Maria Fernandes, ou simplesmente Sá Maria, prazer em te conhecer!

Sá Maria termo tão usual, comum mesmo, que caracteriza qualquer “Maria da vida”. Muitas, no entanto, se diferem pelo seu sobrenome. Outras nem tanto. Outras não tiveram a felicidade de terem sido contempladas e reconhecidas em cartório, a sua origem.

Maria Fernandes – nossa Sá Maria – não é como tantas espalhadas pelo mundo. Embora não tenha fugido da escravidão, teve sorte pois, foi filha de escrava. Não se perdeu como aquelas que ficaram para trás na travessia do Atlântico. Nem se juntou na vala qualquer sem identificação nos tempos tórridos da escravidão perversa, que ainda persiste em não reconhecer a importância desse povo africano de tantas contribuições cedida por onde passou e continua, em sua travessia mundo afora.

Sá Maria veio de um clã desconhecido, para viver numa terra que não escolheu por vontade própria para brilhar. Não teve escolha. Nada trouxe de valor, pois veio do ventre de sua mãe escrava. Mas aprendeu a guardar na memória, as histórias guardas por sua mãe, daqueles que não veria jamais.

Mas, nem por isso, arrefeçou o sentimento de mãe. Em terras férteis não deixou de plantar as histórias, que, por diversas vezes, acalentou aquele que um dia se tornaria uma das maiores celebridades da literatura brasileira.

Não teve reconhecimento pelo feito. Nem ao prenunciar ´que aquele menino mirralho ao dizer na sala Casa Grande, que se Deus a ele permitisse viver, seria um grande homem’. Ainda assim, nem os tantos feitos prestados ao Coronel Carlos, não foram suficientes para despertar a atenção e o interesse de suas qualidades. 

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Mas Deus tarda, mais na falta. Lembrada foi em versos e prosa, pelo poeta prenunciado, que mais tarde iria retribuir-lhe tal importância escrito em vários poemas. Drummond não mediu palavras para devolvera Mãe Preta tais qualidades, tão peculiar de um povo que verteu suor e sangue por essa terra, a seu exemplo.

Ontem, 10 de novembro, na abertura da Semana da Consciência Negra, ela, Sá Maria Fernandes, a Babá de Drummond subiu as escadas da Casa Grande, para demonstrar a sua galhardia em versos e prosas, na literatura daquele que a imortalizou, Carlos Drummond de Andrade, Menino Carlos, Carlito, Dudu, ou como queira os críticos, para apenas Carlito.

Simples como sempre foi, Sá Maria Fernandes estendeu seus feitos no “salão nobre da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, a sua primeira exposição aberta ao povo itabirano. Motivo de muito orgulho para mim, de saber que um pouco de minhas raízes também estão no Cutucum, terra da Sá Maria, terra de Carlos Drummond de Andrade.

Por José Norberto *Produtor Cultural

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