No pé na mina entre um pé e outro, é hora de almoçar

por José Norberto de Jesus

Não fazia parte do grupo de crianças que, em algazarra, Se dirigia pela manhã a levar o almoço dos trabalhadores da mina. A fumaça na chaminé, a marmita enrolada no pano a protegê-la, lá se vai uma tropa de meninos morro acima em direção a mina.

Parte da manhã gostosa que se perdeu no tempo. Confesso que não fazia parte desse grupo de crianças, que aproveitam a oportunidade para garantir a mesada do mês. Meu pai motorista, aproveitava uma corrida e outra para apanhar a sua marmita em casa, dispensando os préstimos dos marmiteiros.

Eu estudava pela manhã, quando saia da escola, a meninada já havia ganhado a linha de ferro na Vila Paciência. Perigo à parte para os marmiteiros, um atalho importante que ia dar no coração da mina, encurtando a pequena jornada de trabalho, no transporte do alimento que não podia atrasar no almoço dos trabalhadores da Mina. Tempo bom de muitas peraltices no caminho de ida e volta, que só participou sabe contar. 

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