Itabira em esforço de guerra ad eternum

Por Mauro Andrade Moura

 

A grande mineradora chegou a Itabira em Junho de 1942 e por meio do esforço de guerra, a exploração dos minerais era feita com total isenção de impostos para que aquela empresa mista estatal/privada pudesse ter condições de extrair os minerais e pagar os investimentos nos equipamentos.

 

A mineradora só veio recolher impostos diretos ao município de Itabira em 1988 e considerando o final da guerra em 1945, foram longos 43 anos com isenção e penúria à administração municipal. Atualmente este imposto, parte maior da arrecadação de Itabira, é denominado CFEM/royalties minerários.

 

Não bastasse isto, com a expansão da extração de ferro das minas, os demais minerais são desprezados, a grande mineradora suga quase toda a água para lavar e apurar o material ferroso a ser exportado e em contrapartida deita muito pó em toda a cidade, entupindo os pulmões dos citadinos e corroendo a paciência das donas de casa que prezam a limpeza do lar.

 

Itabira não possui grandes rios, é região de cabeceira de nascentes. O Município é dotado de grande área geográfica e a população vem crescendo o contingente ano após ano. São vários loteamos em venda, muitos outros iniciando a ocupação e um incontável número de edificações em fase final de construção que ocasionarão o aumento do consumo de água potável, em que o tratamento já anda no limite há tempos.

 

Em reunião hoje, 16/08/2013, no plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Itabira, com um número mínimo de adeptos ao “Grupo da Água”, fiquei surpreso com o montante de recursos financeiros necessários para a captação, tratamento e distribuição d´agua. A brincadeira passa da casa dos R$ 100 milhões.

 

A grande mineradora, benevolente ao seu modo costumeiro, doou o projeto elétrico para captação da água no rio do Peixe e pequena área para instalação da ETA – estação de tratamento de água.

 

A respeito desta doaçãozinha, a LOC – licença operacional corretiva nº 12 não foi estabelecida em seu todo e o muito que foi feito após 1997 foi a captação d´agua em sete poços artesianos que atualmente somente a metade está em pleno funcionamento.

 

Para o envio da água da barragem do Santana à ETA dos Gatos e sua distribuição está previsto o custo de R$20,5 milhões e para a captação no rio Tanque, tratamento e distribuição foi apresentado o custo de R$ 74 milhões, ambos os projetos com verbas pré-selecionadas no PAC – Plano de Aceleração do Crescimento do governo federal, sendo que saindo a verba do Tanque, a previsão de conclusão de todo o projeto é de seis anos.

 

Agora com a abertura da Mina da Camarinha, denominada pela grande mineradora como Mina do Meio, era o momento de Itabira cobrar por nova LOC da Água e estabelecer valores quantitativos em volume de água potável para a população que continua em esforço de guerra com as constantes elevações da tarifa d´agua em decorrência dos autos custos de captação e agora com o previsível aumento das distância para a distribuição do líquido precioso.

 

Do Pico do Cauê primeiramente foi-se o manganês, o ouro e por último o minério de ferro, restando uma enorme cratera que foi prometida pela direção da grande mineradora, ainda estatal e não respeitada pela direção privada após a doação de toda a empresa, para que servisse de caixa d´agua e assim repor as nascentes no centro urbano de Itabira.

 

“Servat continuos servil modus operandis  bellum labore ad eternum”…

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