Futebol também marca gol na economia

Por Veladimir Romano
 
A triste notícia da imprensa diária, dando conta do brutal acontecimento em viaduto, numa das capitais da Copa (Belo Horizonte, Minas Gerais), é uma das falhas que já temíamos dessa realidade das construções desenvolvidas com baixo critério de fiscalização e atempadamente organizadas para que pudesse mostrar um Brasil bem mais responsável tanto com a vida doméstica, como assumindo grandes eventos internacionais. Bom ter em conta que o Rio de Janeiro será palco doutro próximo megaevento olímpico. Depois: seguindo denúncias das trapalhadas com bilhetes, manifesta fraquezas na cabeça de pessoas sem caráter, querendo arruinar a imagem do próprio futebol.
 
Polêmicas em torno ao futebol, vão continuar até na exaustão psicológica; no entanto, uma em muitas questões, cresce largamente a cada dia. A influência do jogo da bola, o esporte/desporto rei maior dos estádios, infiltrando corredores da ciência econômica, no presente, de forma indiscutível, dominando mercados a vários níveis e gosto.
 
Tão alto subiu a economia proporcional trazida pelo futebol, que a corrupção foi ocupando seu lugar, discutindo hoje valores de milhões a quem for capaz de vender mais rapidamente os sentidos do seu caráter e da sua dignidade. O futebol cresceu, tem força mediática, negócio chorudo nos canais de televisão, no cinema, na rádio, jornais, revistas de luxo, disputa entre profissionais da especialidade, criação de jogos de fortuna e azar; não acaba mais.
 
Não é por acaso que o prestigiado jornal francês: “Le Monde Diplomatique”, do mês de julho, preparou uma profunda análise repleta de artigos totalmente dedicados ao fenômeno das quatro linhas onde rolam bolas fazendo ganhar milhões e pernas valendo outro tanto. Até norte-americano já elevou a estudo sociológico e académico, nas suas universidades, valores futebolísticos, de tantos milhões divulgados; enquanto o novaiorquino “Epoch Times”, dedica páginas ao impacto financeiro, quanto as análises de agências como a Ernst & Young, aponta que nas 12 cidades do torneio, foram criados 3,630 milhões de empregos, aumentando a rendas das populações em mais de 35 milhões de dólares, arrecadando as finanças públicas benefícios fiscais, quase 11 milhões de dólares.
 
Das análises do jornal, este ainda afirma que o mundial de futebol trará benefícios econômicos ao Brasil a longo prazo, aumentando o turismo em 79% e garantindo nas cidades do megaevento, mais de 80 milhões de dólares na economia local, podendo refletir na renda do próximo campeonato brasileiro que neste momento ocupa a 6ª posição mundial, depois da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França. Graças ao futebol, o PIB brasileiro triplicou nos últimos dez anos, saindo de 880 milhões a 2,4 bilhões de dólares; enquanto na Europa aumentou 35%, em África, mantém a economia crescendo a 4,8%. Na Copa 2010, a economia da África do Sul, estabilizou, tendo um acréscimo no turismo em 2,2 milhões de visitantes e um impacto de 1,3 bilhão de euros na economia. 
 
Asiáticos, também aproveitam e, da Malásia, Cingapura/Singapura, disputando mais valias, sobram copas e campeonatos ocupando o mundo das apostas envolvendo bilhões, promovendo marcas internacionais de todo o tipo de materiais, segundo a japonesa Nikkei Asian Review. Lojas cativam crianças com camisetas das seleções onde o nome Pelé ainda ressoa, agora junto ao de Neymar. Pode até conter defeitos algumas destas histórias sobre o futebol pela Ásia; mas a paixão não parece ser diferente… Por ali igualmente falam que o futebol é a prática mais democratizada do planeta e é o caminho possível de jovens humildes, chegarem um dia ao estrelato internacional.
  
Atitude, educação, o respeito, outros valores podem cair, mas o futebol segue o seu trilho mágico sem evitar maus exemplos. Vejamos: não surpreende por isso, que o famoso Leonel Messi, estrela argentina, julgado pelo tribunal da cidade de Barcelona pela fuga de impostos, acumulando uma dívida junto da Fazenda espanhola de 18.7 milhões de reais; porém, não sendo caso virgem, tem sido o mais badalado. Se entende da nota preta que o pequeno “portenho”, não terá ganho… se fala, até de lucros em amigáveis… o pixote, não perdoa, hem!
 
Saber do mais bonito, ainda que o futebol tenha suas falências, ele contribui em apoios beneficiários ao ano, com mais de 7,7 bilhões de reais a muitos carenciados, especialmente crianças… assim, hospitais, casas de saúde, escolas, estradas, centros de prática a diminuídos fisicamente, piscinas comunitárias e outros complexos de pura ginástica, ganhando. Tudo tem saído apenas do futebol com apoios diretos a populações carenciadas, sem discriminação, desde a Palestina ao pequeno território de Tonga, no Pacífico… Até mesmo influenciando a retirada de políticos do poder, como aconteceu no Egito, com a queda de Hosni Mubarak, graças pela intervenção concertada das torcidas do Al-Ahly e do Zamalec (os dois maiores clubes do país), notabilizando o contrapoder, saído das bancadas dos estádios de futebol, para as ruas, a energia passa a coletiva.
 
Tal como foi preparado nessa coletiva entre a população, governo federal, governo da Bahia e prefeitura de São Salvador; acasalamento perfeito que gerou renda local até esses últimos dias em mais de 300 milhões de reais; tendo o comércio de pequenos eventos e mercadorias, ganho mais 1,203 milhão de reais, mantendo alguns voluntários ordem pública atenta, contra a pilantragem de certos marginais oportunistas.  
 
O futebol, cresceu, como tudo na vida quando alguma coisa pega embalagem; como não será de estranhar o namoro de partidos políticos a estrelas do mundo do futebol ou, como alguns, depois dos gramados, desejem praticar política, ganhando outros palcos, novos protagonismos. Continuando: organismos portugueses de economia, antes do começo da Copa 2014, vaticinando a possibilidade da sua seleção vencer o campeonato, entraria nos cofres da nação Lusa, mais de 600 milhões de euros de lucros. Resta a “canarinha” fazer por isso para que esses milhões cifrados fiquem falando português, sobrem para aplicações saudáveis onde o povo brasileiro ganhe também com essa Copa!  

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