Maestro da Bola Branca… arrancou sua última jogada…

Por Veladimir Romano

 
Agora mesmo que a Copa Mundial está na sua reta final, um dos maiores jogadores deixa este recanto universal, levando consigo a gentileza, educação, o sentido do cavalheiro de bola com bom pé de algodão e fino recorte de cabeça; certamente, gostaria de ter ficado mais um pouquinho, não fosse a chamada do Astral, não ter data nem hora marcada.
 
Quem guarda bem na memória seus dribles, sua alegria de jogar… simples, mas com enorme classe de sujeito talhado para galeria de jogadores de futebol na onda mais galáctica do espetáculo-rei; fica com uma enorme vantagem desses antigos tempos quando o jogo da bola no pé, escrevia sua história fascinante, graças a jogadores como Alfredo Di Stéfano. Guerreiro no campo, tanto aparecia na esquerda, no centro, na defesa ou pela direita, onde corria feito uma seta em direção ao goleiro/guarda-redes.
 
Sempre respeitado pela imprensa, jogador exemplar, talento no meio de tantos outros: de Zamora a Kubala, Kocsis, Kzabor, Altafini, Sivori, Denis Law, George Best, Mazzola, Maldini, Bobby Moore, Justine Fontaine, Yashine, Masopust, Kopa, Rivera, Garrincha, Pelé, Eusébio… por aí avante porque foram épocas distintamente ricas de praticantes. Porém, com isso da concorrência, nunca deixou de ser o mais popular, de forma saudável, sem vaidade. Alfredo Di Stéfano, praticou música com o corpo e por isso um jornalista um dia chamou ele de: “dançarino”. O que teve de talento, tinha de simplicidade… Reconhecia a hora da derrota, sabendo que na próxima, seria vencedor. Foi assim conquistando 5 campeonatos europeus (relevantes da sua carreira), um atrás do outro, hoje orgulho e glória máxima do Museu do Real Madrid.
 
Foi dos jogadores da sua época mais admirados, acarinhado pelos companheiros, outros grandes nomes que ajudaram a construir a imagem do time “merengue”; como Santamaria, Del Sol, Gento, Puskas, Santillana, entre outros mais que nunca abandonaram a pose que fez de Alfredo Di Stéfano autêntico maestro da bola branca.
 
Anos de 1960, na hora do jogo, bola branca era coisa mais visível nos aparelhos de tv, com tela/ecrâ não colorida/o, o tema das finais, dos grandes momentos históricos, ali junto de cada olhar concentrado: não deixava escapar uma. Tudo ficava em suspenso nos eternos 90 minutos mágicos onde um milhão de rivalidades foram construindo mundos diferentes, momentâneos, realizando alegrias infinitas em tempos limitados de liberdade, muita pobreza, marés de injustiça social onde também Alfredo Di Stéfano bem conhecia da sua gloriosa Buenos Aires onde apenas por 7 vezes, vestiu a camiseta da sua seleção. Nos anos de 1960, sendo ídolo querido das crianças, com financiamento das publicidades (juntou 4 milhões de dólares), voltou para desenvolver projetos sociais, confrontado com a ditadura militar, deixou o país, tomando passaporte espanhol, onde ainda vestiu cores castelhanas.
 
A inteligência, coragem, força, esforço; nunca são valores de deitar fora. Assim, o “Flecha Loira”, apelido dado ao talentoso “porteño”, maestro da bola branca, foi servindo o futebol na sua maior dimensão, marcando muita pontuação. Como tudo o que é bom, acaba; ele também viu seus dias finais, arrumando chuteiras/botas, sem no entanto ficar atraído a experimentar o banco e, com essa nova postura, igualmente deixou boas recordações conquistando campeonatos importantes em Espanha, Argentina e Colômbia: suas três nações, acreditamos, do seu coração.
 
Ídolo imparável, conquistou amizade eterna e admiração pelos rivais, ficará na galeria mais rica da nossa história pessoal e de muitos milhões no mundo, felizes dos momentos vividos vendo cada gol/golo genial do “Dançarino” que agora arrancou na sua derradeira jogada a outras esferas, na certeza que seja mais uma luz brilhante no firmamento, iluminando nossas vidas.
 
Para vos, Alfredo Di Stéfano…
 
Hola! lusco porteño,
te tengo nel ojo colorido 
de mi dulce sueño
a tantos instantes
de tu celeste florido…

comentários