Para quando a (garantia) proteção dos jornalistas…?

Por Veladimir Romano
A decapitação de jornalistas como prática e opção de vingança sobre o Ocidente aplicada pelos movimentos extremistas do Islão, demonstra como a força militar dos americanos e restantes países europeus, consumindo bilhões depois de bilhões de dólares, são ineficazes na confrontação direta com grupos armados, ainda que sejam pouco sofisticados, com menos bilhões. Com isso, na primeira linha, seja: reportagem informativa, o prato forte onde recai a totalidade do ódio que esses grupos carregam.

O relatório (Associados da Imprensa Internacional) final da atividade jornalística do ano, é medonho e, mais uma vez, a lista de crimes absolutamente covardes, perturba, revolta, incomoda; devia envergonhar o mundo político, garantias democráticas, entre outros valores de ética pela obrigação do jornalista em atender na preparação informativa com total segurança. Quando vai ser possível um jornalista trabalhar, sabendo que deixou de ser alvo de qualquer bala traiçoeira?

A irresponsabilidade dos tribunais, de governos, alguma elite anti-jornalismo; mostra como será sempre difícil encontrar a fronteira realista em favor de quem arrisca a vida para fazer compreender o mundo e a sociedade. O recente manifesto prepotente do presidente da Turquia junto com o respetivo governo; aplicando golpe em mais de 600 profissionais da informação (acusou-os de “golpe de Estado”), é uma nota fiel do que qualquer elite arrogante, implementando abuso de poder, vai fazendo, aplicando estratégias punitivas na liberdade de expressão. Assim começam ditaduras!

Igualmente, o aspeto obscuro da impunidade com a qual se assassinam jornalistas nas Honduras (um dos países mais violentos do continente); mostrou como se aplica esse golpe no seu maior pleno de covardias da organização criminosa. Segundo outro relatório de 2014 do Comité de Proteção de Jornalistas, 90% dos crimes, ficam sem solução. Jornalistas? Mais de 200 estão exilados: 347 foram mortos em dez anos, 125 são prisioneiros de regimes alérgicos ao respeito pela Imprensa e da liberdade de informação.

Honduras, com seu currículo totalmente selvagem sobre liberdade de Imprensa, deu mais um exemplo na última segunda-feira com mais um assassinato do jornalista e fundador do Canal TV 28, de Comayagua:Reynaldo Mayes, de 48 anos; assassinado pelas costas na via pública. Outro caso impossível de solucionar.

No ano de 2013, foram assassinados 127 jornalistas; até ao final de 2014, em 32 países, foram igualmente assassinados 128. As perturbações na faixa de Gaza provocaram a morte de 16 profissionais de imprensa; mas também no México morreram 8 e nas Honduras, mais 5; enquanto na Ucrânia padeceram 9… seguindo-se o Iraque, Síria, Afeganistão, Paquistão, Somália, palcos com alto teor de violação dos Direitos Humanos.

Será que esta situação não incomoda autoridades, regimes políticos  muito especialmente quem administra o mercado da informação, perdendo profissionais de forma dramática? Ou o desmazelo já domina a capacidade moral duma crise arrebatadora, não perdoando nenhum setor da vida humana? Seria bom igualmente no meio de tantas cúpulas, uma que ajudasse ao pensamento, juízo e justiça sobre essa temática do regime assassino caindo sobre o Jornalismo.

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