Novamente o Cinco de Novembro

Por Veladimir Romano
 
Desde o início do descalabro financeiro consumindo a vida das sociedades, enquanto as elites dominantes quer políticas, bancárias ou especuladores dos mercados não criarem consciência cívica, humana e até vergonha moral; um pouco pelos continentes, manifestações consagram o desagrado, a frustração e revolta, tomam lugar.
 
Nos últimos anos, na Inglaterra, o cinco de novembro é dos manifestos em moda, lembrando o levantamento popular de 1605, quando o povo se revoltou contra o rei Jaime I de Inglaterra, incluindo a tentativa de explodir a Câmara dos Lordes (Parlamento), com pólvora; daqui, essa revolta popular ter marcado a memória do povo como a “Noite das Fogueiras” (Bonfire Night). A história é longa, repleta de argumentos e assuntos diversos que abrange desde as diferenças religiosas até ao descalabro da injustiça social.
O sucedâneo de cada crise, contou com revoltas populares, assim voltando a ideia nascida a cinco de novembro de 1605, repetindo tentativas nos anos de 1776, 1859, 1903, até anos de 1980; embora cada época seja comemorada por grupos em diferentes locais da Inglaterra. Com o recente declínio social e os problemas da União Europeia na área econômica/económica, a celebração deu em novo movimento acolhido pelos “Anónimos/Anônimos”, lançando a sigla “V”, não como símbolo de vitória, mas identidade para a “Vingança”: marca o momento.
 
Assim, relembrando o efeito conspirador na data tradicional das primeiras revoltas do século XVII; o “Dia da Pólvora Contra a Traição” (Gunpowder Treason Day), ganhou valores saindo em exportação ainda no século XIX para a França, Holanda, Canadá e Estados Unidos, pela luta desses povos contra o abuso do poder de cada elite exploradora do trabalho e monopólio, alimentando sistemas desonestos, incluindo processo judicial favorável sempre aos poderosos.
 
A “Conspiração da Pólvora” não morreu, muito menos esquecida; deste modo, o recente “Cinco de Novembro”, veio novamente cair na rua onde uma tentativa de incendiar o parlamento britânico pelo grupo dos “Anonymous”, só não aconteceu graças ao rápido expediente das forças de intervenção da polícia de choque de Londres, de prevenção desde a véspera comemorativa do ato contra o declínio social, a política corrupta, o capitalismo selvagem e especulador que não mostra jeito de abrandar nem se regenerar. 
No Brasil mais recente, também criou o seu “Anonymous” (AnonymousBrasil.com), importou a ideia, porém nascendo a 22 de agosto de 1989, criando atos antigoverno desde então, denunciando e partilhando documentos confidenciais sobre processos, comprovando a descontrolada corrupção, explicando problemas reais sobre a crise hídrica do Estado de São Paulo, deixando bem claro que não lutam contra qualquer partido, mas antes contra o sistema e corporações. 
 
Aos máximos dirigentes, convencidos do poder, tanto quanto elites dominantes dos mercados financeiros, as máscaras com o semblante do “Anonymous”, criada pelo mentor ideólogo da luta, o inglês: Guy Fawkes, vai marcando a sociedade moderna, atravessando fronteiras, alimentando esperança aos legionários da outra liberdade. A luta afinal, rotativa, não importa o século quando dos homens; eles, os quantos que se apoderam do poder, não vivem nem a pátria ou a justiça: antes guardam na memória os defeitos humanos que ensombram o progresso e a justiça em falta à humanidade.
 
Todos sabemos hoje, mais do que nunca, enquanto responsáveis não assumirem de vez a ciência da governação limpa e de consciência sã, os resultados da revolta popular estarão nas ruas e o desassossego social nunca terá reservas em aceitar mais anônimos pela luta, até que a guerra se instale de vez contra o poder. O pior de tudo será o ódio acumulado. Depois, de nada valerá a elite reter seus biliões enterrados pelos oásis da fraude fiscal e da fuga capitalista… os “Anonymous”, andarão sempre no alerta.

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