Integridade e coragem têm nome: ser Madiba

Pintura a óleo sobre tela de Adenle Adewale em New Africa, edição 321/1994
Pintura a óleo sobre tela de Adenle Adewale
em New Africa, edição 321/1994

Por Veladimir Romano

Ao encontro com o personagem histórico. Escolher entre o Bem e o Mal, nem sempre é fácil, marcando forças conscientes onde o sentido deve escolher quantas e quais as armas favoráveis para a luta que vem pela frente.

Raiva, ódio, solidão, ansiedade, instabilidade, conflito pessoal, desespero, infelicidade; sintomas normais e possíveis da destruição de qualquer ser humano, alterações em denominador comum, eventualmente, dilemas recalcados destroçando a personalidade para serem alcançados objectivos negativos; fontes letais, manchando uma verdade espiritual.

Daí, como se cada ser racional obrigatoriamente, tenha de pousar para uma dita coletânea de espelhos até sair descobrindo aquele que vai certo no meio de quantos errados; garantida confiança do temperamento desejado, autoridade entre raciocínios pela autodefesa ao igual tempo, conquistando imagens desfavorecidas no vago caminho da sociedade e de uma nação.

Durante anos imperou a irrealidade, longos pesadelos; tendências para a desumanização da pessoa e do ser através das horríveis sensações de não ter direito à própria existência, apenas porque se nasce de cor diferente. O julgamento executado pela ignorância, a desprezível criação do “eu branco”, o zero inútil mas valorizado à pancada da lei.

Desta forma, nossas dependências podem ser representadas talvez num gráfico diferenciado. No entanto, independência, responsabilidade cívica, liberdade, realização; são maturações numa infinidade de etapas impossíveis de encarar na sociedade onde impere qualquer sentido alimentado pelo pensamento obscuro das imposições de regime perdidamente segregacionista como foi a marcante cilada do “apartheid”, imposta na África do Sul, terra de Nelson Mandela.

Regimes em explosão neurótica, viveiro de incertezas, não criam ética nem obediência, ao contrário, notáveis conflitos, desespero e revolta perante o problema da sujeição; viver a ordem do crédito político contra uma pertença autonomia da pessoa e da cidadania, incluindo brancos, originários asiáticos (como o indiano Mahatma Gandhi), de outras colônias, étnicos sul-africanos, negros anônimos; muitos foram os heróis da saga contra o “poder branco”, pais da doença separatista, donos do ostracismo implementado, organizado e preparado à condenação do outro.

Desta evidência, saltou pelo menos alguma satisfação das capacidades humanas… o destacado personagem: Dalibunga Madiba (Príncipe Conciliador, do idioma xhosa), condutor máximo do instinto e da coragem. Explicitamente, de maneira assumida contra o tabu opressivo chegando à dignidade, controle emocional, vencendo o colapso, perante todos os alertas.

A grande lição e o êxito em Madiba, ainda que o destino dos dias fossem enterrados no castigo presidiário da civilização indesejável (27 anos de reclusão política, dos quais 7 em trabalhos forçados). Bom, da sua única esperança, foi resistindo contra a brutal e repleta traição, o equilíbrio, a certeza dos erros da condição humana de quem procura governar na escuridão.

Conseguiu transportar o seu sentir feliz, arma pacifista, mas também hostil perante a imoralidade de um Estado, dos governantes instalados no espírito pigmeu, frio e rochoso do belo e rico país do austral africano: a nação do arco-íris.

Por conseguinte, o homem que saiu confrontando a crueldade dos inquisidores, empírico aos julgamentos onde conquistou respeito pela virtude do seu gradualismo pragmático, soube ser líder político das massas, abriu portas à paz, evitou a guerra civil, fez crescer a renda per capita, bateu forte na inflação, elevando a vida dos seus conterrâneos ao melhor dos últimos 20 anos, ensinando mais esse caminho.
À complacência deu-lhe virtudes, aos velhos inimigos deu-lhes a sua limpa mão recheada de amizade, vieram escolas básicas, reformas nos institutos técnicos e superiores para o acesso das etnias africanas, hospitais, habitação social, realização (perfeita) do Mundial de Futebol (como resultado desse crescimento). Referência no grupo BRICS (organização para o desenvolvimento econômico), um dos fundadores.

Trabalhou pelo crescimento da consciência humanista, a chamada carismática do comandante espiritual, só possível na alma de alguém muito além túmulo, grau considerável de luz imaterial, autoridade difusora de harmonias, inteligência nata, exemplo refrescante do encaixe da nova ordem social sul-africana.Com Madiba nasceram também oportunidades, concreto e total interesse pela vida, recuperação do caráter a uma nação, fraternidade e um racismo possível de ser eliminado, dispensando utopias.

Da pátria incapaz saltou a existência colorida, um planeta mais florido, sensato, evoluído e tão risonho quanto a energia e retidão transmitida nos ensinamentos de Madiba… Sim, era uma vez pelo ciclo do firmamento, uma estrela matinal iluminando a galáctica dos povos que conseguem ser a raça de todas as raças: a raça humana.
A sábia decisão da secretaria-geral das Nações Unidas, escolheu a data 18 de Julho, Dia Internacional de Nelson Mandela.

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