A grande república das bananas

Por Veladimir Romano

Quer olhemos a Europa de perto ou de longa distância; a ilusão, engana a consciência. Escutamos dos líderes europeus discursos carregados de boa vontade, humanismo, postura, esperança, raciocínios bem enumerados; mas, logo, logo, depois desse momento criador, nasce a repulsa e o crédito maior do engano em tanta acrescida fantasia.

Depois da Grande Guerra, nua a Europa viveu momento tão desfigurado, especialmente a postura carregada de covardia, objeções, faltas e ausência séria de soluções inteligentes. Com particular enfoque na Europa dos 28, a tal União Europeia, mais desunida e desumanizada como nunca se viu. O desemprego aumentou mais 1 milhão (de 45 para 46), a pobreza igualmente passou dos 125 milhões, desigualdades sociais cimentando posições e uma tremenda crise humanitária colocando governos na fronteira desesperada e obscura da incapacidade.

Realmente, tempo já lá vai quando perante tantos desafios, via-se a conclusão do projeto humanista que foi crescendo seguidamente à Grande Guerra. Na Europa, fazia-se questão de dizer, defender, empurrar o resto do planeta para a salvaguarda e aplicação dos Direitos Humanos. Regiões como a Escandinávia, apoiaram muitas causas sem medo e, abrindo suas fronteiras a todos aqueles que quisessem ali encontrar paz, respeito, oportunidades e algum futuro com sua liberdade política, religiosa, ou outras necessidades defendidas.

Porém, o mundo deu muitas voltas e a questão desses direitos parecendo infinita, estão acabando na escuridão do poço. Nunca a Humanidade viveu em tanta condição democrática, abertura, falatório, opção ativa, discussão social e, agora sim, deveria todo o valor do trabalho desenvolvido no passado, andar valendo. Afinal, o século XXI com sua tecnologia de ponta, é o princípio nato que foi vazando essa quantidade do discurso atual. Como dizem por aí… “muita parra e pouca uva…”; em muita frustração política, desencontro social, fuga capitalista, entre outras ilegalidades medonhas, colocando a Europa numa posição flagrante de grande república das bananas.

A quantidade vergonhosa de fuga fiscal aumentou, traficância de seres humanos sem barreiras (elas existem para trabalhadores em busca do seu pão, mas não para marginais), crime e droga em escala industrial, são realidades crescentes e agora a posição dos movimentos políticos de extrema direita e nacionalistas doentios, andam tirando sono a Bruxelas, incluindo os próximos referendos depois de junho na Inglaterra (o mais sensível), como dos restantes 7 estados como a Finlândia, Hungria; os mais contestatários das regras, concentracionismo político, poderes dispares, exageros da Comissão Europeia e dos parlamentos tanto de Bruxelas como de Estrasburgo.

Dos efeitos: olhando e testemunhando a desgraça contínua na qual a Europa ocidental com suas forças militares muito mal disfarçadas andam destruindo outras nações vizinhas indefesas, provocaram este espetáculo desgraçado que vamos assistindo no Oriente Médio, cruel e desumano. O efeito catastrófico deu na fuga em massa das populações, sofrendo, povos se arrastando de fronteira em fronteira; para agora na tal Europa civilizada, solidária, berço dos Direitos Humanos, trancar suas fronteiras a quem mais precisa, depois de infernizar países que nunca saíram do seu mar de angústias.

Muito bem; a Direita e movimentos neo-fascistas, como abutres, andam afiando suas facas desejando que voltem velhos tempos nazis. Os líderes, enquanto pela porta dos fundos deixam fugir banqueiros, ricalhaços sem vergonha, empresários preparando crônicas fugas fiscais: outros, levantam barreiras, criam-se argumentos e, novamente, responsáveis políticos desfocam da sabedoria para a estupidez conveniente contra inoportunos “refugiados”, “migrantes” e outros tantos que desejem chegar a este paraíso humanista que se chama Europa; uma vez que todos lavaram as mãos sobre tamanho engano de andar estabelecendo geo-estratégias no Mediterrâneo, continuando sem que ninguém veja, praticando velhos tiques e truques nas antigas colônias, combinando muito bem com novos líderes da malha corrupta que inunda a banca desenvergonhada e marginal espalhada pelo planeta.

Muitas reuniões das lideranças já sem nexo, apenas procuram tapar buracos do equívoco, atrapalhar mais ainda a vida de quem já nada tem e só o direito à vida consegue ainda sustentar; como eles conseguem realmente resistir a tamanha desilusão, humilhações, frieza macabra de tanto político irresponsável, ausência humanista e desordem agravada contra a própria civilização.

Com viagens pela Europa nos últimos nove meses, ficamos testemunhas do tremendo embaraço político, da incapacidade realizadora favorecendo confusão e da falta total de competência tanto do Parlamento Europeu como dos parlamentos nacionais sustentando o vício das fantasias habituais quando não se tem capacidade positiva e corajosa ao confronto, sobrando efeitos colaterais das más decisões estratégicas, das tentações dominantes ainda no consciente de nações que foram potenciais colonizadores, dominantes das economias, impondo o lado baixo da invasão do sistema capitalista que vai resistindo… mas, destruindo, minando vai pela negativa a maioria da vida do palco europeu, destruindo também o sonho lindo que um dia Jean Monnet teve.

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