O Valério e o Pac

norbertoO que tem haver o Valério com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), programa do governo federal? Eu diria tudo e nada. Explico. Sem um volume de torcedores significativo, que lhe permita empreender mudanças administrativas radicais, a ponto de prover o clube de recursos financeiros para a quitação de compromissos assumidos em sua carteira de fornecedores, o clube agoniza a espera de uma medida salvadora.

Um toque mágico que possa mudar o curso de sua história. Mas está difícil encontrar um ´santo´, disposto a substanciar o clube de um remédio milagroso capaz de estancar o sangue que jorra de suas entranhas. Dá tristeza ver o clube outrora repleto de crianças, jovens e adultos, circulando pelas suas dependências, hoje perdido no vazio do silêncio de sua torcida, que torce o nariz e se nega a comparecer para coisas mínimas que poderiam criar uma sobrevida à sua estrutura.

Sem entendimento de sua diretoria o entra e sai de diretores, só enfraquecem as estratégias traçadas a exigir sempre um novo começar, que nunca é de céu estrelado e o sol a prumo a indicar, como uma bússola, uma direção a seguir. Sai governo entra governo e nenhum deles tomou a solução salvadora que seria transferir para lá, a desejada Secretaria de Esporte e Lazer como tem acontecido em tantos municípios, revitalizando ideais, projetos e, sobretudo, resgatando antigas tradições que ficariam tão bem ao dragão, que de tanto se tornar furioso sucumbe-se ao seu próprio fogo de lamparina.

Para cravar a espada que ditará para sempre o seu futuro, a prefeitura de Itabira anuncia para breve não a ida da Secretaria de Esportes e Lazer para lá, mas a criação de um Centro Esportivo, que caberia bem ao sonho de transferência do clube para lugar mais apropriado à prática de esporte e corretamente certo com as novas diretrizes que o tempo exige. Preferiram à troca criar algo novo, a remodelar velhas estruturas e, com isso, joga por terra qualquer outra possibilidade de o governo abraçar essa causa de tantas glórias concedidas ao município. Cava-se a cova e na cabeça do dragão o urubu à espreita aguarda o momento para chupar os restos mortais de quem deveria por tudo que fez ser reverenciado.

Mas tudo isso já era de se esperar, diante da falta do capital financeiro, fruto do empreendedorismo. Com a sua ausência, Itabira perde mais uma vez, alimentando o círculo vicioso que nos acomete desde a troca do período em que a Vale era estatal para o modelo atual, sintetizando numa perversa combinação que tem levado o clube à derrocada. Diante de tantos obstáculos a necessidade de uma saída emergente se faz necessário. É preciso ter uma compreensão de que o resgate do clube poderá, ainda que muitos não consigam entender a sua importância e grandeza, trazer novos frutos ao pomar.

Como torcedor de pouca expressão e relevância, à distância, ainda acredito que nem tudo está perdido. E digo que vejo uma luz no começo do túnel, como a estrela que desponta a exemplo do anjo Arcanjo, a anunciar a boa nova. A saída provedora para estancar o sofrimento de tantos sofrimentos, pode vir com a vontade política. Como produtor cultural e sonhador natural que eu veja a saída de forma inclusiva através da Cultura. E é do nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, que enxergo, quem sabe, ante à compreensão da atual diretoria, a resposta positiva que todos sonhamos.

Encontro na frase de sua autoria: “Vou pedir licença ao Vasco da Gama, time querido, para vestir a camisa do Valeriodoce, meu time do coração” *CDA. É desta frase simples e profunda, que encontro a mensagem para a tão sonhada transformação de que necessita o Valério. Vejo nessa singela de frase, a base para se criar um PONTO DE CULTURA na Praça de Esporte do Clube por meio de uma galeria, onde seria possível edificar a frase majestosa, dando as boas vindas com um Drummond de braços abertos a receber crianças, jovens e turistas de todos os lugares, a regozijar tão bela homenagem.

E, quem sabe de iniciativa singular, transformar o Clube numa referência Drummndiana, apta a receber apoios e incentivos culturais e esportivos, que poderão alavancar sonhos perdidos. Portanto, deixo aí, a minha modesta contribuição para uma reflexão e entendimento que será a partir da Cultura, quer virá a pedra salvadora que, a contragosto, não será aquela que está no meio do caminho a atravancar os nossos ideais legítimos. 

* Por José Norberto, Produtor Cultural* 

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