Gestão de resíduos em Itabira

Nivaldo Ferreira dos Santos*

J[a comentamos em alguns textos anteriores sobre o potencial econômico da destinação correta e do aproveitamento do lixo que produzimos em nossa sociedade de uma maneira geral, inclusive em Itabira, onde temos alguns projetos importantes e outros com grandes possibilidades de serem implantados, com ações já previstas no nosso Plano Municipal de Saneamento Básico de Itabira, aprovado como lei municipal em agosto de 2016, e em condicionantes da Licença de Operação Corretiva obtida pela mineradora Vale S/A em 18 de maio de 2000.

Recentemente realizei algumas pesquisas sobre esse tema e conversei com pessoas que atuam na área, como Elísio Marcos Cota Silva, engenheiro que trabalha há várias décadas na Itaurb – Empresa de Desenvolvimento de Itabira Ltda… Nessas conversas ficou claro que a Itaurb tem cumprido um importante papel e consegue destinar grande parte dos resíduos gerados em Itabira, através de parcerias com empresas que reciclam vidros, papéis, plásticos e alguns outros materiais, mas ainda estamos longe de aproveitar todo nosso potencial em termos de geração de negócios e melhorias nas áreas de meio ambiente e saúde.

Em meio às minhas pesquisas, localizei na internet a dissertação de Mestrado em Engenharia Ambiental de Sarah Fraga Silveira, de setembro de 2018, cujo título é “Avaliação da gestão de resíduos sólidos urbanos no município de Itabira (MG):uma ênfase na coleta seletiva” – trata-se de um estudo sobre a implantação da coleta seletiva em Itabira, que inclui a avaliação do desempenho dos serviços de limpeza pública e manejo dos resíduos sólidos, com foco na coleta seletiva e triagem dos resíduos recicláveis. Sem dúvida, um trabalho muito rico e que deveria ser conhecido e estudado por todos que participam da gestão dos resíduos e de ações ligadas ao meio ambiente e à limpeza urbana, principalmente em Itabira.

Entre as conclusões da avaliação documentada em sua dissertação, Sarah Fraga Silveira aponta como principais aspectos positivos: boa cobertura da coleta convencional e seletiva, com destinação regular e diversificação das atividades desenvolvidas pela Itaurb; condições de trabalho no Centro de Triagem da Itaurb mais favoráveis que em cooperativas de catadores, especialmente pelo processo ser realizado por funcionários concursados da Itaurb, sendo garantidas as condições exigidas de salubridade; a presença da Vale S/A, que se revelou como positiva para a gestão e gerenciamento dos resíduos, tendo papel fundamental para a construção do aterro sanitário e contribuindo para o processo de educação ambiental.

Por outro lado, as principais deficiências observadas foram as seguintes: os custos do serviço são elevados, pois o município não possui nenhuma taxa específica que garanta a sustentabilidade econômica do sistema, e aumentaram entre os anos de 2016 e 2017; a limitação do espaço físico e da infraestrutura instalada, sem alternativas de expansão – com isso, a quantidade de rejeitos é alta e a eficiência do sistema acaba sendo baixa.

Completando as conclusões, o texto da dissertação traz também observações e sugestões importantes – por exemplo: há uma extensa variedade de categorias de triagem, o que demonstra a qualidade dos materiais e é confirmado pela venda do produto para várias cidades de Minas Gerais e São Paulo, com um dos preços mais altos praticados para todos os tipos de resíduos; há uma postura de proatividade nas vendas e abertura para inclusão de novas categorias de acordo com a demanda; há discussões sobre a viabilidade de implantação de uma cooperativa de catadores, que realizaria a segregação em parceria com o Centro de Triagem, dividindo os materiais recolhidos na coleta seletiva como alternativa para o aumento da quantidade de materiais triados e redução dos custos da triagem; há boa adesão da população e consciência da importância da reciclagem já internalizada na cultura do município, mas a participação poderia ser maior com a conclusão da atualização das rotas de coleta, incluindo as ruas que não recebem o serviço porta a porta, ou intensificando as atividades de educação ambiental, que seriam especialmente úteis para esclarecer a respeito dos resíduos contemplados pela logística reversa; é urgente a elaboração do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos ou a adequação do Plano Municipal de Saneamento Básico para definir as alternativas para destinação e/ou reutilização dos resíduos de construção civil e para verificar a viabilidade da implantação da cooperativa de catadores; há necessidade de uma reorganização administrativa, com a documentação de todos os detalhes do funcionamento do sistema e avaliação periódica dos indicadores, buscando minimizar os efeitos da oscilação dos cargos de confiança de acordo com mudanças da administração pública.

É isso mesmo: ainda há muito a ser feito… E brevemente traremos mais informações a respeito. Aguardem!

 

INTERASSOCIAÇÃO

A Interassociação dos Amigos dos Bairros de Itabira, entidade que congrega as associações de moradores das comunidades urbanas e rurais de Itabira, iniciou o ano em ritmo acelerado. No dia 8 de janeiro de 2020, após um recesso iniciado em 9 de dezembro de 2019, a Interassociação retomou o atendimento ao público realizado de terça-feira a sexta-feira, no horário de 13 às 17 horas, na sala 42 do Mercado Municipal “Caio Martins da Costa”, localizado à Avenida Carlos Drummond de Andrade, 535 – Centro – Itabira/MG.

Além disso, a Interassociação já retomou também o trabalho de apoio às associações de moradores na realização de eleições para a escolha de novas diretorias e está preparando para o próximo domingo, 2 de fevereiro de 2020, a primeira reunião deste ano da Assembleia Geral Ordinária da “Inter”, com a previsão de discutir assuntos de grande importância para toda a comunidade – a reunião será às 9 horas na sede da Interassociação, que fica na Avenida Duque de Caxias nº 980 – Esplanada da Estação – Itabira/MG. Informem-se e participem!

* Nivaldo Ferreira dos Santos é Mestre em Administração Pública, Professor, Líder Comunitário e Servidor Público

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