Os novos czares da desordem democrática

Por Veladimir Romano
A certeza do abismo vai atingindo o lado mais nobre da consciência e, pelo andar da crise, fica diariamente clara a fenda marcante no conclave das democracias, não tenham elas igualmente o seu quê dos caprichos, neste trajeto aberto, será mais uma mitologia trabalhada.


Não sejam demandadas precisas exigências, esclarecimentos ao nível da comunicação, ficamos pendentes entrando e confrontados a outros atrasos, caminhando desgraçadamente ao passado, desculpando várias gerações. O anúncio recente da falência aberta daquela que já foi a quarta maior cidade norte-americana: Detroit (saltou de uma população de 2 milhões de pessoas, para os dias de hoje com 700 mil habitantes), é o anunciar de mais qualquer coisa no derrube do sistema capitalista.

 

No entanto, a notícia não vem completa; desde 1986, este pânico da falência municipal, até 2001, abriu bancarrota em 263 cidades nos estados da Califórnia, Alabama, Pensilvânia, entre outras localidades, resultado de fraudes, corrupção, baixa indústria, fuga de habitantes e aumento descontrolado da violência. 

 
Das últimas hipóteses, por muito otimistas, iludindo novamente quem vivendo vai, resiste com praticamente nada. Na mesma semana qual o Eurostat (órgão estatístico europeu), revelou forte quebra no consumo energético pela ordem dos 6%, situação repetida desde 2008; são claros sinais de abrandamento econômico.

A dado momento desta mesma semana, a revista inglesa “The Economist”, lançou estudo caricato sobre quais possibilidades e o tempo daqueles que, desejando chegar no patamar milionário, inquérito publicado com apetitoso título: “Quem Quer Ser Rico?”: analisando vários países numa lista de 20, dando primeira posição aos EUA, regalando famílias trabalhadoras com possíveis ganhos de 1 milhão de dólares, após 25 anos de esforço produtivo.

 

No entanto, análises cortam na carga de quaisquer taxas sobre rendimentos, tributações, níveis inflacionados, custos, agregados familiares dependentes, preço dos seguros de risco ou pensões. Numa primeira opinião do registro/registo sobre o inquérito, tendência habitual manifestando valores programados pela publicidade capitalista, oferecendo ao famoso misticismo do dinheiro a impressionante força da quantia; esta, envelhecida de oportunismos, em queda pela realidade situada no atual decréscimo dos valores sociais sofridos pelo sistema, depois de 1976: engana a lucidez aos mais distraídos.

 
Desde então, partindo dos anos 70, várias crises foram instituindo raízes desagregantes, consumindo produções laborais, postos de trabalho, dinâmicas processuais do desenvolvimento, desequilíbrio ecológico, manutenção da pobreza e da fome, consumo exponencial das matérias primas, aumento das economias paralelas, fugas fiscais intensas; absurda oligofrenia contaminante em escala global trabalhando privatizações fanáticas, construindo incertezas sobre o próprio futuro.
A expansão ilimitada transformou (numa necessidade das) empresas, estímulos consumistas, procurando novidades; criando endividamentos, débitos crescentes contra famílias, consequentes demonstrações infinitamente renovadas, seja: entrada de ciclos acelerados de tanta especulação financeira e econômica; o amontoado das ilegalidades acabou entrando na sua própria irracionalidade.

De novo ao “The Economist”, da idêntica análise com discrepâncias falsamente disfarçadas com o mau exemplo da Romênia, onde uma família trabalhadora precisará 350 anos para juntar tão ambicionada preciosidade milionária, só manifesta o desespero convencido das instituições, sonhando com fantasias.

Mais uma vez, moeda local, é coisa que não conta, nem custo de vida, rendimento médio, população ativa, mercado laboral, oportunidades, diferenciais cambistas, etc. Do gráfico, ainda aparecem outros países como Noruega, Suíça, Austrália, Dinamarca e, nas últimas posições: Portugal, Turquia, Bulgária e Chipre, complementam o estudo, precisando estes últimos quatro países, de 80 ou mais anos até atingir a mítica numeração do velho “sonho norte-americano”: ser milionário.

Pelo meio, o desemprego europeu aumenta, vai chegando aos 19%, a maré das divergências entre líderes políticos leva a contradições bizarras e, novamente, o Eurostat, avisa também sobre altos índices sobre o desemprego jovem, nos 39%, criticando a Europa Press o fraco nível financeiro das autoridades da União Europeia em aplicação criativa de empregos especialmente do mesmo mercado jovem: investimento de 3 a 5 bilhões de euros (6.90 a 11.50 bilhões de reais), fugindo confiança pela retoma.

Certo e contundente, séria ou cirúrgica, aspetos transformadores, vão entrando no serviço com novos czares, amantes da desordem democrática, abrindo abismos sepulcrais nas perdas que se foram fazendo a um determinado processo finado, amarrado numa falsa modéstia de aplicações onde a manutenção do bom, caiu nos braços do assombrado. 

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