política internacional e dos seus mandatários. Mais: o recente acordo sino-russo, assinado no outubro de 2014, em realidade, ninguém sabe o que é, nem o melhor espião saberá. Mais: acreditamos que numa eventual guerra, certamente a Rússia teria do seu lado muitos outros países, cansados das leviandades, abusos de poder e dominação exaustiva pelo planeta, protagonizado pelo egoísmo das elites norte-americanas, a imposição escandalosa do dólar massacrando o mercado e a falsa modéstia duma democracia monopolizadora da boa vontade dos povos no seu global.

A pressão sobre europeus aplicada pelo mentor da Casa Branca, debaixo de fogo da elite agressiva do lado republicano, nas mãos do Tea Party (partido cadastrado de coisas pouco abonatórias), está querendo conduzir a Europa ao conflito aberto com a Rússia em momento de grave crise, que não deixa de ser geral; uma Europa indefinida do jeito que anda, arrastando gigantescas dívidas de 18 países da União. O maior dos pessimistas dirá que a entrada num conflito, seria loucura total na destruição do projeto que justamente nasceu com ideias e escolha de exterminar a guerra de todas as guerras no solo europeu.

O negócio é claro: enquanto se alivia a crise da indústria do armamento norte-americano, abrindo outra grotesca crise humana maior que a desgraça atual em negócio de multi-milhões nas mãos da minoria de republicanos nunca olhando a meios para alcançar fins… tal como a Inglaterra que através do seu ministro do exterior, Philip Hammond, afirma que o seu país se acha no direito de mandar armamento para a Ucrânia (pudera; Inglaterra vende anualmente mais de 7 bilhões de euros em armamento)…
assim, os urubus, já rondam de pandeiro no bico o festival das carcaças.

Inocentes não faltam. Povos, gente anônima, sempre os mesmos infelizes na mira do canhão, alimentarão o vício do qual dos homens e da sua descarada filiação selvagem, podendo em qualquer instante esquecer que o século XXI tem caminho andado, tempo muito útil para que ordens dominantes pudessem sair da face da Terra. Caso a Europa ceda mais, a Ucrânia ficará na balança…

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