Partiu ao eterno o nosso grande Mandiba

Por Veladimir Romano
Seria novidade, depois duma vida de plenos desafios, sacrifício, perseguição, limitações impostas pelo regime racista do seu país: África do Sul, terra de zulus e xosas, montanhas, vales e planícies, tocadas pela luz do arco-íris luminoso e eterno… terras de história sofrida por onde Nelson Mandela impôs uma personalidade digna, firme, mas também recheada de amor.

Madiba, para um mundo que depressa aprendeu a conhecer outros valores, jóia suprema a uma resistência de gerações onde todos aqueles que a natureza deu outras caraterísticas em tom de pele fugindo ao cardápio institucional do regime sul-africano, a infame superioridade rácica colocada na encardida bandeja do pensamento “apartheid”; trilho esse mantido aceso na medida puramente reacionária, mas travada pela coragem infinita de personagens como Madiba.

O tempo, entretanto, decorreu, na História dos acontecimentos mundiais, reformas inevitávies na região austral, nasceram graças à força e ao impacto dessa luta sem quartel contra a maré de injustiças do regime branco, apodrecendo, só depois, sobressaindo a luz, então, eterna que há muito já havia conquistado a liberdade dos homens… mas de todos eles, sem limite.

Madiba se fez dessa luz ao caminho seguinte, despindo ódios ou rancores possíveis de limitar a iteligêencia e um novo querer, crescendo valores imediatos, ou apenas reevendicação desejada pelo sentido humano, espiritual, arrecadado às esferas da alma mais profunda e sincera… luminosidade transmitida pela postura, personalidade, irradiação clara e frontal de um ser humano de sentimentos raros.

Madiba, Madiba e mais Madiba, marcou gerações, continuando hoje até ao futuro, entre tantos novos tempos de vazio, povos vergados ao materialismo financeiro de capitalismo descarado pelo controlo da Humanidade, um “big brother”, doentio, atraído pela energia negativa da escravidão, pronta a ofender a liberdade, a vida e a legitimidade existencial dos povos; naturalmente, caso o planeta nunca tivesse conhecido um Madiba vindo de uma certa quinta dimensão, teria ficado este mundo muitíssimo pobre, perdido na escuridão do tempo.

Dizer assim obrigado, jamais chegará. No entanto, seria bom e naturalmente útil, aprender com Nelson Mandela, sua magnânime luz espiritual ao longo duma trajetória exemplar, modo e utilização de posturas superiormente cuidadas, sem exageros, sempre pela ponderação e mais importante de tudo: despir arrogâncias, perdendo juízo pela causa duma ganância exigida à justiça em horas de maior revolta pelo sofrido passado. Madiba, soube com dignidade e altivez única, marcar todo um tempo de gigantesca relevância em todo o seu esplendor, dando lições, desfazendo vaidade oportunista, antes construíndo simples felicidade, fabricações naturais a um estilo incomparável, inesquecível, ilimtado.

Novamente, felizes ficamos de o ter conhecido pela pior circunstância, mas graças a esse pormenor de atraso civilizacional de uns quantos gulosos do poder absoluto, Nelson Mandela marcou a vida de milhões como do personagem ao maior pedagogo, um dos maiores pacifistas, espiritualistas, campeão sem fronteira a todas as épocas.

Grande Madiba, a tua Luz é agora mais brilhante que algum dia Sirius brilhou até Orion… despida de palavras mas onde uma força do estar poético mandou soprar ventos…

ETERNO MADIBA   

De cristal ficou o horizonte

na penumbra transmitida ao diáfano

quando a celeste aurora

se transformou na fonte

da alma em luz formada…

Venham novas estradas a percorrer

essa igual penumbra terrena
por onde homens se consomem
nas marés do engano a tempos
desgarrado acaso do sempre perder.
Madiba embarcou por entre marcos de arco-íris
em festa, longíncua residência
na infinita molde astral
a imagem eterna da resistência…
Eterno Madiba;
rastro teu de supremo cometa
lusídio
no florir musical
dos anjos
prontos a punhos de trompeta…
Sonorizam de fá a sol
claves evidentes
de um eterno Homem!

Veladimir Romano

Lisboa, 5 dezembro, 2013

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