O ciclo dos predadores da economia

Por Veladimir Romano
 
Muito trabalho literário especializado em finança, gerado pela crise, tem sido publicado e lançado no mundo. Algumas de duplo interesse pelo potencial explícito, esclarecimentos não fugindo das realidades. No entanto, três obras bem recentes, escritas de modo diferente, marcam certa fronteira, explicando a quantidade profunda dos problemas acumulados, limitações, degeneração, malandragem e exageros do sistema capitalista.
 
Carolyn Baker; norte-americana, ativista social, apresenta no livro: “Collapsing Consciouslly” (Colapso da Consciência), um trabalho que todos os líderes políticos, banqueiros, economistas, advogados, padres, professores, ou financeiros, deviam ler. Mas igualmente o trabalho do prestigiado economista e professor da Universidade de Queensland, Brisbane, Austrália: John Quigg, um dos dez melhores economistas mundais, com o livro: “Zombie Economics” (Economias do Morto-Vivo). Literatura obrigatória aos dias decorrentes, e o “Capital _in the Twenthy Century” (O Capital no Século XXI), do investigador francês, jovem diretor do Centro de Estudos Sociais de Paris, da Faculdade de Economia: Thomas Piketty. Explicando os 250 anos do problema capitalista, enquanto aborda a obrigatoriedade de ser estabelecida uma taxa sobre riquezas e fortunas a nível global, para equilibrar os recentes e futuros abusos do poder financeiro.
 
Para compreender a mensagem: do efeito dos conflitos na prática de ilegalidades econômicas, tal como anda acontecendo no Afeganistão, um dos maiores produtores do ópio mundial. Em 2001, detinha 46% do mercado, exportando muito mais, depois da chegada das tropas norte-americanas e da OTAN/NATO. Coincidência, ou não, a ocupação das forças militares e a consequente continuidade do conflito: gerou no mesmo ópio, aumentos de 90%. Desde logo, atravessando o Atlântico via Nigéria até aos Estados Unidos e Canadá, onde no presente, estes, detêm uma quota/cota importante desse negócio ilegal, criminoso, danificando maior número de vidas, inclusivamente no Afeganistão, onde se gasta 6 bilhões de dólares em segurança e mais 6.4 bilhões nas importações de bens de consumo, particularmente dos EUA.
 
O país das montanhas tem 80% do ópio mundial, viciando 46% consumidores, seja: 30 milhões de pessoas; valendo 1 bilhão de dólares quando sai do país, mas depois valendo 7 bilhões quando chega ao continente norte-americano. Assim, explicando muita coisa do conflito, onde dificilmente terá seus dias contados. Europa (incluindo a Rússia), Ásia e África, também entram na lista negra das importações com 10% de consumidores. Um país engolido pela corrupção onde 2 bilhões de dólares para construção de 10 mil casas, puramente, desapareceu. 160 bilhões para a recuperação da capital, Cabul, ou pela construção dum hospital custando 500 milhões de dólares, que ninguém viu, ou, 200 milhões para a educação (o analfabetismo continua); outro tanto fica explicado, do bom de mandar em tanto conflito mundial, da necessidade ao proveito, a estratégia ficou (faz tempo), conhecida.
As recentes publicações, relembram nossa memória e conduzem a outras sombrias situações em outro livro considerado a “bomba” da época; este, escrito por Philip Agee, antigo agente secreto da CIA, no começo dos anos de 1970. O célebre: “Inside the Company” (Por Dentro da Corporação), forçando o ex-agente a procurar refúgio pela Holanda, França, Alemanha, Itália, até finalmente ser Cuba, seu último lugar onde morreu aos 72 anos, em 2008. O livro denuncia o massacre de Tlateloclo, no México, onde ele participou, acompanhando 250 agentes da CIA, considerados criminosos, espalhados pela América Latina, apoiando, preparando ditaduras, unicamente garantindo sucesso financeiro aos negócios das empresas norte-americanas.
 
A outra obra ainda vigorando a mercado com edições sucessivas, esgotadas; é o célebre trabalho do investigador (que já foi professor nas melhores faculdades da França, Alemanha, Inglaterra e EUA); “Capitalismo Contra Capitalismo” (Capitalisme Contre Capitalisme), de Michel Albert, editado em 1991, em Paris, França. Outro explosivo relato técnico sobre as manobras do sistema de capitais, falando aqui nesse trabalho igualmente em pormenor, do pensamento econômico comunista.
 
Portanto, quaisquer denúncias vindas a público de novos agentes, desejando desmascarar políticas sujas servindo apenas velhos interesses de grupos predadores da economia, são roupa velha no tampo da mala. O problema reside em saber como encontrar soluções para exterminar a questão, de tão enraizada, servida pela habilidade de grupos ocultos nas altas antecâmaras da finança mundial, sem transparência nem qualquer respeito pela Humanidade.
 
A lista de atividades marginais apresentada em maio pela ONG francesa: RSF, Repórteres sem Fronteiras, lista onde inclusivamente aparecem nomes de líderes políticos, chefes de Estado, organizações criminosas e até chefes religiosos; finaliza com aviso aos EUA, para que este país… “respeite mais os direitos humanos, dissimulado nos interesses econômicos e geopolíticos”. Por último, aproveitando a fiscalização policial sobre o banco alemão: Deutsche Bank, com sede em Frankfurt, incluindo residências de colaboradores, advogados e o próprio administrador: Stephen Leithener, suspeitos da estafa de 925 milhões de euros, resultante do conflito com o grupo familiar da Leo Kirch, metidos em falência, no assunto da gigantesca fraude no banco estatal germânico; aqui, fica o espelho do melhor capitalismo criando riqueza, naturalmente, a um grupo de autênticos bandidos, da maneira mais descarada, enterrando a sociedade, atrasando o processo da vida dos seres humanos.

comentários