A PANDILHA DO COELHO BILTRE

Por Veladimir Romano
 
Portugal comemorou 40 anos do golpe militar que devolveu a liberdade ao povo, restaurando ideais da primeira República. Porém, a comemoração da Democracia, foi polêmica, marcada por forte divisão entre políticos partidários da governação, uma presidente parlamentar proibindo os militares revolucionários em discursarem na casa dos deputados, empurrando estes para o Largo do Carmo, lugar simbólico do 25 de Abril, onde os militares fizeram render a Guarda Nacional Republicana, defensora do regime fascista e presídio temporário ao chefe do governo de 1974, Marcelo Caetano, junto com alguns ministros da época.
 
As ruas de Lisboa e outras localidade do país, o povo marchou, reclamando contra o governo, contra austeridade, corneteiros urbanos apelando de novo pela liberdade e contra a perigosa tentação do monopólio administrativo procurando destruir valores da Constituição, realizando assim caminhos diferentes para chegar a uma outra ditadura preparada nos bastidores do pensamento neoliberal, faceta oportunista, do caduco sistema capitalista, desfavorecendo trabalhadores, minando a finança, economias de países enfraquecidos e mal geridos.
 
Portugal, tem sido uma dessas nações marcadas no mapa geográfico da elite sem rosto do crime financeiro. As últimas duas gerações vão conhecendo e provando bem esse grupo de quadrados deprimentes usurpadores da vida das pessoas. O mais recente rescaldo do Observatório Europeu, afirma que nos últimos 5 anos, a pobreza na Europa, passou de 85 milhões, para 130 milhões de vítimas desta economia destrutiva, inquinando o mundo.   
 
A exemplo da estratégia mortífera, aplicações do plano ácido contra o trabalho, resultou (Portugal) no desemprego, em 3 anos, saltou de 336 mil pessoas, para mais de 800 mil (números oficiais) a mais de 1 milhão (efetivos declarado pelos sindicatos). Quando criança, nas horas de lazer, tempo de longas férias escolares no verão; o prazer da leitura morava nos quadradinhos, nas aventuras padronizadas nesse tipo de literatura infantil, ainda hoje, muito na moda, cada vez mais consumida, para espanto meu.  
 
Durante anos, os “Irmãos Metralha”, fizeram minha delícia, cobriram minhas fantasias e muita ajuda no aperfeiçoamento do idioma na sua vertente escrita. Esse aspeto dos irmãos malandros na vida, sempre que abordo temas por onde a corrupção e práticas ilegais ou destrutivas contra a estabilidade, ordem social, particularmente econômicas, transportam minha memória a esses tempo, nada fáceis, dominados pelo poder absoluto de várias condicionantes antihumana: na primeira das quais tem a Liberdade, como fator absoluto e total. As ditaduras, no seu lado perverso da mente, manifestando fraquezas duma certa elite obcecada pelo poder, predadora doutros humanos, condimentou a obscuridão dos tempos, limitando a criatividade, causando barreiras psicológicas ainda no presente, destruindo a personalidade dalguns.
 
Das outras duas: condicionalismos geradoras de vícios danosos refletidos na classe dirigente, incapaz de olhar o país de frente. Tudo quanto vinha do estrangeiro, seria melhor do que a produção nacional, ferindo de morte uma economia sempre alinhada pelo lado mais pobre, arruinando igualmente a força produtiva das províncias ultramarinas (velhas colônias), como as riquezas mineiras (incluindo diamantes), petróleo e produtos alimentares, nas mãos da elite gorda, apadrinhada pelo regime fascista. 
 
Passaram duas gerações, o mundo entrou no século XXI, mas Portugal, resolveu cantar o seu fado: “ó tempo, volta para trás…”, através duma péssima escolha governativa, mau demais nas aspirações lusitanas em desenvolvimento, progresso e racionalidade equitativa do seu crescimento plural. A incapacidade de solucionar problemas econômicos, a incompetência administrativa inclinada no desprezo pela finança, o hábito incontrolável da política praticar consentida promiscuidade com a elite bancária e oportunismo dalguns privilegiados empresários; arruinaram todo um processo supostamente revolucionário perdido algures no caminho fatalista.
 
Nunca será difícil aos lusos encontrar o trajeto derrotista; complicado anda mesmo compreender que cada sociedade igualmente cresce pela dignidade e feitura do seu caráter. Ao invés, a sociedade entregou o Estado, os poucos cobres guardados a custo no cofre nacional, ao bando mais perigoso que Portugal já teve, desgovernando a nação. De corrupção alargada, economia paralela, leviandade política, justiça incapaz, jovens formados em faculdades na ordem das dezenas de milhar, fugindo do país. Sensação aterradora do apocalipse social, não fica longe quando uma pandilha comandada por um coelho muito biltre, fascina pelo seu lado mais cruel, um povo de si já tendencionalmente suicida e masoquista!
 
As diferenças entre a quadrilha dos “Irmãos Metralha”, são muitas e claras, quando descobrimos pela vida dos quadradinhos, a existência realista de como um país histórico, deixa cair seus valores tão baixos, entregando as rédeas governamentais nas mãos dum bando marginal, usando a bandeira para farrapo e a vida da população, servindo interesses alheios a qualquer possível progresso. Quando a mentira na boca dum coelho, liderando a sua quadrilha, sabe que ser biltre, sempre terá melhor recompensa dos patrões do absurdo criminal, oferecendo a esse mesmo povo, nada mais do que miséria crescente, assegurada!
   

 

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