Os mais ricos do planeta… e os outros

Por Veladimir Romano

Davos, na Suíça (antigo Fórum Europeu de Administração), passou ao degrau da casa partilhada dos mais ricos do planeta, convidando outros ricos, dominados pelos primeiros. O papo gira com frequência sobre problemas atuais, dá muita impressão nas ideias circulantes em favorecimento dos menos ricos; mas nada! Tudo acaba em beleza e sedutora encenação. 
Custando mais de 71 mil dólares por pessoa, uma diária na cúpula; no final, a conta acaba caindo sempre no lado de quem menos tem. Fazendo com esta última reunião, 44 anos de participações, numa rápida análise dos proveitos, Davos: não passa doutra manifestação do poder financeiro (quer dizer: como 85 pessoas têm mais dinheiro do que 50% da população mundial), um mínimo de gente poderosa (representado 100 países), junta trapinhos discutindo melhores fórmulas de continuar usurpando a economia mundial.
Planos em exterminar o desemprego, a fome, conflitos, desigualdades, novas oportunidades e respeito pelas nações de economias emergentes, como o Brasil, Índia, África do Sul ou Rússia; são farófia apodrecendo dentro da bolsa. Nada passa de concreto ao verdadeiro espírito básico levando idealistas desta promoção em favor dum planeta melhor, mais saudável e justo. Os mesmos de sempre, unicamente, não deixam, não desejam; até que apareçam lideranças independentes sem medo nem vergonha de lutar até ao último ponto válido e botar toda a malandragem milionária do Fórum Mundial de Davos, na balança de pagamento.
Davos, nasceu da vontade do professor economista alemão: Klaus Schwab, sobre economia europeia, em 1971; e, em 1987, passou a planos mais largos, atraindo economistas de todo o globo, trocando de nome para: Fórum da Economia Mundial. No presente, durante 4 dias, a localidade moderna e fria recebe 2.500 mil visitantes, incluindo convidados de luxo, pagando nota preta, cobrada depois indiretamente no grande público, como fazem com países indefesos.
    
Vejamos a situação latino-americana, tendo na Argentina um dos exemplos mais recentes, atingidos pela continuada corrupção do sistema e, como nas últimas semanas sofreu autêntico assalto ao seu tesouro, perdendo das suas reservas somas astronômicas, numa perfeita conspiração contra a economia soberana do país; primeiramente com 97 milhões de dólares, em fim de semana cambial.
Depois: num só dia, os donos do dólar, fizeram com que o Banco Central da República Argentina, perde-se 256 milhões de dólares norte-americanos; obrigando na derradeira semana de janeiro a uma luta trágica, tudo por causa das medidas administrativas ao largo de 2013, em defesa dos planos energéticos. A Shell, vingou e lançou aumento de 12% no preço dos seus combustíveis… quando o país atinge 30% na taxa de pobreza (12.5 milhões); vê aumentar a contribuição das multinacionais e técnicas estratégicas (destrutivas) do Fundo Monetário Internacional (FMI), contra a nação.  A dívida aos organismos internacionais, ficou mais cara em 77 milhões a cada dia da abrupta queda, combinando como convém com a coincidência dos feriados da Wall Street e o preço do ouro nos mercados em flecha para cima: de 8 para 12.80 dólares por onça.
Assim começam guerras, cresce a fome, levando famílias e empresas para a ruína, mantendo miséria e colocando a sociedade em pânico, contra e enfraquecendo seus governos. A previsão dos sindicatos argentinos é: mais 509 mil (novas) pessoas na pobreza. Uma verdadeira conspiração econômica: para isso servindo certas facetas democráticas tão a gosto dos detratores sociais. Davos, é isso mesmo ou a continuidade duma imensa feira de vaidades esbanjando dinheiro, falando o que já todo o mundo sabe, exibindo prepotência das empresas fundamentalistas (elites dominantes).
Ninguém (salvo o forte discurso do presidente da Islândia), manifestou coragem colocando no tampo da mesa a corrupção tendenciosa dos meandros políticos, dos bancos, etc., e tal; como é possível manter a estafa de 120 bilhões de euros no território europeu, sem vigilância, nem justiça fiscal?! Ficou esquecido o discurso sobre economia do tráfico de pessoas. Apontaram a Ucrânia, mas foram esquecendo as situações complicadas do Sudão-Sul, Mali e da África Central, Tailândia… e, como se nada fosse, saíram novamente campeões da hipocrisia, maravilha, Davos!

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