Imprecisa Analogia de Trump a Obama

Por Veladimir Romano

Depois da eleição e da escolha final do novo presidente norte-americano, o grande país do continente ficou numa situação nunca antes vista nesta história das presidenciais com dois presidentes no ativo. Um novo candidato imprevisto ganhando aquilo em que muitos não acreditavam fazendo uso da sua ansiedade política totalmente desconhecida, e outro no seu final de mandato queimando últimas tarefas, procurando bloquear determinados projetos sociais agora na ponta da mira destrutiva de Donald Trump.

Empresário pela primeira vez conquistador, levado ao poder, é sinônimo/sinónimo do quanto esta classe dominante anda desejando correr do poder, habituais mercadores da política, senhores das teorias e, voltamos ao velho ditado: “Se você quer bem feito, vá e faça você mesmo”. A lógica parece ser essa quando se olha este exemplo em algumas nações (Ucrânia, Gabão, México, Argentina, Paraguai, Honduras), gente da alta finança e do mundo empresarial, rondam seriamente o poder, destronando partidos e políticos de carreira.

Alguma coisa bem discutível anda passando na cabeça dos eleitores quando não sendo nem tendo afinidades com este tipo de personagens, acabam votando de forma consciente no desconhecido, tomando orientação aventureira. Isto tudo mostra como já poucos são aqueles que mantendo ideias, não conseguem manter pedagogia política e ou muito menos ideal coletivo do bem social. Se vê o egoísmo individualista e a fome consumista varrer soluções que da importância geral, acabam em nada, enganando os próprios procuradores duma mudança positiva; deste modo, quaisquer razões existenciais terão reservas perante qualquer sucesso anunciado.

Olhando ao final da sua tirada política, Barack Obama, sendo o primeiro presidente de origem africana, sinceramente, bem que muita coisa foi colocada na balança como fatores alcançáveis, capazes das ambições pessoais e política externa dos EUA. Este equilíbrio caiu quando a “Primavera Árabe”, cobriu de sangue países como a Líbia, desequilibrou o Egito, Tunísia (não esquecendo pelo efeito colateral, a quebra das fronteiras no interior do território africano sofrendo terrorismo) e, finalmente dando alimento bélico na situação tanto do Iraque como no Afeganistão, naturalmente tinha que sobrar para a Síria.

Parece que cada presidente norte-americano não resiste e cai na tentação de provocar danos sempre em alguém. Ora, para Barack Obama, felizardo ganhador do Prêmio Nobel da Paz; que contraste! Fica essa nota negativa, contudo, a boa nova apagando mais de meio-século vergonhoso do embargo a Cuba, colocando muito honradamente ponto final, abrindo portas e relações futuras agora prometendo o novo presidente Donald Trump, diluir esse acordo, tanto quanto contra o Irã/Irão, onde a coisa será bem mais complicada por entrar pela questão sensível nuclear.

Como presidente, Obama, no seu trajeto como líder da nação, conseguiu com muito esforço em contexto desfavorável; pois a herança deixada por George Bush foi pesada, desafio ingrato, respondendo Obama até na sua última participação como servidor público com a criação de quase 11 milhões de empregos sem chantagem sobre empresas ou empresários; ao contrário de Trump, prometendo diabos e coriscos sobre quem sair do território levando trabalho, investimentos e capital para fora. Assim, enquanto Obama carregou taxas naqueles mais abastados, Trump deseja exatamente o contrário. Com taxas mais altas sobre fortunas, Obama quase liquidou uma das maiores injustiças na mais rica nação do planeta: a questão de honrar assistência médica e apoio social para quase 50 milhões de norte-americanos pobres sem acesso a um dos direitos fundamentais de qualquer democracia.

Muito bem; Trump, considera o projeto “Obamacare” (Obamacuida), um “disparate” e toca de anular num desejo macabro que vai colocar certamente aceso debate na zona congressista do Capitólio. A ideia de Trump é elevar essa situação numa de mercado livre para que seja entregue nas mãos de companhias seguradoras, tendo esta solução no mercado livre melhor solução, coisa que pelo jeito capitalista, não terá final feliz para ninguém.

Das mais recentes sondagens, Trump, tomando posse presidencial, somente tem de confiança 39% da população. Difícil então fica explicar para onde foi o restante dos crentes? Igualmente da recontagem exigida pela candidata “verde”, depois acompanhada pelos democratas; Hillary Clinton, ganhou na votação do voto direto popular, quase mais 3 milhões de votos do que Donald Trump. Como sucede pela terceira vez nas históricas eleições sempre favorecendo republicanos, parte do povo pede para que seja totalmente revisto o processo norte-americano: algo está errado.

Com Obama, a banca provocadora, destrutiva do sistema, oportunista, maquinada para o lucro a todo o custo, foi castigada levando pesadas multas e muito dos gestores culpados, presos. Muita legislação melhorada defendendo o mercado, investidores e acionistas incautos, ocuparam meses a fio as preocupações da sala oval da Casa Branca, tanto quanto a manutenção estratégica favorável na continuidade do baixo juro, evitando assim mais especulação desmedida. Contudo, Trump, vive da especulação imobiliária, monopolista de casinos, possui somente em território USA, 500 empresas de vários ramos.

Obama, não conseguindo fechar uma das suas promessas mais aguardadas pelos norte-americanos (incluindo indiretamente cubanos), o fecho do centro de prisioneiros de Guantanamo (no pedaço da nação cubana na baía dos Porcos), pouca atenção mereceu de Trump. Tanto como utilizar dinheiro público na banca privada.

Talvez tanto Obama como Trump, fiquem no empata como plena analogia de duas personalidades tão diferentes, sendo Trump mais impreciso, seja o da proteção dos recursos. Obama deixou claro algum respeito pelo Ambiente mandando anular mais plataformas na exploração de petróleo no Alaska, mas Trump continuando com perfurações em busca dessa riqueza encontrada no xisto (muitos Estados estão sofrendo contaminação das águas friáticas e o chão rompendo, graças a esta nova fórmula), alimentado pelo grupo administrativo em torno de Trump, qual onda sinistra que vai apoquentar o mundo.

Das loucuras de cada um, Donald Trump, parece o presidente surrealista, convencido da inversão baseada na hostilidade. Ao contrário, o presidente-empresário, oferece sinais de querer cortar com políticas intensivas na ordem externa, apenas parece enamorado da Rússia; mas já todos entendemos que sendo empresário, ali estão negócios grandes esperando. A China já não interessa tanto, como acordos complexos, extensos, carregados de códigos criados pelo regime Obama com a Ásia, Europa e países norte-americanos, não entusiasma nenhum sentido arguto do bilionário agora com acento na Casa Branca.

Poucos terão capacidade de adivinhar futuro, assim que observando na distância o caminho escolhido por Donald Trump (aquele que prometeu criar 25 milhões de empregos), quando a sua doutrina oficialmente começar; será apenas seguir colocando mais dólares mercantilistas, complicado em descobrir coerência, constância e, acreditando que este novo vizinho de Washington DC aceita crescente nuclearização de países como o Japão e Coreia do Sul (convencido que anda assustando chineses), logo, logo, meteu pé no molhado.

A China vai cobrar e todos nós com saudades de Obama, pensando caso a cultura do eleitor norte-americano fosse outra, seria Bernie Sanders capaz de trazer a verdadeira paz e o iluminismo que vem faltando numa nação como a dos EUA, melhorando um planeta carente, caindo no abismo.

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