Movimento Negro ainda que tardia: Suas conquistas e a valorização de sua identidade

 

Um novembro dedicado aos negros é muito pouco para abarcar toda luta desse povo valoroso, que luta para conquistar o que lhe é

devido por justiça humanitária. As conquistas obtidas até então, diga-se de passagem, vão aquém dos acordos firmados durante a abolição da escravatura, escamoteados ou descumpridos como é peculiar àqueles que ocupam o poder.

Pois bem, poderiam infinitamente ser maiores, se no decorrer do tempo, essas conquistas obtidas não tivessem parado no tempo. Não vamos ficar, entretanto, reclamando o que ficou para trás, embora cientes deste descumprido. Afinal, o momento é de saudar dívidas, comemoramos mais um 20 de Novembro, dedicado ao “Dia da Consciência Negra”.

Como toda data específica para comemoração e análise de uma temática social, este “Dia” tem a sua relevância ao desvelar as ações e atitudes do sistema e toda a luta do povo negro para garantir seu espaço na sociedade brasileira. O dia fez menção à morte de Zumbi dos Palmares, que morreu em luta pela liberdade do povo negro e de todos aqueles que sucumbiram em prol da liberdade deste povo que não pediu para vir amargar e sofrer nestas plagas, as vicissitudes aqui passadas.

O espaço para este povo já foi negado há muito tempo, sendo que a abolição da escravatura não foi suficiente para esta conquista libertária. Todos os avanços relacionados com a posição do povo negro, dentro ou não de forças políticas, foram resultados de seu próprio e de mobilizações.

É certo que para chegarmos a esse patamar muito sangue rolou e a dor paira no semblante daqueles que, inconformados, continuam a reiterar o que lhe foi abstraído de sua terra natal. Por isso, muitas dessas conquistas incomodam o senso comum, sendo que muitas pessoas desvalorizam as lutas dos(as) negros(as), argumentando que estes(as) já conseguiram o suficiente, e que portanto não há do que reclamar. Ou então, consideram os (as) negros (as) como pessoas ingênuas e facilmente manipuladas por organizações políticas. 

Esquecem a nossa ancestralidade, como se ela fosse também coisificada, a exemplo do ocorrido com a chegada de nosso povo a essa terra. Manipular por intermédio da igreja católica sob a égide de um discurso difuso, que visava a catequização para espantar o demônio criado por esta mesma igreja. Tal comportamento justificava o aprisionamento e açoites, como forma de castigo e de exemplos aos demais rebeldes.

O racismo ainda está presente e contextualiza os espaços das universidades, da mídia, dos livros literários… Mas, ao que parece, há situações em que os(as) negros(as) não têm o apoio em suas lutas nem mesmo de movimentos sociais. Pelo contrário, nota-se, já há algum tempo, a presença de “militantes” que estão do lado do(a) agente opressor(a), algo bastante contraditório. E isto faz com que o Movimento Social Negro tenha que agir com mais empenho, para enfrentar este inimigo mascarado.

Em Itabira, depois de um tempo sem representatividade institucional, o negro tenta se reorganizar. O prefeito Damon Lázaro de Sema, durante abertura de evento alusivo à data, “disse que a erradicação do preconceito, da discriminação e a intolerância, não são mais permitidas, pois a sociedade não pode mais aceitar este tipo de atitude daqueles que fogem à ordem social”.

Das conquistas obtidas e em curso, a que ganha contorno social e expressão trata-se do Conselho Municipal para Promoção da Igualdade Racial (COMPIR). Sem dúvida, este sim, fará uma enorme diferença daqui para frente em favor da população itabirana.

Vale dizer que a iniciativa do Conselho tem por objetivo contribuir na formulação, na implementação e no monitoramento da Política Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Itabira. O COMPIR é um órgão deliberativo, normativo, monitorador, fiscalizador e avaliador das políticas que visem à promoção da igualdade racial, portanto, um grande salto e ganho social.

 Para concluir, dentre uma programação vasta, destacamos a participação da exposição Sá Maria, Fragmentos. Uma coletânea de poemas que valoriza a babá e mãe negra do poeta Carlos Drummond de Andrade, que está em cartaz no foyer da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, até o dia 30 de novembro.

(Redação José Norberto)

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