Meu Abril perdido

Por Mauro Andrade Moura

 

Passados três anos que fui sentir o Abril em Lisboa, cheguei quase que juntamente com os biltres da troika, e o panorama por lá ficou totalmente obscuro.

 

Parecia ser o início do fim, todos apreensivos com tudo o quê haveria de ser ou acontecer com eles, a dureza da recessão e as agruras do desemprego batiam à porta e não havia muito por fazer naquela altura.

 

O fato que mais me surpreendeu para sentir tudo aquilo que adviria foi na ida o avião estava totalmente vazio e na volta não cabia uma pulga sequer, de tão cheio que estava. Senti os brasileiros saindo de Portugal em debandada.

 

Passando ano a ano, a coisa foi apertando, o governo recrudescendo a situação das pessoas com as medidas recessivas que tomava por cumprir ordens vindas de cima, pois os portugueses acabavam de perder a soberania da economia.

 

Agora, passado estes três anos, quase todo um povo totalmente estropiado, sem rumo e jovens e mais jovens sem emprego e perspectiva de vida a emigrar (que venham todos os engenheiros para o Brasil que estamos precisando muito de boa mão de obra), o que restou daquele país é muito pouco pelo que representa ao mundo.

 

Para os nacionalistas deve ter sido muito difícil comemorar o “25 de Abril”, pois muito do que foi conquistado na passagem destes 40 anos está sendo jogado no ralo, inclusivamente a esperança, que desvaneceu.

 

Como não foi-me oportuno vivenciar estes 40 anos do Abril, participar da caminhada pela Liberdade, a avenida e a dita própria, espero esperançoso por um novo Abril.

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