Na calada diurna há mais fundamentalismo… a caminho

Por Veladimir Romano

As longas avenidas e ruas de Jacarta, quentes pelo sol escaldante que começa pelo nascer do dia, foi tomada num repente pela multidão de todos os quadrantes sociais: médicos, engenheiros, funcionários públicos, pescadores, advogados, populares, desempregados e pobres: todos unidos pela luta contra abuso de poder.

A consciência nacional contra a grossa corrupção existente no país durante gerações, já fartou; no entanto, pelo meio da famosa manifestação, na calada diurna, uma nova tendência fundamentalista liderada de forma discreta e hoje espalhada em 45 nações: um denominado grupo de origem islâmica. O Hizbut Tahrir, concorrente da al-Qaeda/Al Qaeda, parida na época de conflitos, domínios das políticas estratégicas dos Estados Unidos e da tradicional União Soviética (1979-1989).

Decorria então no Afeganistão a contra-guerra subsidiada pela CIA (departamento de espionagem norte-americano), apoiando, oferecendo treinamento, suporte financeiro ao movimento dos Talibã/taleban/taliban/talebã (estudantes, nacionalistas islâmicos), mais tarde, criadores da Alcaida de Osama bin Laden.

Nos últimos anos de 1990, o Hizbut Tahrir, desde a fundação, cresceu e, em 2009, já com milhões de membros, em particular nos países asiáticos (também legalizado na Alemanha, secretamente têm simpatia pelo antigo regime nazi), Austrália, Indonésia, Inglaterra e USA; são outros locais, em crescendo diário, toma formas menos agressivas (por enquanto, cativando aliados), ultrapassando assim posições ultra-radicais do universo al-Qaeda/Al Qaida/Alcaida (base, alicerce, raiz).

Aparentemente, a posição pacífica, mais racional do Hizbut Tahrir, procurando em profissionais e universitários, convencendo novos membros (seletivos), é prova na manutenção das regras fundamentalistas que vem marcando internacionalmente o estatuto islamita. Como lema moralista o grupo é: “O califado que rege o mundo”! Nada humilde para quem apregoa irmandade, justiça, paz e guerra contra a corrupção do Estado javanês.

Continuar subestimando ainda que repetida imaginação, energias e capacidade inspiradora numa época de vazios ideológicos e pouca vitalidade política em manobrar mentalidades, pode ser um erro fatal ao espírito claro, vivo, como justiça pedida no momento atual, contra infratores. Assim, prudência, será a manobra mais indicada ou perfil indispensável preservando qualquer exeção: causa e efeito, nunca são coincidências.
Aparecem curtos instantes na vida que deveriam servir como estimulo, fonte confiante, aprovação contra ambientes por onde a cultura da hostilidade vai reinando. Novamente: confidências, também ninguém as transmite, mas observação, coragem, engenho, poderão ser flores sem água, caso nalgum instante não sejam compreendidas como energias positivas.
A consciência é própria; o mundo anda em mudança desde quando…?! Desconfiança e mexericos, sempre foram forças na mentalidade de gente fraca, mais pronta em desunir, mas unindo afins, criando indiferença, conservada confusão… onde até a violência gratuita (o caso da Síria) acaba sendo um negócio.

O fundamentalismo é subsidiado pelas fortunas (camufladas dos califas interessados em desordem), financiamento dos oásis fiscais. Incapazes de liquidar a miséria dos povos islâmicos e muçulmanos; no entanto, fica mais fácil pela notícia do extremo sentido mostrar ao grande Alá/Allah/Al´Ali/Al´Adl/Al´Alim (existem no idioma árabe 99 expressões referenciadas a Deus), das capacidades de cada donativo milionário, garantir lugar cativo no paraíso dos céus.

Tudo está indo de forma radical, menos a autoresponsabilidade. Andamos esquecendo a autocompreensão, autoconsciência; não libertamos a ignorância (saúde mental) assim conceitos de culpa, expiação, pecado, desregra social, entre outros aspetos, vão fugindo submissos da continuidade suprema na arte de saber gerir, atrair ensinamentos, oferecer a extrema eficácia do princípio e fim do sucesso da vida em coletivo.
Algo ilusório vai mantendo a dor acesa, possivelmente dissoluções do “eu” mergulhado pela realidade intuitiva separada do cosmos, paradoxo de vários mundos cada qual criado de maneira desordenada,  ou apenas mantendo recitais fundamentalistas exportáveis, de fraco efeito mântrico, desventrando realidades cruéis, impossíveis de satisfazer a espiritualidade dos deuses existentes, massacrando qualquer mestre quer venha do velho silêncio dos sábios.

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