Não vamos dispersar

Maria Amélia Roque de Figueiredo. Foto: Arquivo de família
Foto: Arquivo de família

Aconteceu no último dia 11 de março de 2019, às 19 horas, a missa de 7º dia, a última manifestação pública, religiosa expressa e dedicada a Maria Amélia Gomes de Figueiredo. A missa foi encomenda pela família, parentes e amigos. A manifestação, sem apelos políticos, transcorreu de forma tranquila, como foi a partida dela, de maneira serena. Ao final da celebração amigos da Amélia deixou  o registro de sua passagem nesta vida ao ser lembrada em depoimentos que ficaram registrados para todos os presentes ao acontecimento.

Para os que conviveram com Maria Amélia tinham na convivência, de que ela era uma mulher mais do que ´empoderada´. Era mãe de dois rapazes, João Vitor e Marcos, comunicadora, ativista política ferrenha defensora do PT, seu partido, das minorias e reconhecidamente protetora da família LGBT, dentre outros feitos, que a destacava na comunidade itabirana, além de figura marcante nos eventos culturais de Itabira, onde marcou presença nos eventos da Quinta Cultural realizados em 2018, na Praça do Pará. Há que ressaltar que Amélia era presença constante nas organizações dos carnavais incontáveis, onde deixou, em sua passagem, um legado seja nas apresentações dos blocos de sujos e dos desfiles carnavalescos misturando a figura de apresentadora e animadora. Na militância política, ela não foi diferente, em sua intransigência ao defender o ex-presidente Lula, nos debates na “rede social”, onde se apresentava como inconteste em sua trajetória profissional e política.

A figura bonachona que sempre caracterizou a sua pessoa, tinha marcas inconfundíveis de personalidade que impulsionava a todos que convivia com ela. É dela, que essa legião de amigos buscam razão para dar continuidade aos trabalhos, que ela vinha desenvolvendo na área de Turismo, setor onde como funcionária, estava prestando serviços como funcionária pública e de carreira. No turismo ela encantou e desabrochou encontrando o espaço que lhe faltava para transformar em projetos, seus últimos aprendizados através de cursos e experiências vivenciadas nos últimos meses à frente do CAT (Centro de Atendimento ao Turismo) setor de trabalho que ela transformou na base de apoio às iniciativas que vinha empreendendo, com vistas a otimizar o atendimento no CAT e atrair turistas para o município de Itabira.

Sonhávamos em criar um centro de referência ao turista nos distritos do Carmo e Ipoema, regiões que ela tinha afinidades, cujas amizades estabelecidas traçava criar um ponto obrigatório de quem vinha conhecer Itabira, em busca de descanso, novas descobertas e, claro, saborear as delícias várias que os distritos proporcionavam.

A semente foi plantada e o primeiro Luau criado por ela, de forma empreendedora já havia ganhado agenda para servir de base de apoio aos outros que estavam no forno. Há que lembrar que os distritos são pontos de visitações importantes pela tradição e história, pois, no distrito de Senhora do Carmo está estabelecido o Centro de Tradições de Itabira e no distrito de Ipoema, o Museu do Tropeiro, cujo espaço se tornou referência nacional do “tropeirismo”, sendo reconhecido recentemente como a “Capital do Tropeirismo”.

Não, não vamos nos dispersar Amélia Figueiredo, você não nasceu para ser uma mulher reconhecida pelo seus talentos múltiplos, na beira de caixão em tempos de despedias. Você não pode continuar a crescer as estatísticas do governo, que reconhece, quando não mais o que fazer. Sabemos que não será as estátuas várias, a exemplo de Drummond, Newton Baiandeira e de outros que fazem, inerente ao olhar ofuscado de quem, provisoriamente, goza o poder. Queremos mais, muito mais, queremos o reconhecimento de quem constrói a história verdadeira dessa cidade, não aquela que constrói prédios para se tornarem elefantes brancos no futuro.

Maria Amélia, Presente!
Sempre uma grande referência,
de quem não foi compreendida.

por José Norberto de Jesus – Produtor

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