“A grande estafeta da escuridão humana”

Por Veladimir Romano

Quando vamos descobrindo da quantidade de atos injustos, enchendo aquilo que pensamos ser um planeta civilizado; descobrimos a cada virar de esquina o sofrimento alheio ser ainda maior, mais bizarro do que aquele com o qual nos debatemos junto às nossas portas, vamos vendo e descobrindo da enorme estafeta onde o cidadão entra na sua própria escuridão.O mais recente relatório da fundação australiana dos direitos sociais:

a “Walk Free” (Caminho Livre); relata informações da situação planetária sobre escravatura. Desde 2013, anuncia, subiu 20%, com destaque na Ásia e em África. Quase 36 milhões de seres humanos, incluindo crianças, idosos, até pessoas diminuídas fisicamente. Como podemos aceitar?

Desta desumana situação fazem parte 167 nações, todas com lugar 
marcado na Assembleia Geral da ONU. Como se a realidade tivesse de optar por algum corredor de maior obscurantismo e, essa seja então a zona abstrata por onde responsáveis e líderes desprezam uma parte de seres humanos, descartáveis, marcados a vítimas da exploração alheia.O caso mais flagrante vem da Mauritânia onde 4% da população é escrava (3,8 milhões); a Índia será o pior exemplo com mais de 18 milhões. Serão
ainda mais 8 nações, das piores, com cadastro medieval; contudo, sem que organismos internacionais consigam colocar cobro a tal situação. Tal a força

inegável de cariz anti-civilizacional aplicada pela corrente negativa fazendo circular avultadas somas financeiras deste proveito ilegítimo.

É aqui, na zona de todas as perversas atitudes consentidas a certos incapazes de colaborarem com a vida, explodindo outras realidades dominadas pelo 
sistema financeiro vigente, com enorme cadastro, economicamente dispensando valores humanos, moral e até limites realistas exigindo alguma
ordem pensadora sabendo explicar razões de tanto mal, ainda desta forma não 
esquecendo que a cifra mundial de crianças escravas, atinge a penosa, violenta e embaraçosa média de 400 milhões de vítimas.A imprensa de todo o mundo criou manchetes dedicadas no assunto, aparecendo notícias surpreendentes como na Irlanda, onde foram

descobertos 20 romenos trabalhando forçados, pagos apenas pela comida; em Portugal, foram descobertos 1.400 cidadãos moldavos e romenos, escravos em apanha da azeitona. A Interpol (Polícia Internacional), resgatou 76 crianças na Costa do Marfim… Espanha, França, Inglaterra, Grécia, Turquia: já parece uma questão endémica, brutalmente desregulada.

No Estado de São Paulo foi denunciada a situação exploradora da multinacional espanhola: Zara, praticando 52 infrações das leis laborais brasileiras, numa das suas muitas fábricas explorando crianças bolivianas e peruanas, trabalhando estas, uma média de 16 horas diárias. Acredita-se que só no Estado de São Paulo, existam 100 mil bolivianos escravos.
Porém, outra situação infame, chega de Angola; das nações mais importantes dentro do conjunto da CPLP, registando igualmente uma situação de abominável escravidão, a todas as razões, inaceitável. A mesma organização aponta em mais 76 mil escravos na relação a 2013; hoje, Angola, com 93.400 mil pessoas retidas a trabalhos forçados, é um péssimo exemplo de modernização africana.

Deste pequeno texto, pouco deduzimos senão o ligeiro comentário trucidado pelas agitações diárias de quantos problemas acumulados na sociedade, engolem neste sistema canibal por onde o capitalismo sedento de materialismo, obcecado pelo poder, não perdoa. No entanto, pior será que este tema irá pela certa cair no esquecimento, até na secretaria-geral das Nações Unidas, ficará na fila esperando melhores dias.

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