O dia que o cometa ofuscou

Por José Norberto de Jesus

Por falar em festa natalina, tempos bons em que a Vale era empresa estatal. Seus compromissos sociais eram vistos e sentido por toda a população, vistos, inclusive, com detalhes no brilho que partia do Natal. É claro que havia um excesso de paternalismo em suas ações, mas o povo ignorava. Principalmente em tempos de festas tradicionais que, nessa época, a Cia Vale do Rio Doce, não poupava esforços para se fazer presente…

CauePicoBuraco
Mas hoje sei não, a empresa estatal depois que mudou o seu capital e virou empresa privada tudo se transformou. Algo me diz que nada mais vai andar nos trilhos como antigamente. Basta só observar a ganância da empresa pela exploração do minério e sua relação com a comunidade, não é mesmo? As relações sociais mudaram e para um estreitismo sem tamanho. Basta dizer, que não se sabe mais quem é o responsável por esse setor. A Comunicação Social muda de responsável como se troca de roupa.


Pois é, entre a Vale e a comunidade itabirana a política ganhou um vazio do tamanho de uma cava. Digo isso por perceber que o Natal está muito diferente dos anos anteriores. Aguardando o momento da ceia debruçado na janela que dá para os fundos do quintal de casa, olho em direção às montanhas e sinto o incômodo do meu olhar.
Percebi que a noite estava mais triste, sem brilho. Olhei pelos lados, ao redor e para o alto, e notei que algo estava a faltar. Sem uma justificativa plausível para essa inquietação, busquei explicação até que encontrei no vazio de meu olhar, a ausência da Serra do Esmeril, que, de um tempo muito rápido para cá, deu lugar uma Cava semelhante à existente no Pico do Cauê.


Deduzi então que havia nesse contexto um encontro de passado com a realidade, onde o presente aviltou o meu passado. Sem que fosse consultado, sofrera uma transformação histórica sem precedentes à minha compreensão metafísica. Para mim, a Serra do Esmeril a exemplo do Pico do Cauê, passou a ser meramente fruto da imaginação geográfica e fiquei a meditar novamente por onde andava o meu passado, tão abruptamente modificado sem que eu pudesse fazer algo para mudar essa triste realidade de um horizonte não mais existente da Serra do Esmeril que lá, não mais está.
Sem a luminosidade do cometa a anunciar em meio à montanha a chegada do Natal, percebe-se ao mirar o céu que a Serra foi ocupada pela escuridão, deixando para trás, a imagem de um Natal tosco, ermo, junto com a imagem detratora da Vale. [JN]


• Em tempo
Tenha um bom término de Natal. Boas festas!

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